{"id":5317,"date":"2020-07-27T12:00:25","date_gmt":"2020-07-27T15:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/?p=5317"},"modified":"2020-07-27T15:27:49","modified_gmt":"2020-07-27T18:27:49","slug":"cultivando-mulheres-inspiradoras-gabriela-krebs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/lideranca-feminina\/cultivando-mulheres-inspiradoras-gabriela-krebs\/","title":{"rendered":"Cultivando mulheres inspiradoras \u2013 Gabriela Krebs"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Em um cen\u00e1rio onde se discute cada vez mais o processo de sucess\u00e3o familiar e as mulheres ganham espa\u00e7o assumindo os neg\u00f3cios da fam\u00edlia, o planejamento sucess\u00f3rio antecipado torna-se uma importante ferramenta para o sucesso da empresa rural<\/strong><\/h2>\n<p>Para mostrar essa for\u00e7a feminina no agro, criamos o quadro <strong>\u201cCultivando mulheres inspiradoras\u201d<\/strong>. Esse quadro de entrevistas trar\u00e1 hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o de grandes mulheres do agro, com todos seus desafios e oportunidades.<\/p>\n<p>Hoje em nossa entrevista, trazemos a hist\u00f3ria da <strong>Advogada na \u00e1rea C\u00edvel, Fam\u00edlia e Sucess\u00e3o, Direito Agr\u00e1rio e do Agroneg\u00f3cio, Gabriela Krebs.<\/strong><\/p>\n<p>Gabriela Krebs \u00e9 advogada graduada pela FURB\/SC, com forma\u00e7\u00e3o pela ESMESC- Escola Superior da Magistratura de SC, Especialista em M\u00e9todos de Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos, T\u00e9cnicas de Negocia\u00e7\u00e3o e Media\u00e7\u00e3o pela Universidad de Castilla la Mancha\/Espanha, Especialista em Direito Tribut\u00e1rio pela Unijui-RS, P\u00f3s Graduanda em Media\u00e7\u00e3o e Negocia\u00e7\u00e3o pela ESA-FUMEC\/MG.<\/p>\n<p>Advogada h\u00e1 mais de 13 anos na \u00e1rea C\u00edvel, Fam\u00edlia e Sucess\u00e3o, Direito Agr\u00e1rio e do Agroneg\u00f3cio, Gabriela tamb\u00e9m \u00e9 Consultora de Solu\u00e7\u00f5es Patrimoniais e Jur\u00eddicas no Agroneg\u00f3cio no estado do Rio Grande do Sul. Membro fundadora e Vice -Presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agroneg\u00f3cio- IBDAGRO. Neta e filha de produtor rural, atua na defesa de interesses dos produtores rurais, em especial em negocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas banc\u00e1rias, planejamento sucess\u00f3rio e patrimonial, bem como no designer e estrat\u00e9gia de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>Hist\u00f3ria com o agro<\/strong><\/h3>\n<p>Gabriela sempre esteve inserida no meio rural, desde a inf\u00e2ncia. Descendente de alem\u00e3es, sua fam\u00edlia sempre trabalhou na atividade rural. O av\u00f4 de Gabriela era agricultor e, com o passar do tempo, seu pai e seu tio assumiram o neg\u00f3cio da fam\u00edlia e tocaram a atividade.\u00a0 No entanto, por incentivo de seu pai, Gabriela despertou um grande amor pela leitura e acabou encontrando no Direito um meio para exercer as suas habilidades e ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas.<\/p>\n<p>Com a fam\u00edlia diretamente ligada no agro e ela engajada na \u00e1rea jur\u00eddica, Gabriela acabou voltando para o agroneg\u00f3cio por conta de acontecimentos familiares que a levaram a tomar essa decis\u00e3o. \u201cMeu pai faleceu em poucos dias, em raz\u00e3o de um c\u00e2ncer, e me deparei com uma s\u00e9rie de entraves jur\u00eddicos para serem solucionados na propriedade. N\u00e3o t\u00ednhamos feito um planejamento sucess\u00f3rio. Nesse \u00ednterim, a fam\u00edlia absorveu alguns preju\u00edzos, com algumas d\u00edvidas banc\u00e1rias a serem negociadas, negocia\u00e7\u00e3o com fornecedores de insumos; enfim, absorvemos aquela problem\u00e1tica toda e, como \u00fanica advogada da fam\u00edlia, coube a mim a solu\u00e7\u00e3o\u201d, conta Gabriela.<\/p>\n<p>Diante desse desafio, Gabriela buscou aprimorar seus conhecimentos na \u00e1rea que sempre se identificou e atuou: direito de fam\u00edlia. Encontrou a dificuldade de acesso a cursos que s\u00f3 aconteciam nos grandes centros urbanos. Na \u00e9poca n\u00e3o havia facilidade de acesso a cursos online como hoje.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Gabriela se atentou para uma demanda regional. A regi\u00e3o noroeste do Rio Grande do Sul, onde ela reside, tem sua economia voltada para o setor do agroneg\u00f3cio, seja pelas lavouras de soja, milho, trigo, ou pela pecu\u00e1ria leiteira e gado de corte. \u201cA economia depende quase que 100% da agricultura, fazendo com que as demandas jur\u00eddicas sempre estejam atreladas a esse setor, de alguma forma. Mas eu tamb\u00e9m trouxe como prop\u00f3sito de vida atuar resolvendo as quest\u00f5es jur\u00eddicas, visando o desenvolvimento do agroneg\u00f3cio\u201d, relata a advogada.<\/p>\n<h3><strong>Desafios e oportunidades<\/strong><\/h3>\n<p>Gabriela destaca como maior desafio o in\u00edcio do trabalho dentro do ambiente familiar. \u201cComo n\u00e3o hav\u00edamos feito nenhum planejamento sucess\u00f3rio, realmente foi bem desafiador para mim. Mal sabia direito por onde come\u00e7ar a resolver aquela demanda. Somos quatro irm\u00e3os, mas apenas um atuava no campo e somente eu era advogada. N\u00e3o se falava em Direito do Agroneg\u00f3cio na \u00e9poca, em 2011, como se fala hoje. Na \u00e9poca, com pouco material did\u00e1tico, pouqu\u00edssimos advogados especialistas da \u00e1rea e poucos cursos, a especializa\u00e7\u00e3o nesses temas eram mais dif\u00edceis\u201d, conta Gabriela.<\/p>\n<p>Mas em meio a tantos desafios, Gabriela conheceu tamb\u00e9m um mundo de oportunidades dentro do direito do agroneg\u00f3cio. \u201cComo sempre me identifiquei com o direito de fam\u00edlia e com as causas do campo, n\u00e3o foi dif\u00edcil me apaixonar pelo direito agr\u00e1rio. O direito do agroneg\u00f3cio, como um todo, \u00e9 muito abrangente, envolve quest\u00f5es dentro da porteira e fora dela tamb\u00e9m. \u00c9 um ramo do direito com muitas possibilidades, que nos abre os horizontes\u201d, explica.<\/p>\n<h3><strong>Sucess\u00e3o familiar no agro: neg\u00f3cio de mulher<\/strong><\/h3>\n<p>No que diz respeito a continuidade dos neg\u00f3cios da fam\u00edlia no agro, o cen\u00e1rio tem mudado bastante. Gabriela Krebs destaca que \u201choje em dia, quando falamos em sucess\u00e3o familiar rural, o cen\u00e1rio \u00e9 outro. Antigamente, ouv\u00edamos que se <em>\u2018voc\u00ea n\u00e3o estudar, vai ter que trabalhar no campo\u2019, <\/em>agora, \u2018<em>se voc\u00ea quer ficar no campo, voc\u00ea tem que estudar<\/em>\u2019. Esse fato se dava porque antigamente a vida no campo era muito mais dif\u00edcil do que \u00e9 hoje. O agricultor n\u00e3o tinha toda essa tecnologia dispon\u00edvel atualmente\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Gabriela tamb\u00e9m destaca que al\u00e9m da qualifica\u00e7\u00e3o exigida hoje para manter-se no campo, a presen\u00e7a feminina tamb\u00e9m na sucess\u00e3o cresceu consideravelmente. E nesse contexto, ela explica as mudan\u00e7as mostrando as diferen\u00e7as entre o passado e o presente da sucess\u00e3o familiar no campo.<\/p>\n<p>\u201cHistoricamente, h\u00e1 alguns anos, em um passado n\u00e3o muito remoto, geralmente eram os filhos homens ou os genros que assumiam os neg\u00f3cios. As mulheres quase n\u00e3o tinham voz durante esse processo sucess\u00f3rio, ou at\u00e9 mesmo durante as decis\u00f5es que impactavam os neg\u00f3cios. Essa subjulga\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o come\u00e7ava sempre dentro do ambiente familiar. As mulheres ficavam com as atividades dom\u00e9sticas e os filhos auxiliavam o fundador nessas fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o. V\u00e1rios s\u00e3o os fatores desse fen\u00f4meno, a quest\u00e3o cultural, que envolve n\u00e3o s\u00f3 o agroneg\u00f3cio, mas em outros segmentos tamb\u00e9m; e as mulheres n\u00e3o eram estimuladas a estudar sobre as quest\u00f5es que envolviam o neg\u00f3cio da fam\u00edlia, a se habilitar para assumir as fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o\u201d. Com conhecimento de causa, Gabriela destaca:<\/p>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cSucessores n\u00e3o nascem prontos, precisam de preparo, de estudo e de conhecimento daquela atividade para o neg\u00f3cio expandir\u201d.<\/strong><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cHoje os tempos s\u00e3o outros. Esse movimento de empoderamento feminino no agro est\u00e1 em ascens\u00e3o. Estamos mais cientes das nossas habilidades, sejam elas de gest\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o, finan\u00e7as, lideran\u00e7as ou negocia\u00e7\u00f5es. <strong>Podemos ser o que quisermos ser<\/strong>. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, as mulheres s\u00e3o mais antenadas, mais abertas \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, \u00e0s tecnologias, buscam aprender e s\u00e3o mais empreendedoras. Ressalto ainda o fato de sermos mais resilientes do que os homens. A atividade rural demanda muita resili\u00eancia. De um modo geral, somos gestoras natas. Gerimos a vida dom\u00e9stica muito bem. Somos organizadas e competentes. Percebi nesse tempo atuando no agro que nas empresas rurais onde as mulheres est\u00e3o \u00e0 frente do neg\u00f3cio, existe um clima familiar entre os funcion\u00e1rios e os gestores. Um clima harmonioso onde os colaboradores se sentem parte daquela hist\u00f3ria\u201d, comenta.<\/p>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cN\u00f3s mulheres, usamos muito bem nossa sensibilidade para liderar pessoas. Neg\u00f3cios s\u00e3o pessoas, e n\u00f3s mulheres, intuitivamente, sabemos lidar melhor com as pessoas, porque nos comunicamos melhor que os homens, seja por habilidade, seja por intui\u00e7\u00e3o\u201d, considera.<\/strong><\/h5>\n<\/blockquote>\n<h3><strong>Exemplo de vida<\/strong><\/h3>\n<p>No que diz respeito a como se preparar para a sucess\u00e3o familiar, Gabriela Krebs d\u00e1 dicas e sugest\u00f5es de quem viveu na pele as dificuldades de um processo sucess\u00f3rio n\u00e3o planejado, com uma s\u00e9rie de intemp\u00e9ries que culminou na extin\u00e7\u00e3o da atividade rural iniciada pelo av\u00f4.<\/p>\n<p>\u201cMeu conselho hoje \u00e9 que planejem a vida da empresa familiar, se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela perpetue com o tempo, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. <strong>Planejamento \u00e9 empoderamento<\/strong>. Voc\u00ea deve decidir quais ser\u00e3o as diretrizes daquele neg\u00f3cio, quem ir\u00e1 administrar e quais s\u00e3o as regras. Isso \u00e9 poder. A mulher est\u00e1 sempre mais aberta a mudan\u00e7as, ao conhecimento do novo, pensa no futuro. Muitas vezes precisa dar esse \u2018empurr\u00e3ozinho\u2019, para que a fam\u00edlia repense na miss\u00e3o e nos valores iniciados pelo fundador.\u00a0 Para ajudar nesse processo, a lei disponibiliza uma s\u00e9rie de ferramentas para atender as peculiaridades de cada fam\u00edlia\u201d, aconselha a advogada.<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m das quest\u00f5es legais, existem quest\u00f5es familiares e pessoais que devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o. \u201cUma quest\u00e3o primordial \u00e9 ter clareza sobre a <strong>miss\u00e3o de vida da fam\u00edlia<\/strong>. Isso \u00e9 um processo que demanda tempo e carinho e deve come\u00e7ar cedo, com os filhos ainda jovens, criando-se mecanismos, atrav\u00e9s de acordo de s\u00f3cios, estipulando as diretrizes ou at\u00e9 atrav\u00e9s de conselhos de fam\u00edlia, visando difundir a hist\u00f3ria de vida daquela empresa\u201d, salienta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outro ponto merece aten\u00e7\u00e3o. Segundo a advogada, dados mostram que 60% empresas familiares s\u00e3o extintas por falta de uma <strong>boa comunica\u00e7\u00e3o<\/strong> entre os seus membros.\u00a0 \u201cIsso se d\u00e1 porque n\u00e3o nascemos sabendo nos relacionar, nos comunicar. E as fam\u00edlias somatizam os problemas pessoais levando para o ambiente empresarial. Precisamos aprender a nos comunicar\u201d, reitera ela.<\/p>\n<h3><strong>De agro mulher para agro mulher<\/strong><\/h3>\n<p>Diante de todo esse cen\u00e1rio apresentado pela advogada Gabriela Krebs, ela destaca a import\u00e2ncia das mulheres \u201cdesenvolverem suas habilidades e se prepararem para assumir cargos de gest\u00e3o e de lideran\u00e7a, come\u00e7ando pelo autoconhecimento, que \u00e9 a base de tudo. Uma autoestima fortalecida reflete em todos os setores da vida\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cSomos o que estudamos. Capacitem-se. Assumam as empresas com seguran\u00e7a adquirida por meio do desenvolvimento pessoal e da capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, descobrindo quais s\u00e3o suas <em>soft skills<\/em> e como voc\u00eas podem fazer uso delas. Descubram suas aptid\u00f5es e trabalhem em cima delas. Unam-se a outras mulheres com o mesmo prop\u00f3sito. Empoderem-se!\u00a0 O mundo \u00e9 daquele que ousa conquistar\u201d. Gabriela Krebs, Advogada<\/strong><\/h6>\n<\/blockquote>\n<p>A hist\u00f3ria de Gabriela \u00e9 mais uma das muitas hist\u00f3rias inspiradoras que vamos cultivar por aqui. Acompanhe nosso quadro e se inspire com a gente e com essas grandes agro mulheres!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um cen\u00e1rio onde se discute cada vez mais o processo de sucess\u00e3o familiar e as mulheres ganham espa\u00e7o assumindo os neg\u00f3cios da fam\u00edlia, o planejamento sucess\u00f3rio antecipado torna-se uma importante ferramenta para o sucesso da empresa rural Para mostrar essa for\u00e7a feminina no agro, criamos o quadro \u201cCultivando mulheres inspiradoras\u201d. 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