{"id":5064,"date":"2020-05-20T12:00:27","date_gmt":"2020-05-20T15:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/?p=5064"},"modified":"2020-05-19T22:04:54","modified_gmt":"2020-05-20T01:04:54","slug":"quem-ama-florestas-consome-cafes-sustentaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/universo-agro\/quem-ama-florestas-consome-cafes-sustentaveis\/","title":{"rendered":"Quem ama florestas, consome caf\u00e9s sustent\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<h2>O Brasil possui uma das cafeiculturas mais emblem\u00e1ticas do mundo e o consumo direcionado pode ser uma forma de engajamento ambiental<\/h2>\n<p>Texto:\u00a0 Enrique Alves* &#8211; Pesquisador da Embrapa Rond\u00f4nia<\/p>\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa Ribeiro<\/p>\n<p>Foto: Renata Silva &#8211; Embrapa Rond\u00f4nia<\/p>\n<p>Vivemos tempos em que as informa\u00e7\u00f5es nos chegam nas mais diferentes plataformas e m\u00eddias, e isso \u00e9 muito bom. Mas, essa populariza\u00e7\u00e3o do conhecimento trouxe algo t\u00e3o letal quanto \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o: a m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o. Quando estas not\u00edcias tratam de temas importantes como a preserva\u00e7\u00e3o das florestas \u00e9 preciso ter ainda mais cuidado.<\/p>\n<p>\u00c9 disso que vamos falar, da rela\u00e7\u00e3o complexa entre a agricultura e a floresta. N\u00e3o se pode ser inocente e dizer que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo n\u00e3o se deu com base no desmatamento. Isso sempre foi uma realidade e, em fronteiras agr\u00edcolas mundo afora, ainda pode ser observado. Mas, que fique bem claro, existe uma grande diferen\u00e7a entre produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de alimentos e degrada\u00e7\u00e3o ambiental. O Brasil \u00e9 muito rico em bons e maus exemplos e \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o generalizar para n\u00e3o criar preconceitos e julgamentos injustos.<\/p>\n<p>A Embrapa tem preconizado que a agricultura precisa ter um vi\u00e9s sustent\u00e1vel e busca, constantemente, em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, novas tecnologias com essa finalidade. Nesse contexto, h\u00e1 um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola integrada, que vem se tornando, a cada dia, mais popular no pa\u00eds, englobando diversas combina\u00e7\u00f5es entre os componentes agr\u00edcola, pecu\u00e1rio e florestal.<\/p>\n<p>Como resultado disso, temos diferentes sistemas integrados, como lavoura-pecu\u00e1ria-floresta (ILPF), lavoura-pecu\u00e1ria (ILP), silvipastoril (SSP) ou agroflorestais (SAF). Atualmente, s\u00e3o 15 milh\u00f5es de hectares no pa\u00eds que utilizam os diferentes formatos da estrat\u00e9gia ILPF e a estimativa \u00e9 de que, para os pr\u00f3ximos 10 anos, sejam mais de 42 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Se, no passado, a agricultura andava de m\u00e3os dadas com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o desmatamento, essa realidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 verdadeira para muitas das principais culturas alimentares do mundo e, dentre elas, destaca-se o caf\u00e9.<\/p>\n<p>Podemos dizer que esse gr\u00e3o que construiu cidades e \u00e9 a bebida mais consumida no mundo, depois da \u00e1gua, pode representar uma ferramenta vital para a inclus\u00e3o e desenvolvimento social, qualidade de vida e preserva\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil, principalmente, na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Isso n\u00e3o \u00e9 sonho, \u00e9 realidade.<\/p>\n<h3>Ado\u00e7\u00e3o de tecnologias \u00e9 o caminho da sustentabilidade<\/h3>\n<p>Na safra atual de 2020, a expectativa de produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 no Brasil \u00e9 de 60 milh\u00f5es de sacas de 60 Kg, colhidas em 1,8 milh\u00e3o de hectares. Mas, para demonstrar a evolu\u00e7\u00e3o da cafeicultura nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas ser\u00e3o comparadas duas safras de baixa produ\u00e7\u00e3o (bienalidade negativa), 2001 e 2019.<\/p>\n<p>Em 2001, o Brasil possu\u00eda 2,6 milh\u00f5es de hectares plantados com caf\u00e9 \u2013 2,2 milh\u00f5es em produ\u00e7\u00e3o e 400 mil em forma\u00e7\u00e3o \u2013 que produziram 31 milh\u00f5es de sacas. Para a safra de 2019, a produ\u00e7\u00e3o foi de 49 milh\u00f5es de sacas, cultivadas em 2,1 milh\u00f5es de hectares \u2013 1,8 milh\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o e 319 mil em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao se observar o gr\u00e1fico da s\u00e9rie hist\u00f3rica da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 no Brasil \u2013 dados da Companhia Nacional de Abastecimento &#8211; Conab, nota-se que entre os anos de 2001 e 2019 houve um decr\u00e9scimo de 19% na \u00e1rea cultivada, cerca de 500 mil hectares a menos. Mas, ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, a produ\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o aumentou 58% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Esse maior rendimento das lavouras foi motivado, principalmente, pela incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias no campo, que fizeram a produtividade m\u00e9dia das \u00e1reas subir de 14 para 27 sacas por hectare, um aumento de 93%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apesar da renova\u00e7\u00e3o constante das lavouras, numa taxa m\u00e9dia superior a 6% ao ano, isso n\u00e3o se refletiu em um aumento de \u00e1rea cultivada ao longo das duas \u00faltimas d\u00e9cadas. Demonstrando que, as \u00e1reas em forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o, em sua maioria, a substitui\u00e7\u00e3o de plantios obsoletos por outros mais tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Dentre as novas tecnologias incorporadas na cafeicultura, podemos citar: melhoramento e sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, manejo de irriga\u00e7\u00e3o, arranjos espaciais eficientes, conserva\u00e7\u00e3o do solo e manejo integrado de pragas e doen\u00e7as. Tudo isso tornou as lavouras brasileiras mais sustent\u00e1veis e agronomicamente eficientes.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros apresentados no gr\u00e1fico abaixo demonstram que a evolu\u00e7\u00e3o da cafeicultura no Brasil, passa longe do desmatamento. O pa\u00eds se consolida como a \u201cna\u00e7\u00e3o do caf\u00e9\u201d, sendo respons\u00e1vel por cerca de um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5066 aligncenter\" src=\"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-1_Easy-Resize.com_-300x167.jpg\" alt=\"\" width=\"538\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-1_Easy-Resize.com_-300x167.jpg 300w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-1_Easy-Resize.com_-1024x569.jpg 1024w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-1_Easy-Resize.com_-768x427.jpg 768w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-1_Easy-Resize.com_.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><\/p>\n<h3>Cafeicultura na Amaz\u00f4nia<\/h3>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos principais \u201cplayers\u201d da cadeia produtiva do caf\u00e9 no mundo. \u00c9 o maior produtor, exportador e segundo maior mercado consumidor. Possui uma cafeicultura plural e diversificada. Uma verdadeira paleta sensorial, reproduzida em aromas e sabores originados em lavouras das esp\u00e9cies ar\u00e1bica e can\u00e9fora (conilon e robusta), cultivadas de norte a sul do pa\u00eds. Um grande exemplo disso est\u00e1 numa das regi\u00f5es mais emblem\u00e1ticas do mundo: a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Para exemplificar o que acontece na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 nesta regi\u00e3o vamos falar de Rond\u00f4nia que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica &#8211; IBGE \u00e9 respons\u00e1vel por 97% de todo o caf\u00e9 produzido na Amaz\u00f4nia. O estado \u00e9 o quinto maior produtor de caf\u00e9 do pa\u00eds e o segundo da esp\u00e9cie can\u00e9fora. Se a cafeicultura no Brasil como um todo evoluiu, o salto na cadeia produtiva de Rond\u00f4nia foi qu\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 uma coisa recente. Segundo relatos hist\u00f3ricos, a primeira lavoura de caf\u00e9 do Brasil foi cultivada em terras do norte, no Estado do Par\u00e1, em 1727. Depois, foi levada para a regi\u00e3o sudeste, mais evolu\u00edda \u00e0 \u00e9poca, e se desenvolveu nos moldes como conhecemos hoje. O caf\u00e9 s\u00f3 voltou a ter import\u00e2ncia econ\u00f4mica para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica na d\u00e9cada de 1970, com os pioneiros que foram desbravar a regi\u00e3o. Eram migrantes vindos, principalmente, dos estados do Esp\u00edrito Santo, Paran\u00e1 e Minas Gerais.<\/p>\n<p>Foi um per\u00edodo de grande expans\u00e3o territorial das lavouras na regi\u00e3o norte, mas, o caf\u00e9 produzido era considerado de baixa qualidade e as plantas pouco produtivas. Resultado de uma atividade agr\u00edcola de caracter\u00edsticas quase extrativistas e de pouca efici\u00eancia de uso da terra.<\/p>\n<p>Assim como ocorreu em todo o pa\u00eds, a cafeicultura na Amaz\u00f4nia cresceu. Em 2011, o Estado de Rond\u00f4nia j\u00e1 contava com 318 mil hectares de lavouras \u2013 245 mil em produ\u00e7\u00e3o e 73 mil em forma\u00e7\u00e3o \u2013 que produziam 1,9 milh\u00e3o de sacas e ainda mantinham um padr\u00e3o de baixa tecnologia, com produtividade m\u00e9dia de oito sacas por hectare.<\/p>\n<p>Atualmente, a expectativa de produ\u00e7\u00e3o para a safra de 2020 \u00e9 superior a 2,3 milh\u00f5es de sacas, produzidas em uma \u00e1rea plantada 78% inferior \u00e0 de 2001, e com 71 mil hectares, sendo 65 mil em produ\u00e7\u00e3o e seis mil em forma\u00e7\u00e3o. Em quase duas d\u00e9cadas, a produtividade evoluiu para 36 sacas por hectare, gra\u00e7as aos produtores que, a cada ano que passa se dedicam mais ao uso de tecnologias de base sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Se o Brasil fez o dever de casa nos \u00faltimos anos, os cafeicultores da Amaz\u00f4nia est\u00e3o fazendo tarefas extras. Pois, se existe uma regi\u00e3o no globo terrestre que pode aumentar vertiginosamente a sua produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, sem que seja necess\u00e1rio um \u00fanico hectare de desmatamento, ela est\u00e1 no Estado de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em c\u00e1lculos simples, se retornarmos ao \u201cstatus\u201d de \u00e1rea cultivada de 2001 e a produtividade atual, o estado produziria mais de 11 milh\u00f5es de sacas de caf\u00e9. Sim, a resposta para uma demanda crescente de produ\u00e7\u00e3o mundial de caf\u00e9 pode encontrar seu lugar na Amaz\u00f4nia. Veja essa evolu\u00e7\u00e3o surpreendente dos \u00faltimos anos no gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5067 aligncenter\" src=\"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-2_Easy-Resize.com_-300x193.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-2_Easy-Resize.com_-300x193.jpg 300w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-2_Easy-Resize.com_-1024x658.jpg 1024w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-2_Easy-Resize.com_-768x493.jpg 768w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Gr\u00e1fico-2_Easy-Resize.com_.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><\/p>\n<h3>\u201cGreen forest trade\u201d para os caf\u00e9s amaz\u00f4nicos<\/h3>\n<p>Dito isto, fica claro que o recorrente argumento do v\u00ednculo entre a produ\u00e7\u00e3o da cafeicultura e o desmatamento n\u00e3o procede. N\u00e3o apenas a cafeicultura reduziu a \u00e1rea utilizada de lavouras, como se tornou mais eficiente e produtiva. E, ouso dizer que quem ama as florestas deveria consumir mais caf\u00e9s brasileiros e, principalmente os amaz\u00f4nicos. O mercado mundial de caf\u00e9 j\u00e1 valoriza muito o com\u00e9rcio justo \u2013\u00a0<em>fair trade<\/em>\u00a0e poderia passar a pagar um \u201cgreen forest trade\u201d para os caf\u00e9s amaz\u00f4nicos com vi\u00e9s ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A cafeicultura pode ser genuinamente sustent\u00e1vel e uma aliada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das florestas. Por apresentar alto rendimento econ\u00f4mico por hectare, quando comparado a outras mais extensivas, \u00e9 capaz de sustentar a qualidade de vida dos cafeicultores e suas fam\u00edlias em pequenos m\u00f3dulos rurais. Isso representa menor press\u00e3o sobre a floresta e menor suscetibilidade desses agricultores a atividades ambientais predat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Apenas em Rond\u00f4nia, os cafeicultores formam um verdadeiro ex\u00e9rcito de mais de 17 mil fam\u00edlias que t\u00eam o caf\u00e9 como principal fonte do seu sustento. Estes produtores s\u00e3o quase um quinto de todos os estabelecimentos rurais do estado. Manter a viabilidade econ\u00f4mica dessas fam\u00edlias no campo deveria ser uma meta para toda a cadeia produtiva do caf\u00e9 e de quem se preocupa com as florestas no Brasil e, principalmente, na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<h3>Mais qualidade, inclus\u00e3o e reconhecimento<\/h3>\n<p>Uma demonstra\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da cafeicultura na regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e9 que est\u00e1 em processo o reconhecimento do que ser\u00e1 a primeira Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica de caf\u00e9s can\u00e9fora sustent\u00e1veis no mundo. Trata-se da Regi\u00e3o Matas de Rond\u00f4nia que produz os Robustas Amaz\u00f4nicos, sendo respons\u00e1vel por, aproximadamente, 80% de todo o caf\u00e9 produzido na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, preservar a floresta nunca foi t\u00e3o agrad\u00e1vel e prazeroso. Os Robustas Amaz\u00f4nicos, cuja excentricidade e caracter\u00edsticas sensoriais \u00fanicas t\u00eam conquistado a aten\u00e7\u00e3o dos consumidores de caf\u00e9s finos no Brasil e no mundo, s\u00e3o tema do maior concurso da esp\u00e9cie no Brasil, o Concaf\u00e9. Al\u00e9m de premiar, anualmente, os melhores caf\u00e9s produzidos no estado, tamb\u00e9m condecora as lavouras mais sustent\u00e1veis. N\u00e3o se trata apenas de produzir em quantidade e qualidade.\u00a0A evolu\u00e7\u00e3o da cadeia tamb\u00e9m precisa garantir a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, o caf\u00e9 defende tamb\u00e9m o que muitas vezes est\u00e1 esquecido nos discursos de preserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade: o fator humano. Os habitantes dessa regi\u00e3o dependem dos recursos do meio para sobreviver e precisam buscar formas de uma conviv\u00eancia harm\u00f4nica com o meio ambiente.<\/p>\n<p>Rond\u00f4nia tem dado bom exemplo. Iniciativas de inser\u00e7\u00e3o social est\u00e3o acontecendo de forma org\u00e2nica e natural junto \u00e0 cadeia produtiva. A cafeicultura amaz\u00f4nica nunca foi t\u00e3o plural e inclusiva. Mulheres, jovens e ind\u00edgenas s\u00e3o parte fundamental e movimentam as lavouras. A Alian\u00e7a Internacional do Caf\u00e9 &#8211; IWCA no Brasil tem em Rond\u00f4nia um de seus cap\u00edtulos mais bonitos.<\/p>\n<p>O protagonismo dos povos originais, que habitavam as florestas brasileiras antes de qualquer desbravador, tamb\u00e9m \u00e9 uma conquista da cafeicultura Amaz\u00f4nica. Os ind\u00edgenas, que cultivam h\u00e1 mais de 30 anos o caf\u00e9 em suas terras, agora, come\u00e7am a enxergar na produ\u00e7\u00e3o de Robustas finos uma forma sustent\u00e1vel de obter recursos financeiros em meio \u00e0 floresta.<\/p>\n<p>Por mais revolucion\u00e1rio que isso possa parecer, n\u00e3o deveria ser algo t\u00e3o extraordin\u00e1rio assim. N\u00e3o t\u00eam os caf\u00e9s a sua origem nas clareiras e nas bordas das florestas africanas? Seria apenas uma esp\u00e9cie de resgate. O caf\u00e9 na Amaz\u00f4nia \u00e9, al\u00e9m de tudo, uma fus\u00e3o de aromas e sabores. Um grande \u201cblend\u201d (mistura) de tradi\u00e7\u00e3o, tecnologia e origem.<\/p>\n<p>Preservar a floresta amaz\u00f4nica significa manter a nossa capacidade de perder o f\u00f4lego diante das belezas e riquezas j\u00e1 descobertas e escondidas dessa regi\u00e3o t\u00e3o importante e emblem\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><em>*Enrique Anast\u00e1cio Alves \u00e9 doutor na \u00e1rea de Engenharia Agr\u00edcola e, desde 2010, atua como pesquisador A na Embrapa, nas \u00e1reas de Colheita, p\u00f3s-colheita do caf\u00e9 e qualidade de bebida. \u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil possui uma das cafeiculturas mais emblem\u00e1ticas do mundo e o consumo direcionado pode ser uma forma de engajamento ambiental Texto:\u00a0 Enrique Alves* &#8211; Pesquisador da Embrapa Rond\u00f4nia Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa Ribeiro Foto: Renata Silva &#8211; Embrapa Rond\u00f4nia Vivemos tempos em que as informa\u00e7\u00f5es nos chegam nas mais diferentes plataformas e m\u00eddias, e isso<\/p>\n","protected":false},"author":3825,"featured_media":5065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[393,38,569,96,1000,998,999,723,561,567,997,568,1001],"class_list":{"0":"post-5064","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-universo-agro","8":"tag-agro","9":"tag-agromulher","10":"tag-amazonia","11":"tag-cafe","12":"tag-cafeicultores","13":"tag-canefora","14":"tag-conilon","15":"tag-do-campo","16":"tag-embrapa","17":"tag-mulher-do-campo","18":"tag-robusta","19":"tag-rondonia","20":"tag-sustentavel"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3825"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}