{"id":4763,"date":"2020-03-18T12:00:52","date_gmt":"2020-03-18T15:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/?p=4763"},"modified":"2020-03-18T13:12:34","modified_gmt":"2020-03-18T16:12:34","slug":"cientistas-aprimoram-metodo-de-producao-do-oleo-de-pequi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/universo-agro\/cientistas-aprimoram-metodo-de-producao-do-oleo-de-pequi\/","title":{"rendered":"Cientistas aprimoram m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de pequi"},"content":{"rendered":"<h2><strong>O protocolo apresentado pela Embrapa para a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de polpa prop\u00f5e a extra\u00e7\u00e3o por centrifuga\u00e7\u00e3o, de forma mais segura, r\u00e1pida e com maior rendimento do que o esquema tradicional<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Texto: Ver\u00f4nica Freire da <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/49360819\/cientistas-aprimoram-metodo-de-producao-do-oleo-de-pequi\">Embrapa Agroind\u00fastria tropical<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa<\/strong><\/p>\n<p>Um projeto da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/agroindustria-tropical\">Embrapa Agroind\u00fastria Tropical<\/a>\u00a0(CE) prop\u00f4s solu\u00e7\u00f5es para alguns dos problemas identificados nos m\u00e9todos tradicionais de produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo da polpa e da am\u00eandoa do pequi na Chapada do Araripe.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, o \u00f3leo da polpa \u00e9 produzido no meio da mata, em fogueiras acesas com madeira da floresta. Para preparar um litro do produto, \u00e9 necess\u00e1rio permanecer oito horas macerando mil caro\u00e7os em um lat\u00e3o no fogo. Um trabalho duro e com prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de higiene e seguran\u00e7a, mas que garante alguma renda para as comunidades extrativistas quando a safra termina.<\/p>\n<p>Uma pequena parte dos catadores extrai tamb\u00e9m o \u00f3leo da am\u00eandoa que fica no interior do caro\u00e7o espinhoso. \u00c9 um processo ainda mais complicado que a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo da polpa, por conta dos espinhos. Al\u00e9m disso, como as am\u00eandoas s\u00e3o pequenas, o rendimento de \u00f3leo \u00e9 baixo. Por isso, esse produto \u00e9 mais raro e caro que o \u00f3leo da polpa.<\/p>\n<h3><strong>Mais r\u00e1pido e com o dobro de rendimento<\/strong><\/h3>\n<p>O protocolo apresentado pela Embrapa para a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de polpa prop\u00f5e a extra\u00e7\u00e3o por centrifuga\u00e7\u00e3o, de forma mais segura, r\u00e1pida e com maior rendimento do que o esquema tradicional. O m\u00e9todo, relativamente simples, consiste na retirada da polpa, aquecimento em banho-maria a 45\u00b0C e centrifuga\u00e7\u00e3o em equipamentos pr\u00f3prios para pequenas agroind\u00fastrias.<\/p>\n<p>Uma das vantagens, conforme conta a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/289854\/maria-elisabeth-silveira-barros\">Elisabeth Barros<\/a>, \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o de compostos nutricionais sens\u00edveis a altas temperaturas, que se perderiam durante o demorado cozimento tradicionalmente empregado na produ\u00e7\u00e3o. Outra vantagem do novo modelo \u00e9 o bom rendimento. Enquanto no m\u00e9todo tradicional a quantidade de \u00f3leo extra\u00eddo \u00e9 inferior a 10% da massa de polpa, o processo apresentado pela Embrapa obt\u00e9m rendimento de 20%. \u201cIsso corresponde a cerca de 76% de todo o \u00f3leo presente na polpa, o que significa um alto valor quando se fala de rendimento industrial\u201d, esclarece a cientista.<\/p>\n<p>O que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o dos produtores ao conhecerem a nova forma de extrair o \u00f3leo da polpa foi a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica no tempo de extra\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o chega a uma hora, sem contar o tempo necess\u00e1rio para outras fases do processamento, como a secagem em estufa e a embalagem.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s gastamos oito horas s\u00f3 para cozinhar o caro\u00e7o de pequi e mais quatro horas para apurar o \u00f3leo. A produ\u00e7\u00e3o desse novo jeito vai dar melhor qualidade de vida pra gente\u201d, festeja o agricultor Ant\u00f4nio da Hora, morador da comunidade da Baixa do Maracuj\u00e1, na Chapada do Araripe, munic\u00edpio do Crato.<\/p>\n<p>De acordo com Barros, o m\u00e9todo tamb\u00e9m apresenta vantagens log\u00edsticas e operacionais por exigir menor espa\u00e7o de estocagem, j\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel armazenar apenas a polpa congelada. Dessa forma, tamb\u00e9m \u00e9 vi\u00e1vel guardar a mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o na entressafra.<\/p>\n<p>O pesquisador da Embrapa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/260577\/antonio-calixto-lima\">Ant\u00f4nio Calixto<\/a>\u00a0salienta a redu\u00e7\u00e3o do risco ambiental, j\u00e1 que a extra\u00e7\u00e3o por centrifuga\u00e7\u00e3o dispensa as fornalhas feitas de madeira da floresta. Al\u00e9m disso, favorece a ado\u00e7\u00e3o de Boas Pr\u00e1ticas de Fabrica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Pequi faz parte do Cariri<\/strong><\/h3>\n<p>No Cariri cearense, o uso culin\u00e1rio do pequi \u00e9 um tra\u00e7o cultural t\u00e3o marcante quanto a f\u00e9 em padre C\u00edcero ou a rica arte popular manifesta em nomes como irm\u00e3os Aniceto, Espedito Seleiro e Patativa do Assar\u00e9. O fruto comp\u00f5e pratos apreciados na regi\u00e3o, como o bai\u00e3o de dois ou a pequizada \u2013 um ensopado cremoso com verduras, leite e queijo coalho. Repleto de vitaminas e \u00f3leos, o pequi garante sustan\u00e7a e renda ao povo do lugar.<\/p>\n<p>Na safra, que se estende de janeiro a mar\u00e7o, centenas de pessoas montam acampamento na Floresta Nacional do Araripe (Flona) para catar o fruto ca\u00eddo no ch\u00e3o. Parte dos catadores incrementa os ganhos com a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo da polpa. Enquanto o cento do pequi in natura chega ao consumidor final por at\u00e9 R$ 10,00, o litro do \u00f3leo da polpa pode custar at\u00e9 R$ 100,00.<\/p>\n<h3><strong>\u00d3leo de am\u00eandoas<\/strong><\/h3>\n<p>O projeto da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical estabeleceu tamb\u00e9m os par\u00e2metros para extra\u00e7\u00e3o aquosa do \u00f3leo de am\u00eandoa de pequi. \u201cO processamento pode ser feito a partir das am\u00eandoas dos caro\u00e7os descartados ao fim da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo da polpa\u201d, diz a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/296091\/janice-ribeiro-lima\">Janice Lima<\/a>, da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/agroindustria-de-alimentos\">Embrapa Agroind\u00fastria de Alimentos<\/a>\u00a0(RJ), que atuou no projeto. Segundo ela, a am\u00eandoa do pequi tamb\u00e9m \u00e9 comest\u00edvel, mas \u00e9 pouco explorada, em fun\u00e7\u00e3o, principalmente, da dificuldade da extra\u00e7\u00e3o do endocarpo espinhoso.<\/p>\n<h3><strong>Pequi: sabor e espinhos<\/strong><\/h3>\n<p>O nome do fruto origina-se do tupi \u201cpyqui\u201d, no qual py significa pele, e qui, espinho, referindo-se aos espinhos do endocarpo do fruto. O pequizeiro \u00e9 uma planta perene, nativa e t\u00edpica do Cerrado, pertencente ao g\u00eanero Caryocar e \u00e0 fam\u00edlia Caryocaraceae. A esp\u00e9cie\u00a0<em>Caryocar coriaceum Wittm<\/em>. ocorre nos estados da Bahia, Goi\u00e1s, Piau\u00ed, Cear\u00e1 e Pernambuco. Nessas regi\u00f5es, apresenta-se como \u00e1rvore frondosa e esgalhada, podendo alcan\u00e7ar at\u00e9 dez metros de altura. Seu fruto, de cheiro e sabor peculiares, \u00e9 bastante apreciado pela popula\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es de ocorr\u00eancia, onde \u00e9 explorado de forma extrativista.<\/p>\n<p>Na Chapada do Araripe, o pequi se destaca pela import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica. Os frutos &#8211; ricos em \u00e1cidos oleico, palm\u00edtico, linoleico e carotenoides &#8211; s\u00e3o utilizados tanto na culin\u00e1ria regional como na farmacopeia popular e na ind\u00fastria cosm\u00e9tica. A safra, que vai de janeiro a mar\u00e7o, \u00e9 comercializada na regi\u00e3o e pouco aproveitada pela ind\u00fastria.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.5pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; color: #666666;\">A pesquisadora Janice Lima esclarece que a extra\u00e7\u00e3o aquosa apresenta a vantagem de n\u00e3o necessitar de solventes org\u00e2nicos. Ela explica que as am\u00eandoas s\u00e3o trituradas com \u00e1gua quente, o que ajuda a liberar o \u00f3leo dos tecidos, formando uma camada superior separada por flota\u00e7\u00e3o ou centrifuga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10.5pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; color: #666666;\">De cor clara, com cheiro suave e peculiar, o \u00f3leo da am\u00eandoa tem bom potencial para a ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos e \u00f3leo de mesa. Ele \u00e9 rico em \u00e1cidos graxos insaturados, reconhecidos como ben\u00e9ficos \u00e0 sa\u00fade, e apresentou bom desempenho em testes sensoriais. \u00d3leo obtido com os par\u00e2metros definidos pelo projeto apresentou estabilidade em prateleira de 350 dias. Para produzir um litro \u00e9 necess\u00e1rio processar em torno de 3,5 mil caro\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p>\u201cOs caro\u00e7os podem ser secos e armazenados para posterior processamento ao longo do ano, fora do per\u00edodo de safra, tornando-se uma fonte de renda alternativa para a regi\u00e3o\u201d, diz Lima. Segundo ela, \u00e9 importante continuar os estudos com o objetivo de desenvolver equipamentos para extra\u00e7\u00e3o da am\u00eandoa do endocarpo espinhoso.<\/p>\n<h3><strong>Atividade penosa<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cEu tenho certeza de que se n\u00e3o tivesse o pequi, o Crato n\u00e3o cabia mais de morador daqui da serra, porque \u00e9 bastante gente que tem aqui na regi\u00e3o atr\u00e1s de um emprego. N\u00e3o tem emprego nem para os que j\u00e1 s\u00e3o veteranos e t\u00eam experi\u00eancia de emprego, que dir\u00e1 para um agricultor que vai se habilitar a tudo novamente em uma nova fun\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O depoimento \u00e9 do agricultor Ant\u00f4nio Agostinho da Hora, morador da Baixa do Maracuj\u00e1, no munic\u00edpio do Crato. Al\u00e9m dele, a esposa e quatro dos oito filhos trabalham na coleta do pequi. \u201cA sobreviv\u00eancia que a gente tem aqui, principalmente agora, \u00e9 o pequi, a mangaba e o cambu\u00ed\u201d, conta da Hora.<\/p>\n<p>O produtor participou de um Dia de Campo promovido pela Embrapa para apresentar o modelo de processamento do \u00f3leo a frio. Ele aprovou a novidade, principalmente pela redu\u00e7\u00e3o do tempo de produ\u00e7\u00e3o e de exposi\u00e7\u00e3o ao calor que eles costumam passar. \u201c\u00c9 \u00f3tima, a gente n\u00e3o leva tanta temperatura no corpo quanto a gente leva para fazer o \u00f3leo artesanal, porque n\u00e3o \u00e9 brincadeira n\u00e3o,\u201d declara.<\/p>\n<h3><strong>Usina-piloto<\/strong><\/h3>\n<p>O munic\u00edpio do Crato, na regi\u00e3o do Cariri cearense, pode ganhar uma usina para produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de pequi com tecnologia Embrapa. A prefeitura elaborou um projeto para constru\u00e7\u00e3o do equipamento na comunidade da Baixa do Maracuj\u00e1, na Chapada do Araripe.<\/p>\n<p>Foto de capa: <a href=\"https:\/\/www.agencia.cnptia.embrapa.br\/gestor\/agroenergia\/arvore\/CONT000fbl23vmz02wx5eo0sawqe3egcicvo.html\">Daniella Colares<\/a><\/p>\n<p><strong>Texto: Ver\u00f4nica Freire da <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/49360819\/cientistas-aprimoram-metodo-de-producao-do-oleo-de-pequi\">Embrapa Agroind\u00fastria tropical<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O protocolo apresentado pela Embrapa para a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de polpa prop\u00f5e a extra\u00e7\u00e3o por centrifuga\u00e7\u00e3o, de forma mais segura, r\u00e1pida e com maior rendimento do que o esquema tradicional Texto: Ver\u00f4nica Freire da Embrapa Agroind\u00fastria tropical Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa Um projeto da\u00a0Embrapa Agroind\u00fastria Tropical\u00a0(CE) prop\u00f4s solu\u00e7\u00f5es para alguns dos problemas identificados nos m\u00e9todos<\/p>\n","protected":false},"author":3825,"featured_media":4764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[393,855,856,738,723,561,858,567,853,854,318,857],"class_list":{"0":"post-4763","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-universo-agro","8":"tag-agro","9":"tag-agroindustria","10":"tag-artesanal","11":"tag-cerrado","12":"tag-do-campo","13":"tag-embrapa","14":"tag-extracao","15":"tag-mulher-do-campo","16":"tag-oleo-de-pequi","17":"tag-pequi","18":"tag-pesquisa","19":"tag-polpa"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4763"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3825"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4763\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}