{"id":4750,"date":"2020-03-16T12:00:24","date_gmt":"2020-03-16T15:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/?p=4750"},"modified":"2020-03-16T12:27:16","modified_gmt":"2020-03-16T15:27:16","slug":"mulheres-do-agronegocio-apostam-em-capacitacao-para-vencer-preconceito-no-setor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/agro-mulheres\/mulheres-do-agronegocio-apostam-em-capacitacao-para-vencer-preconceito-no-setor\/","title":{"rendered":"Elas entraram em campo: mulheres do agroneg\u00f3cio apostam em capacita\u00e7\u00e3o para vencer preconceito no setor"},"content":{"rendered":"<h2><strong>As mulheres ainda precisam provar sua compet\u00eancia, dia ap\u00f3s dia, para ganhar credibilidade no setor. Mas novas exig\u00eancias do mercado como <\/strong><strong>facilidade de comunica\u00e7\u00e3o, flexibilidade e conex\u00e3o com as pessoas<\/strong><strong> t\u00eam aberto mais espa\u00e7o para as mulheres<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Texto: <\/strong>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/ideagri.com.br\/posts\/autor\/marcelo-moreira-piquini-comunicacao-estrategica\">Marcelo Moreira, Piquini Comunica\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, tem ocorrido um movimento interessante no agroneg\u00f3cio, com uma entrada significativa das mulheres neste setor comumente dominado pelos homens. Alguns n\u00fameros comprovam isso. Uma pesquisa realizada no ano passado pela <a href=\"https:\/\/ideagri.com.br\/posts\/elas-entraram-em-campo-mulheres-do-agronegocio-apostam-em-capacitacao-para-vencer-preconceito-no-setor\">Ideagri<\/a> em sua cartela de clientes constatou que entre as 90 fazendas de leite que se classificaram com a melhor pontua\u00e7\u00e3o na terceira edi\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Ideagri do Leite Brasileiro, publicado em setembro 2019, 30% s\u00e3o geridas por mulheres ou contam com mulheres em pap\u00e9is relevantes na administra\u00e7\u00e3o ou assist\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a feminina no trabalho das fazendas, em nossa carteira de clientes, como usu\u00e1rias do sistema, bem como em cursos, leil\u00f5es, feiras e eventos do setor \u00e9 cada vez mais significativa\u201d, diz Heloise Duarte (foto), CEO da Ideagri, citando, por exemplo, que a propor\u00e7\u00e3o de graduadas nos cursos relacionados ao agroneg\u00f3cio tem se igualado e at\u00e9 mesmo superado a de homens.<\/p>\n<h3><strong>As mulheres precisam provar sua compet\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>Neta de um pequeno produtor, que criou 14 filhos tirando leite, a editora da revista Leite Integral, Fl\u00e1via Fontes, conta que sua hist\u00f3ria com o leite come\u00e7ou quando ainda era pequena. \u201cSempre admirei o trabalho dele, sua for\u00e7a de vontade e pioneirismo. Quando entrei na Escola de Veterin\u00e1ria da UFMG, sabia muito bem o que queria. Todos os meus est\u00e1gios foram com leite, assim como o mestrado e doutorado. Meu objetivo era seguir a carreira acad\u00eamica, mas n\u00e3o havia concursos abertos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Diante desta impossibilidade, Fl\u00e1via identificou um nicho de mercado e decidiu criar uma revista para atender produtores progressistas e t\u00e9cnicos do setor. A primeira edi\u00e7\u00e3o saiu em fevereiro de 2006. \u201cCompletamos 14 anos. Depois da Leite Integral, veio o Simp\u00f3sio Internacional, que esse ano completa 10 anos, o #bebamaisleite, movimento de est\u00edmulo ao consumo de l\u00e1cteos e a Integral Conte\u00fado, que \u00e9 uma ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o para a pecu\u00e1ria\u201d, revela a empres\u00e1ria que recentemente ainda lan\u00e7ou um programa de certifica\u00e7\u00f5es de qualidade do leite, que j\u00e1 conta com selos de bem-estar animal, leite proveniente de Vacas A2A2 e Biosseguridade.<\/p>\n<h3><strong>Novas exig\u00eancias do mercado t\u00eam aberto espa\u00e7o para as mulheres<\/strong><\/h3>\n<p>Nascida e criada em Belo Horizonte, Bruna Leonel, coordenadora da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais, institui\u00e7\u00e3o que det\u00eam 50% da Itamb\u00e9, sempre passou os finais de semana no interior e acompanhou de perto a atividade leiteira da fam\u00edlia. Essa familiaridade e os valores presentes no meio rural foram determinantes para a escolha profissional. Cursou Zootecnia, em Vi\u00e7osa (MG), onde teve um contato mais intenso com a pecu\u00e1ria leiteira atrav\u00e9s do PDPL, que \u00e9 um programa de est\u00e1gio que presta assist\u00eancia t\u00e9cnica para os produtores da regi\u00e3o, e atrav\u00e9s da central de processamento de dados do projeto Educampo, uma parceria com o Sebrae.<\/p>\n<p>\u201cMe chamou muito a aten\u00e7\u00e3o o tanto que a gente ainda precisa caminhar em termos de gest\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o dentro das fazendas. \u00c9 uma atividade vi\u00e1vel e traz muito resultado. A oportunidade de ganho \u00e9 muito grande e foi o que me direcionou profissionalmente\u201d, explica. Ap\u00f3s a formatura, h\u00e1 cinco anos, foi trabalhar na CCPR Itamb\u00e9 e, desde ent\u00e3o, sempre trabalhou nesta \u00e1rea de desenvolvimento do produtor, levando solu\u00e7\u00f5es para o produtor e auxiliando nos processos de produ\u00e7\u00e3o, com foco na melhoria de qualidade.<\/p>\n<p>Apesar de atuar em um meio muito tradicional, em que as mudan\u00e7as, muitas vezes, s\u00e3o muito lentas, Bruna acredita que o mais importante s\u00e3o as caracter\u00edsticas de cada um e a necessidade de estar sempre em um processo cont\u00ednuo de melhora e aprendizado. \u201cPrecisamos aprender a lidar com isso com gra\u00e7a e leveza porque o mundo pede isso, a press\u00e3o \u00e9 muito grande, as mudan\u00e7as s\u00e3o muito r\u00e1pidas. Isso requer que a gente se reinvente o tempo inteiro. Eu nunca deixei que isso me limitasse ou isso me impulsionasse. \u00c9 o tipo de coisa que tento passar por cima. Se a gente conseguir olhar as nossas fragilidades e trabalhar o que for preciso, todo mundo tem oportunidade de ir muito longe.\u201d<\/p>\n<p>Ela ainda observa um avan\u00e7o na participa\u00e7\u00e3o da mulher no agroneg\u00f3cio, uma participa\u00e7\u00e3o cada vez maior e credita isso \u00e0 quebra de paradigmas no meio rural e ao pr\u00f3prio mercado, que exige hoje habilidades que n\u00e3o exigia antes. \u201cIsso tem feito com que todo mundo tenha que sair do lugar. S\u00e3o habilidades que, em tese, s\u00e3o mais comuns \u00e0s mulheres, como facilidade de comunica\u00e7\u00e3o, flexibilidade, conex\u00e3o com as pessoas. As caracter\u00edsticas que o mercado pede t\u00eam aberto mais espa\u00e7o para as mulheres\u201d, afirma.<\/p>\n<h3><strong>Trabalhar no agroneg\u00f3cio \u00e9 tudo de bom!<\/strong><\/h3>\n<p>Professora da Escola de Veterin\u00e1ria da UFMG, Sandra Gesteira sempre gostou de vacas de leite, desde crian\u00e7a, quando passava f\u00e9rias no interior e, durante a viagem, sempre via os animais pastando, o que foi determinante para a escolha profissional. \u201cEu sempre achei esse animal muito bonito, apesar de grande, tinha muita curiosidade e vontade de fazer Veterin\u00e1ria. Quando terminei a gradua\u00e7\u00e3o, eu queria trabalhar com vaca de leite e, naquela \u00e9poca, o caminho era atuar com reprodu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o fiz mestrado nesta \u00e1rea. Acabei trabalhando com transfer\u00eancia de embri\u00e3o, mais com gado de corte, mas tamb\u00e9m um pouco com gado de leite.\u201d<\/p>\n<p>Em seguida, Sandra passou a trabalhar com assist\u00eancia veterin\u00e1ria at\u00e9 voltar para universidade para cursar doutorado. \u201cNessa \u00e9poca apareceu uma vaga de professor na \u00e1rea de bovinocultura de leite, que era a \u00e1rea que eu sempre gostei, fiz concurso, passei, e estou na UFMG at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p>Sandra conta que ap\u00f3s tantos anos na atividade profissional, os desafios s\u00e3o pequenos por ser mulher, embora, muitas vezes, ainda perceba um olhar diferente em alguns criadores, como se n\u00e3o acreditassem na capacidade em um primeiro momento. \u201cMas como eu j\u00e1 estou h\u00e1 muito tempo nesse neg\u00f3cio, fica mais f\u00e1cil para mim. Quando eu me formei era bem mais dif\u00edcil. Eu me formei em 1982, ent\u00e3o voc\u00ea imagina como era essa quest\u00e3o de preconceito. Nossa sociedade ainda olha diferente para essas profiss\u00f5es ditas masculinas. Mesmo as empresas, que muitas vezes deixam de contratar uma profissional rec\u00e9m-formada porque ela logo pode estar gestante e isso pode trazer algum problema para elas.\u201d<\/p>\n<p>A maneira encontrada por ela para driblar esses obst\u00e1culos foi investir na forma\u00e7\u00e3o. \u201cAp\u00f3s terminar o mestrado, eu tinha uma qualifica\u00e7\u00e3o acima dos veterin\u00e1rios que estavam no campo e isso fazia com que os produtores perdessem esse preconceito\u201d, revela a professora.<\/p>\n<p>Realizada na carreira que escolheu, Sandra conta da satisfa\u00e7\u00e3o em atuar no agroneg\u00f3cio. \u201cHoje eu estou na universidade, mas fui profissional de campo por 11 anos. Durante este per\u00edodo eu achava extremamente prazeroso acordar cedo, dirigir at\u00e9 a fazenda, ver o sol nascer, as mudan\u00e7as na vegeta\u00e7\u00e3o ao longo do ano. Quando chegava na fazenda, melhor ainda: poder organizar as coisas, os lotes de produ\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de bezerros e ver o efeito desse trabalho muito rapidamente. Assim que a gente come\u00e7a a organizar uma fazenda, voc\u00ea imediatamente v\u00ea uma melhoria, seja na produ\u00e7\u00e3o de leite, na qualidade do leite, no ganho de peso de bezerro, no ganho de peso das vacas, ent\u00e3o \u00e9 muito gratificante\u201d, completa.<\/p>\n<h3><strong>La\u00e7os estreitos com a terra<\/strong><\/h3>\n<p>Propriet\u00e1ria da fazenda S\u00e3o Jo\u00e3o True Type, localizada em Inha\u00fama (MG), Huguette Guarani sempre teve la\u00e7os muito estreitos com o campo, seu pai, de origem francesa, tinha uma propriedade familiar no Marrocos e, tempos depois, ela viu nessa liga\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura da terra uma oportunidade de neg\u00f3cio. \u201cN\u00e3o estudei para isso, foi um despertar.<\/p>\n<p>Minha trajet\u00f3ria se iniciou quando eu me casei. T\u00ednhamos uma fazenda voltada ao lazer em Betim e, l\u00e1 mesmo, n\u00f3s come\u00e7amos. Eu cheguei a empacotar 800 litros de leite, desnatava, fazia creme de leite, uma coisa ainda muito pequena, muito t\u00edmida, mas que me fez sentir um prazer enorme por estar fazendo aquilo\u201d, revela.<\/p>\n<p>A partir desta primeira experi\u00eancia, surgiu a ideia de tornar o neg\u00f3cio mais comercial e desenvolver um projeto para leite. Ap\u00f3s a consultoria de um agr\u00f4nomo, que reprovou a fazenda pela topografia, iniciou-se uma busca por uma nova propriedade. \u201cSa\u00edmos procurando no mercado e encontramos a S\u00e3o Jo\u00e3o, que tinha todas as condi\u00e7\u00f5es que nos permitisse realizar esse desejo de ser uma fazenda produtiva e comercial. A gente n\u00e3o queria uma fazenda familiar, desde o in\u00edcio a ideia era ser profissional dentro do leite.\u201d<\/p>\n<p>Huguette conta que apesar n\u00e3o ter enfrentado nenhum problema para tocar a fazenda pelo fato de ser mulher, passou pelas mesmas dificuldades que enfrenta qualquer pessoa quando come\u00e7a um neg\u00f3cio, como m\u00e3o de obra, dinheiro, dentre outras. Mas elege como o maior desafio ter que tocar o projeto no in\u00edcio com os filhos ainda pequenos. \u201cMuitas vezes tive que lev\u00e1-los a reuni\u00f5es, interromper reuni\u00e3o para amamentar. Mas esse n\u00e3o \u00e9 um desafio inerente \u00e0 atividade rural, ele existiria em qualquer setor. Eu n\u00e3o sei se dei sorte, se \u00e9 quest\u00e3o do meu modelo de gest\u00e3o, mas eu n\u00e3o vivo essa dificuldade t\u00e3o aparente que muitas pessoas enfatizam.\u201d<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, ela conta que o fato de estar envolvida em uma atividade ligada \u00e0 natureza \u00e9 uma grande realiza\u00e7\u00e3o. \u201cO que \u00e9 gratificante para mim \u00e9 fazer o que eu gosto. Gosto de lidar com pessoas, estar envolvida com a natureza, ter meus p\u00e9s fincados em um lugar que me conecta \u00e0 vida buc\u00f3lica, com valores mais simples das pessoas, lidar com animais e sair um pouco do asfalto quente, das tecnologias, podendo observar a riqueza que existe neste universo\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><strong>Texto: <\/strong>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/ideagri.com.br\/posts\/autor\/marcelo-moreira-piquini-comunicacao-estrategica\">Marcelo Moreira, Piquini Comunica\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica<\/a><\/strong><br \/>\nFoto: Pixabay<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres ainda precisam provar sua compet\u00eancia, dia ap\u00f3s dia, para ganhar credibilidade no setor. 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