{"id":4739,"date":"2020-03-11T12:00:22","date_gmt":"2020-03-11T15:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/?p=4739"},"modified":"2020-03-11T12:52:59","modified_gmt":"2020-03-11T15:52:59","slug":"pesquisas-apontam-que-vacas-que-pastejam-na-sombra-produzem-mais-embrioes-e-mais-leite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/universo-agro\/pesquisas-apontam-que-vacas-que-pastejam-na-sombra-produzem-mais-embrioes-e-mais-leite\/","title":{"rendered":"Pesquisas apontam que vacas que pastejam na sombra produzem mais embri\u00f5es e mais leite"},"content":{"rendered":"<h2>Vacas Gir Leiteiro que tiveram acesso a \u00e1reas com sombra de eucalipto produziram quatro vezes mais embri\u00f5es durante o per\u00edodo mais quente do ano e, ao longo do per\u00edodo do estudo (33 meses), 22% a mais de leite<\/h2>\n<p><strong>Texto: <\/strong><strong>Juliana Caldas\u00a0<\/strong><strong>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/50416485\/vacas-que-pastejam-na-sombra-produzem-quatro-vezes-mais-embrioes?link=agencia\">Embrapa Cerrados<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa<\/strong><\/p>\n<p>Essa comprova\u00e7\u00e3o, verificada por\u00a0Pesquisadores da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/cerrados\">Embrapa Cerrados<\/a> (DF), refor\u00e7a a import\u00e2ncia de oferecer aos animais condi\u00e7\u00f5es confort\u00e1veis para o bom desempenho reprodutivo. Os resultados tamb\u00e9m estimulam o uso dos sistemas integrados com floresta, pois mant\u00eam \u00e1rvores nas pastagens.<\/p>\n<p>De janeiro de 2017 a setembro de 2019, especialistas de diferentes \u00e1reas da Embrapa e da Universidade de Bras\u00edlia (<a href=\"http:\/\/www.unb.br\/\">UnB<\/a>) se dedicaram ao projeto \u201cConforto t\u00e9rmico, produtividade de leite e desempenho reprodutivo de vacas de ra\u00e7as zebu\u00ednas em sistema de Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta (ILPF) no Cerrado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que o uso da ILPF com vacas zebu\u00ednas leiteiras pode ser recomendado, pois al\u00e9m de aumentar a produtividade de leite e a quantidade de embri\u00f5es produzidos, tamb\u00e9m melhora a qualidade do produto e do pasto, o valor nutritivo da forragem e os par\u00e2metros fisiol\u00f3gicos e comportamentais das vacas\u201d, afirma a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/363579\/isabel-cristina-ferreira\">Isabel Ferreira<\/a>, l\u00edder do projeto.<\/p>\n<h3><strong>Mais leite de melhor qualidade<\/strong><\/h3>\n<p>Os estudos foram conduzidos no Centro de Tecnologia de Ra\u00e7as Zebu\u00ednas Leiteiras (CTZL), localizado na regi\u00e3o administrativa do Recanto das Emas (DF) e ligado \u00e0 Embrapa Cerrados. Durante os 33 meses de experimento, os especialistas mediram o desempenho produtivo e reprodutivo de vacas Gir Leiteiro a pasto com a presen\u00e7a e aus\u00eancia de sombra.<\/p>\n<p>Eles observaram que em dias quentes os animais t\u00eam estresse por calor, o que compromete a produ\u00e7\u00e3o e a composi\u00e7\u00e3o do leite, a reprodu\u00e7\u00e3o, a temperatura superficial e o comportamento ingestivo (ingest\u00e3o, rumina\u00e7\u00e3o e repouso). A pesquisa identificou que o ambiente sombreado reduziu a temperatura da superf\u00edcie corporal das vacas em diferentes pontos em at\u00e9 3%.<\/p>\n<p><iframe title=\"Vacas \u00e0 sombra: mais leite e embri\u00f5es em sistema ILPF\" width=\"708\" height=\"398\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u9qAtUbv3BM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Vacas \u00e0 sombra: mais leite e embri\u00f5es &#8211; ILPF<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m de aumentarem a produ\u00e7\u00e3o de leite, as vacas Gir Leiteiro que tiveram acesso \u00e0s \u00e1reas com sombra de \u00e1rvores de eucalipto proporcionada pelo sistema Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta tamb\u00e9m melhoraram a qualidade do produto, com 6% a mais de extrato seco desengordurado (extrato seco total, menos o teor de gordura), quando comparado ao que foi produzido pelos animais submetidos a pleno sol. \u201cA presen\u00e7a das \u00e1rvores melhora a rentabilidade do produtor de leite, tanto por causa do aumento da quantidade do produto, quanto\u00a0pela possibilidade de melhor remunera\u00e7\u00e3o dos s\u00f3lidos totais pelos latic\u00ednios e pela venda da madeira para diferentes usos\u201d, enfatiza a especialista.<\/p>\n<h3><strong>Estresse t\u00e9rmico:\u00a0 o mal que o calor em excesso faz aos animais<\/strong><\/h3>\n<p>O estresse t\u00e9rmico ocorre quando o calor produzido pela vaca e aquele absorvido do ambiente s\u00e3o maiores que a capacidade do animal de perder calor. O bovino perde calor pela superf\u00edcie da pele e pelo trato respirat\u00f3rio. Quando fica estressado por causa disso, o animal sofre altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas para diminuir o calor: fica ofegante e aumenta a frequ\u00eancia respirat\u00f3ria, a temperatura corporal, a ingest\u00e3o de \u00e1gua, a saliva\u00e7\u00e3o e a quantidade de suor.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores no sistema de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos recursos que podem ser utilizados pelos produtores para diminuir as causas desse estresse t\u00e9rmico, j\u00e1 que al\u00e9m de bloquear a radia\u00e7\u00e3o solar, as \u00e1rvores reduzem a temperatura e aumentam a umidade do ar.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4740\" src=\"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Vacas-sombreadas-300x84.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"183\" srcset=\"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Vacas-sombreadas-300x84.jpg 300w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Vacas-sombreadas-1024x286.jpg 1024w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Vacas-sombreadas-768x215.jpg 768w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Vacas-sombreadas-1536x429.jpg 1536w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Vacas-sombreadas.jpg 1790w\" sizes=\"(max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Wellington Cavalcanti<br \/>\nCondi\u00e7\u00f5es para ocorr\u00eancia de estresse de calor e suas consequ\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong style=\"font-size: 1.4em;\">Quatro vezes mais embri\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Esse ambiente espec\u00edfico proporcionado pela sombra e a consequente diminui\u00e7\u00e3o da temperatura corporal dos animais impactou tamb\u00e9m na melhoria dos \u00edndices de reprodu\u00e7\u00e3o dessas vacas em rela\u00e7\u00e3o aos animais que estavam expostos ao sol. \u201cOs animais que ficaram \u00e0 sombra tamb\u00e9m produziram 16% mais fol\u00edculos na superf\u00edcie dos seus ov\u00e1rios, e 75% a mais de ov\u00f3citos totais foram recuperados pela aspira\u00e7\u00e3o folicular. O n\u00famero de ov\u00f3citos vi\u00e1veis aumentou em 81%, e o de embri\u00f5es em quatro vezes. Consideramos uma diferen\u00e7a bastante importante\u201d, afirma o pesquisador Carlos Frederico Martins.<\/p>\n<p>Outro fator relevante identificado pelos especialistas foi que, com a sombra, o tempo de rumina\u00e7\u00e3o dos animais aumentou em 32%. Segundo Isabel Ferreira, essa eleva\u00e7\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel, pois quanto mais tempo o animal fica ruminando, mais ele divide as part\u00edculas de forragem e as deixam expostas para a fermenta\u00e7\u00e3o animal. \u201cAl\u00e9m disso, produzir mais saliva tem um efeito tamp\u00e3o no r\u00famen, o que favorece a digest\u00e3o das fibras e disponibiliza mais nutrientes aos animais\u201d, explica.<\/p>\n<h3><strong>\u00c1rvores tamb\u00e9m beneficiam a pastagem<\/strong><\/h3>\n<p>Os pesquisadores identificaram, ainda, que a qualidade da forragem tamb\u00e9m \u00e9 impactada pela presen\u00e7a das \u00e1rvores no pasto. A prote\u00edna bruta do capim no pasto com \u00e1rvores foi 30% superior quando comparada \u00e0 do capim do pasto solteiro, e a digestibilidade\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0do capim sombreado foi 6% superior. Isso se deve principalmente, segundo os especialistas, \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica e da reciclagem de nitrog\u00eanio no solo sob influ\u00eancia do sombreamento e ao prolongamento do per\u00edodo juvenil da planta forrageira, o que permite maior tempo para a manuten\u00e7\u00e3o de n\u00edveis metab\u00f3licos mais elevados e, consequentemente, dos nutrientes dispon\u00edveis aos animais pelo pastejo.<\/p>\n<h3><strong>Integra\u00e7\u00e3o como alternativa sustent\u00e1vel de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>H\u00e1 alguns anos, a ideia de plantar \u00e1rvores em \u00e1reas de pastagem poderia ser considerada fora de prop\u00f3sito. Atualmente, essa integra\u00e7\u00e3o se mostra cada vez mais uma alternativa sustent\u00e1vel de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A ado\u00e7\u00e3o da tecnologia Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta, em seus diferentes arranjos, cresce no Brasil cerca de 10% ao ano. Um dos benef\u00edcios do componente florestal no sistema ILPF, al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o da madeira para diversos fins, \u00e9 oferecer conforto t\u00e9rmico aos animais devido \u00e0 sombra proporcionada pelas \u00e1rvores. De acordo com estudos conduzidos pela Embrapa, essa arboriza\u00e7\u00e3o produz diversos impactos positivos na produtividade dos animais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4741\" src=\"http:\/\/portal.agromulher.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Integra\u00e7\u00e3o-300x268.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Integra\u00e7\u00e3o-300x268.jpg 300w, https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Integra\u00e7\u00e3o.jpg 559w\" sizes=\"(max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Wellington Cavalcanti<br \/>\nPrincipais resultados obtidos com vacas Gir Leiteiro no CTZL em pastagem sombreada<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram da pesquisa \u00c1lvaro Fonseca Neto, Artur Muller, Fernando Macena, Gustavo Braga, Heidi Cumpa, Juliana Caldas, Karina Pulrolnik, Roberto Guimar\u00e3es e Sebasti\u00e3o Pedro, al\u00e9m da professora da UnB Concepta McManus.<\/p>\n<h3>Resum\u00e3o<\/h3>\n<ul>\n<li><em>Animais com acesso \u00e0 sombra produziram 22% a mais de leite e com maior qualidade durante os 33 meses do experimento.<\/em><\/li>\n<li><em>Essas vacas tamb\u00e9m produziram quatro vezes mais embri\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s que pastejaram no sol no per\u00edodo mais quente do ano.<\/em><\/li>\n<li><em>Leite produzido pelo rebanho sombreado apresentou 6% a mais de extrato seco desengordurado, valorizado pelos latic\u00ednios.<\/em><\/li>\n<li><em>Presen\u00e7a das \u00e1rvores chegou a reduzir em at\u00e9 3% a temperatura corporal dos animais.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>Foto: Fabiano Bastos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vacas Gir Leiteiro que tiveram acesso a \u00e1reas com sombra de eucalipto produziram quatro vezes mais embri\u00f5es durante o per\u00edodo mais quente do ano e, ao longo do per\u00edodo do estudo (33 meses), 22% a mais de leite Texto: Juliana Caldas\u00a0\u2013 Embrapa Cerrados Adapta\u00e7\u00e3o: Marluce Corr\u00eaa Essa comprova\u00e7\u00e3o, verificada por\u00a0Pesquisadores da\u00a0Embrapa Cerrados (DF), refor\u00e7a a<\/p>\n","protected":false},"author":3825,"featured_media":4744,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[393,38,723,561,849,848,522,688,567,695,851,850],"class_list":{"0":"post-4739","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-universo-agro","8":"tag-agro","9":"tag-agromulher","10":"tag-do-campo","11":"tag-embrapa","12":"tag-embriao","13":"tag-gir-leiteiro","14":"tag-integracao","15":"tag-leite","16":"tag-mulher-do-campo","17":"tag-producao","18":"tag-sombreamento","19":"tag-vacas"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4739"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3825"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4739\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromulher.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}