Você já se perguntou por que ainda temos poucas mulheres atuando em várias áreas do setor florestal no Brasil? Já imaginou que a área de operação de máquinas de colheita pode ser um mercado promissor e de grandes oportunidades também para mulheres? Quer entender um pouco mais desta realidade, seus desafios e oportunidades? No artigo de hoje trazemos informações sobre esse assunto tão importante para o setor florestal
Segundo o Panorama de Gênero do Setor Florestal 2021, há somente 2,2% de mulheres na área de colheita e carregamento no setor florestal brasileiro, levando em conta o universo das empresas pesquisadas. Uma destas mulheres é Carolina Viana, Engenheira Florestal e atual Supervisora de Colheita Florestal da Suzano. E é a história dela que vai servir de inspiração para você que deseja atuar no setor de colheita florestal, mas ainda duvida que este seja um lugar para você.
A história da Carolina vai lhe mostrar que este pode sim ser o seu lugar, assim como é o dela. E esse é sim um espaço também para mulheres. Afinal, operar máquinas do setor florestal como Feller, Skidder e Harvestter também é tarefa para elas. Continue sua leitura, inspire-se e entenda sobre os desafios e oportunidades para mulheres na área de operação de máquinas de colheita no setor florestal.
Promoção da equidade de gênero nas empresas
Quando falamos nos desafios do setor florestal no Brasil, principalmente no setor de colheita, rapidamente podem ser citados aspectos como mão de obra qualificada, clima, melhoria da qualidade da madeira, segurança, custos de produção, desafios operacionais e de manejo, entre tantos outros pontos. Afinal, os desafios são variáveis de empresa para empresa e de região para região. Mas há alguns desafios que podem ser comuns às diversas regiões e também às mais diferentes empresas. Neste caso, podemos destacar: a) o cumprimento das metas de produção e produtividade com qualidade e segurança; b) a gestão de pessoas dentro das equipes; e c) a presença da mulher na área florestal.
Mas você pode estar se perguntando: por quê? Qual ou quais os motivos para esta presença feminina ainda ser tão baixa neste setor e ainda ser considerada um desafio?
Traremos a seguir alguns dados e retratos desta realidade, destacando também as inúmeras oportunidades deste setor para as mulheres.
Segundo o Panorama de Gênero do Setor Florestal – Edição 2021, 52,6% das empresas respondentes não possuem um plano de trabalho/gestão com foco na promoção da equidade de gênero, objetivando identificar oportunidades e/ou eliminar barreiras. E apesar de este número apresentar uma melhora em relação ao Panorama de Gênero de 2020, ainda há muito a se fazer quando o assunto é esta inclusão e criação de oportunidades dentro das empresas do setor florestal.
Principais barreiras à promoção da equidade de gênero
Os dados que citamos anteriormente em relação às ações que promovem à equidade de gênero dentro das empresas nos mostram que muitas ainda são as barreiras à essa promoção. E o mesmo estudo apresenta alguns fatores que as empresas e os profissionais apontam como barreiras para esta equidade, com destaque para os pontos a seguir:
- Domínio masculino na área
- Escassez de profissionais capacitadas para trabalhar na área
- Falta de sensibilidade dos líderes em relação à maternidade e amamentação
- Discriminação de gênero
- Assédio sexual
Todos estes pontos precisam ser trabalhados pelas empresas, a fim de desenvolver um plano de trabalho que busque solucionar/minimizar estes problemas/barreiras para que a promoção à equidade seja a realidade de cada vez mais empresas do setor florestal.
E, mesmo em meio a tantas barreiras, há também fatores motivadores e oportunidades no setor que atraem o público feminino que deseja desenvolver carreira no setor florestal, como os que destacaremos a seguir.
Principais oportunidades e fatores motivadores no setor
Assim como vimos anteriormente, apesar de ainda haver muitas empresas que não possuem plano de trabalho com foco na promoção da equidade de gênero, precisamos considerar o perceptível progresso nessa questão em relação ao Panorama de 2020, quando apenas 20,8% das empresas respondentes afirmaram usufruir desse recurso. Houve, portanto uma diferença percentual de 26 pontos entre 2020 e 2021 (quando o percentual registrado atingiu 47,4% das empresas respondentes). Portanto, a evolução quanto à adoção destas políticas pode ser uma ótima oportunidade para entrada de novas profissionais mulheres nas funções operacionais da colheita florestal.
Neste cenário, identificamos grandes e promissoras possibilidades e oportunidades. O espaço para crescimento da representatividade e participação feminina dentro do setor florestal é gigantesco. E é exatamente aí que precisa estar nosso foco. Entender quais são essas oportunidades e de que forma você, mulher, pode e deve estar preparada para adentrar neste setor.
Segundo o Panorama 2021, algumas fatores motivadores podem ser destacados quando o foco é a busca da equidade de gênero, sendo elas:
- Prática de equidade de gênero no processo de recrutamento e seleção
- Capacitação de equipes femininas para atuação em campo
- Líderes com postura voltada à promoção da diversidade e inclusão
- Sensibilização dos gestores
- Capacitação em comportamentos não tolerados e vieses de gênero
- Definição de metas de equidade de gênero
- Alinhamento com os ODS e a Agenda 2030 da ONU
Então, como fazer carreira e atuar nesse setor?
Até aqui, entendemos um pouco a realidade geral da presença feminina no setor florestal. Agora, entraremos em um recorte de uma área dentro do setor florestal: a área de colheita e carregamento. E é justamente aqui que conheceremos a história de Carolina Viana da Silva.

A jovem Engenheira Florestal, natural de Pedra do Anta, cidadezinha do interior de Minas Gerais, formou-se em 2020, pela Universidade Federal de Viçosa. E foi ainda na Universidade que começou seu contato e suas experiências práticas dentro do setor corporativo florestal, por meio do estágio. Nesta época, Carolina atuou com foco em Qualidade e Melhoria Contínua na área de Colheita Florestal. “Foi aí que deu início meu interesse e paixão pelas grandes máquinas. Sempre admirei muito o setor devido, principalmente, às grandes operações com uso de Feller, Skidder, Harvester, entre outros”, comenta satisfeita.
Já em 2020, Carolina iniciou seu primeiro desafio profissional já como engenheira formada na Suzano, onde atuou 1 ano e meio como Analista de Colheita, apoiando toda base São Paulo, com as três fábricas do estado. Logo após veio o que ela considera seu maior desafio até hoje: assumir a supervisão de módulo na região de Itatinga, atuando com a frente de baldeio, onde permanece há 1 ano e 7 meses.
Carolina destaca que há muitos desafios e paradigmas para serem quebrados dentro do setor florestal em relação a essa presença feminina. E quando falamos de mulheres na operação de base, operadoras de máquinas e mecânicas, ela acredita que esse número se torna ainda mais distante do que realmente almejamos.
Sendo parte daqueles 2,2% de mulheres que atuam na frente de colheita e carregamento do setor florestal descrito na pesquisa já citada, Carolina se sente muito orgulhosa e feliz. “Dentro de todo esse cenário, tenho um sentimento de muito orgulho e alegria, e que me faz ser ainda mais resiliente e forte nos momentos de dificuldades, tentando me colocar como exemplo para outras mulheres que, por muitas vezes, são desacreditadas por outros (e até por elas próprias), que não possa ser possível. Assim, busco fazer o melhor pra termos representatividade dentro do setor, principalmente como líder direta de equipe de campo.
Mulheres na operação de máquinas
Quando pensamos em operação de máquinas no setor florestal, já imaginamos que seja indispensável grande força física para desempenho desta função, não é mesmo? Mas não é bem assim. A tecnologia chegou também a estas operações e a realidade já é bem diferente. Carolina relata, por exemplo, que apesar da rotina envolver sim alguns casos em que possa ser necessário usar certo esforço físico (como no caso de carregamento de caixas de ferramentas, movimentação de peças de maior peso, etc.), isso não significa que a força física seja um limitante para exercer o trabalho em campo, até porque hoje contamos com uma série de ferramentas úteis no dia a dia que facilita o manuseio das mesmas.
“Vale ressaltar que o que conta realmente ao final do dia, é contar com um colaborador(a) que esteja disposto(a) e proativo(a) a fazer as coisas rodarem, isso independe de gênero. O melhor operador (a) ou mecânico (a) não está correlacionado com a força corporal que tem, mas sim com sua disposição de fazer diferente e atuar frente os problemas no campo”, enfatiza Carolina.
Diante destes argumentos entendemos que há grande espaço e oportunidade quando o assunto é operação de máquinas no setor florestal. Carolina acredita que para que estes espaços sejam conquistados por mulheres, é preciso que as empresas criem estas oportunidades, busquem e incentivem essa igualdade de oportunidades. “Um ponto de atenção é que temos dificuldades de ver mulheres não somente em cargos de gestão, mas também na base, operadores (as) e mecânicos (as). Vejo aí muita oportunidade de mudarmos e aumentarmos nossa participação. Ela precisa ser modificada. Creio que precisamos aumentar nossa confiança e realmente acreditar que podemos chegar lá. E não somente em nós mesmas, mas incentivar e sempre estender a mão para aquelas que estejam conosco. Esta abertura precisa começar em nós”, finaliza Carolina.
E é justamente sobre todos estes desafios e oportunidades que a própria Carolina Viana falará na palestra que ela ministrará no dia 19/07 (segunda-feira) às 19 horas, no canal do Youtube da AgroMulher. Não perca a oportunidade de conhecer a história desta jovem inspiradora no setor de colheita florestal do Brasil. Esperamos por você!
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