A maternidade é um assunto tão especial… Afinal, durante 9 meses, muita coisa muda na vida da mulher. Sua alimentação, seu estilo de vida e seu corpo mudam para que o milagre da vida aconteça em seu ventre. E após a gestação, muitas mulheres assumem o papel de mãe sem deixar suas outras demandas de lado e acabam por acumular uma imensa lista de funções. Pensando nisso, gostaríamos de saber: Qual o segredo para conciliar e viver bem com a rotina de mãe e profissional do agro? Vamos descobrir
Uma das mulheres do agro quem tem um relato de vida incrível a respeito da maternidade e é sucessora de uma propriedade com mais de 100 anos em atividades rurais é a Katia Helena Fenner Rodrigues. Residente em São Joaquim/SC, Katia é produtora rural e trabalha com batata inglesa e pecuária de corte.
Para introduzir o assunto maternidade, Katia primeiramente contou para Agromulher sobre a sucessão familiar e compartilhou o que sentiu quando começou suas atividades no agro. Segundo ela, quando herdou a propriedade da família, o medo e a insegurança eram constantes. Ela relembra que dentro da propriedade ou, como chamamos no agro, “dentro da porteira”, ela já possuía habilidades nas funções. Entretanto, a dificuldade veio no “depois da porteira”, mas com persistência, Katia notou que não seria impossível e, após conseguir superar esse desafio, nada mais a travou.
Ao ser indagada sobre sucessão familiar, Katia responde com humor: “Sim. Venho de uma família que sempre teve o pé na roça”. Ela acredita que entre o fundador e os sucessores deve existir boa comunicação para que juntos possam analisar qual é a realidade da propriedade e planejar a continuidade do negócio após o processo de sucessão.
“Se por acaso, alguma dificuldade vier a surgir, os sucessores não ficarão surpresos pois sabem muito bem a realidade da propriedade e quais os meios utilizar para superar os desafios” – ressalta Katia.
Sobre a maternidade, Katia compartilhou conosco sua experiência e quais foram as oportunidades nessa fase que é considerada tão especial na vida das mulheres. Ela acredita que existe o tempo certo para tudo, e que esse tempo deve ser respeitado. Podemos analisar isso da seguinte forma: Existe um tempo determinado para todas as coisas. Tempo de plantar e tempo de colher.
Katia recorda a fase em que seus filhos eram pequenos, e que por ser muito cuidadosa, acredita que se encaixa perfeitamente no jargão “mãe leoa”, que cuida, protege, ensina, defende, e ama incondicionalmente os filhos. Ensinar valores e princípios na educação sempre foi muito importante para ela, que se fazia presente em conversas edificantes sobre a importância da humildade, do respeito ao próximo, empatia, entre outros assuntos.
“Eu sempre ensinei meus filhos sobre a empatia e o respeito. Pedia para que eles fossem respeitosos com as pessoas, ensinava sobre humildade, a dar valor ao que tinham e que nunca desejassem ter as conquistas das outras pessoas. Sempre cultivei com meus filhos uma relação de amizade e confiança, e gostava de saber sobre a rotina deles no dia a dia. Acredito que eduquei meus filhos para a vida.”
Para Katia, o segredo da maternidade para cada fase de vida dos meninos foi a parceria entre ela e seu marido, a quem carinhosamente apelida de “sócio”, justamente pela forte união no propósito pela criação dos filhos. “Foi uma sociedade que deu certo, o amor é tudo, o amor é o que nos move” – afirma Katia.
Katia diz não se arrepender de ter dado a atenção necessária para a criação e educação dos seus filhos. Ela menciona saber sobre a importância de ter dado a eles essa atenção e garante que foi essencial para o desenvolvimento pessoal e intelectual deles.
Além dos desafios naturais que a maternidade traz consigo, Katia destacou que um dos seus filhos possui necessidades especiais e, por isso, ela fazia muitos questionamentos a si mesma em relação à criação do filho, como por exemplo, se o ambiente rural seria o ideal para dar suporte às necessidades dele. Ela relembra que as maiores dificuldades que passou ao tentar conciliar as rotinas do campo com as rotinas da maternidade aconteceram na época em que seus filhos ainda estudavam, pois ela sempre foi muito participativa na criação dos filhos e adorava acompanhar o desenvolvimento deles e as reuniões escolares.
Essa época foi bastante desafiadora para ela, já que a propriedade onde a família vive está a cerca de 20km de distância de onde seus filhos estudavam. Apesar de eles irem de transporte para a escola, Katia tinha que estar sempre alerta aos horários para conseguir atender a todas as demandas dos filhos, tais como alimentação, levar até o ponto em que o transporte passava, entre outras e, ao mesmo tempo, cuidar das demandas da propriedade familiar.
Atualmente, os dois filhos cresceram e muitas dessas dificuldades ficaram no passado. Um deles se formou na faculdade e já mora em outra cidade. O menino com necessidades especiais mora com a família e, para não falar que ainda não existem desafios como mãe, Katia afirma: “Uma das minhas preocupações e culpa que persistiu até pouco tempo foi a respeito da distância entre minha casa e a nossa lavoura, já que meu menino especial ficava sozinho em casa enquanto eu estava trabalhando no campo”.
A oportunidade de mudar isso e ficar mais tranquila veio quando decidiram colocar a lavoura próximo à casa da família de Katia, encurtando o caminho e facilitando a rotina.
“Fiz as mudanças da lavoura para ficar próxima à nossa casa, pensando no meu filho, que sempre me espera para o almoço. Costumo dizer que faço um malabarismo para chegar sempre no horário.”
Hoje em dia Katia acredita não lidar com tantas dificuldades quanto lidava no início da sua carreira no agro, e nem em relação a ser mãe ou mulher. Entretanto, quando os desafios surgem, ela consegue passar todo seu conhecimento para transformá-los em experiências e oportunidades para si mesma. Katia procura tratar bem as pessoas, sendo empática e educada com todos e, para fechar sua participação neste espaço especial “Segredos da mulher no agro”, ela conclui: “Para mim, o que importa atualmente, é estar perto e negociar com pessoas que respeitem a atuação da mulher e as mudanças atuais do mercado agro” – finaliza Katia.
“A mulher é amor. Não tem como separar a palavra amor da mulher. Quando amamos, colocamos esse sentimento em tudo ao nosso redor. Isso vai desde o trabalho com o campo até os momentos em que estamos em casa com nossa família, preparando o almoço, no momento em que estamos cuidando dos filhos, dobrando uma roupa ou limpando a casa com carinho. O amor é uma questão que move a mulher no campo, e em geral.”