Um insight para o diálogo

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Todos nós já experimentamos a situação de comunicação na qual muitas pessoas falam de uma só vez e o sentido da conversa se perde ou sequer é entendido. Não é mesmo?

De certo modo, isso ocorre em grande escala também na sociedade, onde há uma avalanche de informação e multiplicidade de emissores.

Estar nas mídias sociais, às vezes, não parece um grande “ruído”?

Como isso afeta a comunicação profissional? Basta chamar atenção?

Por séculos, a comunicação “institucional” operou praticamente como um monólogo. Hoje, na era da informação, este modelo não será o mais eficiente para engajar seu público interno ou mesmo externo em meio ao “buzz”.

Isso é só barulho? Não. O que significa isso?

A mudança é resultado de um longo processo histórico, filosófico, cultural, social e tecnológico que, forçosamente, conduz ao diálogo.

No século XV, por exemplo, um cidadão comum apenas se ocupava de ofícios manuais e tinha poucas fontes de informação, além do seu círculo imediato.

As exceções eram emissários de governantes ou da Igreja, onde, o indivíduo, ignorante do mundo e da vida, entrava por grandes portas em um ambiente repleto de riqueza para ouvir um representante direto de Deus.

O cidadão pouco podia, ou sequer vislumbrava, qualquer tipo de troca. No máximo, confessava seus pecados e ficava ainda mais fragilizado perante autoridades portadoras da “verdade absoluta”.

Esta é a “moral concreta”, que personaliza a verdade em uma pessoa ou seus representantes (bispos, padres, até mesmo reis e rainhas), sob o peso do dogma e da punição unilateral.

Mas, naqueles séculos, algumas sementes decisivas foram lançadas para mudar muito as coisas…

René Descartes e seu “Penso, logo existo”, Gutenberg com a prensa, Copérnico com o heliocentrismo, Lutero com o protestantismo e muitos outros, de várias áreas do conhecimento, romperam esta “submissão absoluta”.

Impunha-se um diálogo, mesmo ainda restrito a poucos grupos…

Já no século XX, mesmo com a liberdade de pensamento já disseminada, a tecnologia limitava a comunicação de massas ao monólogo.

O emissor enviava suas mensagens e o receptor assimilava como, muitas vezes, a única e provavelmente verdadeira versão das verdades e fatos.

O modelo da Igreja, dos veículos de comunicação, das relações familiares, sociais, escolares e outras sustentavam um comunicação unilateral, seja por fatores culturais ou limitações de tecnologia.

Mas isso mudou definitivamente. Depois do start científico, filosófico e cultural de séculos anteriores, finalmente, a tecnologia derrubou as barreiras para uma ampla troca de informações.

O brasileiro médio recebia mais de 250 mensagens informativas por dia em 2017, sejam notícias, anúncios, fotos, músicas, etc, sobre os mais variados assuntos.

Em meio a tanta oferta, ele precisará ser atraído para selecionar o que vai “consumir” em termos de informação. E ele não mais apenas recebe.

É cada vez mais comum ficar interessado por aquilo sobre o quê poderá emitir opiniões.

Filhos respondem aos pais, alunos questionam professores nas escolas, internautas comentam notícias nos sites e as compartilham, a favor ou contra, em suas redes sociais.

Mas, se a liberdade para pensar e se expressar evoluiu muito mais do que a formação ou capacidade de reflexão das pessoas nos últimos 30 anos, é possível ignorá-la?

Não é prudente.

Se os gestores de comunicação não sabem ou desprezam as opiniões dos consumidores ou colaboradores, por exemplo, não quer dizer que eles não estejam pensando.

E já sabemos que pensar leva a agir, agir a habituar-se e ter hábito cria cultura. Os clientes são o patrão e o colaborador é a empresa, ao final.

Como ficar fora deste diálogo quando o objetivo é ser um driver para vender produtos, apresentar soluções, encontrar oportunidades ou promover boas práticas, desenvolvimento pessoal e engajamento?

Por que não participar e influenciar?

Como fazer isso em tempos de comunicação digital?

Neste artigo, falo sobre os cinco degraus da presença digital na comunicação. Clique se quiser saber mais.

No marketing digital, é preciso planejamento, plataformas, conteúdo e mindset (mentalidade).

Todas elas já estão ao alcance e podem ser construídas pelas empresas interessadas em dialogar.

Quando digo #mindset, me refiro a ambientes de comunicação cujos valores primem pelo diálogo vertical, uma vez que as tecnologias digitais têm as plataformas para isso.

O desenvolvimento dos diálogos é crucial e deve ter toda a atenção para alcançarem engajamento, fidelização, branding e conversão. À medida que as opiniões e temas forem surgindo, é importante pensar junto.

Sobre conteúdo (#content), destaco o profissional de comunicação que trará qualidade na percepção e produção dos temas que vão iniciar os “papos” (textos, vídeos, artes, eventos), além de habilidade para conduzir as conversações.

A via de duas mãos deste diálogo permitirá transformar as dúvidas ou imperfeições do entendimento do público e, ao mesmo tempo, enriquecer os posicionamentos da Empresa.

Neste ponto, é possível até comparar com o processo socrático da maiêutica…

Por perguntas simples e respostas, construídas em conjunto, o filósofo grego ajudava o interlocutor a construir melhores ideias e compreensão da realidade.

E, também, atualmente, é possível o mesmo sobre a missão, visão e valores da empresa, os produtos, as campanhas, seus diferenciais e benefícios…

Este processo de reflexão e autorreflexão, segundo o filósofo grego, coloca o indivíduo no caminho do pertencimento.

Quando um cliente assimila, compreende e concorda com o que está fazendo, seu engajamento e resultados atingem outro nível.

É preciso conquistar a confiança e a disposição do público em expressar suas opiniões para serem promotores de sua marca ou produto.

Estudos comprovam que as pessoas acreditam, hoje, em colegas tanto quanto especialistas e mais do que em CEO´s, políticos ou autoridades.

Por isso, as empreas devem estar dispostas a despirem-se e serem “um deles”.

Para ganhar a confiança é preciso falar de igual para igual, levar conteúdo verdadeiro/transparente e relevante e dialogar. E nesta troca, evoluir conjuntamente.

Além de engajar, outro benefício é a grande possibilidade de insights valiosos.

Saber o que os clientes realmente pensam é valioso! Somar a força deles ao objetivo da Empresa é sinergia: 2 + 2 = 5!

Se deixar a zona de conforto pode ser difícil, mas pior é afundar com ela. Se o monólogo parece seguro, pode ser seguro apenas de que não está chegando onde podia (ou deveria).

A palavra comunicação guarda um entendimento interessante: comum + ação. Algo a ser realizado por mais de uma pessoa, em conjunto.

A própria origem da palavra aponta justamente para este insight, que pode ser muito útil para comunicação corporativa com plataformas digitais.

Ação conjunta entre emissor e receptor (“comum-ação” ou diálogo) vai chamar a atenção do seu público e te diferenciar, se você não quer ser bem mais que um barulho, anúncio ou spam. Me parece que esta sugestão do latim é mais pertinente e atual do que nunca.

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Sobre o Autor

Daniel Duarte

Daniel é jornalista, gerente da Dados Comunicação e atua desde 2000 em comunicação corporativa para grandes empresas, bem como em redação/edição de conteúdo para publicações nacionais e internacionais. Mestre em Novas Tendências do Jornalismo (Universidad Complutense de Madrid), MBA em Gestão do Agronegócio (FGV) e Especialista em Marketing Digital (FIT), é um entusiasta dos métodos ágeis aplicados a processos de comunicação, promotor da transformação digital e fascinado pelo agronegócio brasileiro. É autor dos livros “Oriente, rapaz – A Mediação dos Capacetes Azuis Brasileiros no Conflito entre Israel e Egito” e “Primeras propuestas sobre el estilo de escritura del blog-periodismo”, bem como palestrante sobre o universo do agronegócio e da comunicação.

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