segunda-feira, dezembro 10

Trump e o Agro – Trump perde força entre produtores?

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A cada viagem que faço, a trabalho ou a lazer, procuro me manter conectada aos assuntos políticos, financeiros, sociais e culturais. Meu lema é : Somar Conhecimento.

Na última semana, estive nos Estados Unidos para uns poucos dias e como meu DNA é Agro e sabendo que a Guerra Comercial  entre Estados Unidos e China, iniciada pelo Presidente Trump há meses atrás, e sabendo também que a base do eleitorado do presidente veio justamente dos produtores do meio oeste americano, não pude deixar de observar e até questionar o nível de aprovação do presidente atualmente.

Embora o presidente norte americano use sua conta do Twitter para divulgar efusivamente o resultado de cada pesquisa de aprovação de seu governo, eu tive uma primeira impressão diferente.

Ao navegar pelos diversos canais jornalísticos (rede aberta e fechada), percebi um consenso: Chuvas de Críticas ao presidente sobre sua postura nos encontros na Europa e na Rússia. A razão? Suas Declarações agressivas com pesadas críticas e comentários rudes (como de costume) aos líderes europeus contrastando com um discurso frouxo no encontro ao presidente Putin.

Aleatoriamente perguntei a um ou outro eleitor local, dependendo da receptividade, qual era a sua percepção sobre seu dirigente. A maioria não havia votado nele. A maioria não gostava dele. A maioria não aprovava seus comentários e decisões. Isso não foi novidade para mim!

E a surpresa estava por vir. Dos que votaram nele, a maioria mostrou incondicional apoio, afirmando que ele estava no caminho correto, tomando medias para fazer a América ser forte novamente. Mas nesse time de eleitores, percebi um discurso de descontentes. Algo até então inusitado para mim, pois nunca tinha me deparado com um eleitor dele arrependido ou descontente.

E nesse time, adivinhe, tinham alguns produtores e industriais. Mas, agora focando no Agro… Com a corrida eleitoral na época, e com o discurso de então candidato Trump para fortalecimento da economia do país, materializou uma valorização da moeda norte americana frente a uma cesta de moedas.

O dólar index que durante esse período era cotado a 94,50/95,50 até setembro de 2016, subiu em ritmo crescente superando os 102 pontos até os primeiros dias de sua posse.

Depois disso, depois da posse, em janeiro de 2017, o dólar reverteu tendência e cedeu para mínimas de sub 89após 1 ano de governo ( janeiro 2018) e hoje é cotado na casa dos 94 pontos.

Essa gangorra do dólar retrata o desempenho de Trump como Presidente e acompanha o índice de aprovação do mesmo. Ou seja, ele já teve momentos de melhor avaliação. Afinal a vida real mostra que uma coisa é falar, e isso ele sabe fazer e outra é colocar em prática o discurso de campanha e isso é lá nos EUA, no Brasil, ou em qualquer lugar. Só que com Trump nunca é nada tão claro, constante e fácil.

Em meio a tantas medidas anunciadas, como construção do muro, combate a imigração, nacionalização das indústrias americanas, uma medida anunciada para distorcer o déficit comercial China Estados Unidos taxando a importação de aço e alumínio, desencadeou uma verdadeira Guerra Comercial entre os EUA e China.

Talvez o raciocínio prático de Trump como empresário tenha ofuscado sua postura de líder de uma nação referência mundial em vários segmentos. Teria o presidente, através de sua equipe de gestores e conselheiros, não visualizado a possibilidade de retaliações dos países envolvidos?

O que decorreu disso foi o fato de vários países anunciarem  em coro a imposição de alíquota nas importações de aço e alumínio, os mesmos adotariam práticas similares aos produtos de origem norte americana. E assim foi Europa, México, Rússia e China.

Num embate mais focado aos chineses, o clima esquentou e o tom de voz aumentou. As comitivas americanas na China e as chinesas nos EUA em nada avançaram nas negociações e o máximo que conseguiram foi prorrogarem a prática de 22 de maio para 06 de Julho e nada mais.

E em meio a isso tudo o “prestígio” do Presidente começou a ser mais que questionado pelo seu eleitorado, o produtor norte americano. O Agro americano desde o início pressiona o governo, seja através de seus conselheiros, senadores. O peso do agro no congresso é muito forte.

E numa tentativa de compensar o efeito da Guerra Fiscal, os EUA anunciaram na terça, 24 de Julho, um pacote de ajuda de US$ 12 bi destinados ao produtores rurais, fortemente prejudicados pelas tarifas retaliatórias da China.

Segundo o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, o programa visa compensar o impacto econômico negativo e “retaliações ilegais” causados pela guerra comercial que se arrasta por meses.

E nas entrelinhas, pela primeira vez, o governo Trump reconhece que a disputa está atingindo os americanos.

Para os produtores, apenas os brasileiros estão sendo favorecidos, pois absorverão no que puder a demanda asiática, quanto eles terão que buscar novos parceiros e firmar novos destinos.

Para analistas econômicos, Trump só seguiu essa linha por acreditar que é questão de tempo concluir as negociações comercias com China, México e Europa.

Somente as próximas semanas nos dirão se as barreiras tributárias cairão e com elas as retaliações dos países “parceiros”, mas é fato que a imagem de Trump ao seu eleitor mais conservador, o produtor, abalou.

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Sobre o Autor

Andrea de Sousa Cordeiro

Andrea Sousa Cordeiro, formada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Com 21 anos de experiência em consultoria no mercado agrícola, com participação em cursos, treinamento e palestras n Brasil e Estados Unidos. Atua com foco destacado na área comercial, sistemas de trocas, derivativos cambiais, sistemas de hedge na BM&F e CME e leilões CONAB. Cursando MBA em Agronegócio pela ESALQ. Criadora do Blog Missão Mulheres do Agro que também dá nome a um Movimento Nacional de Valorização da Mulher do Agro, cujos destaques são circuitos de palestras e viagens técnicas para destinos como Estados Unidos, Argentina e China para público exclusivamente feminino.

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