Teresa Vendramini, a primeira mulher a assumir uma posição administrativa na Sociedade Rural Brasileira

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Por Vanessa Sabioni

Em dezembro de 2016 Teresa Cristina Vendramini, conhecida também como Teka, assumiu a posição de Diretora Executiva da Sociedade Rural Brasileira, sendo a primeira mulher em 98 anos. Nesta função ela será responsável pela estruturação do comitê de pecuária no Brasil, sendo de sua responsabilidade fazer contato com todos os grupos e associações de pecuária do país e realizar um levantamento a fim de descobrir o desafios e dificuldades mais encontrados neste setor.

“O meio rural é extremamente político, assim como o envolvimento da Sociedade Rural Brasileira. Com esse diferencial, conseguiremos realizar as mudanças que desejamos com menos dificuldades.”

Natural de Adamantina, SP, e graduada em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), Teka administra propriedades da família no interior de São Paulo e em Mato Grosso do Sul e também é membro do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA). O NFA é um grupo formado por mulheres atuantes no agronegócio que se interessaram nessa união para compartilhar informações, trocar experiências, aprender novas técnicas e tecnologias e principalmente, saber se estão no caminho certo.

“Como produtora rural há pouco tempo, enfrento muitos desafios, inclusive falta de conhecimento no setor, por isso precisei, num curto espaço de tempo, me familiarizar com a diversidade de competências exigidas. Hoje já consigo caminhar com mais segurança e propriedade no meu negócio. Acredito que muitas são as mulheres que driblam dificuldades para se tornarem líderes com vontade e superação diária, com coragem e competência e, principalmente, paixão pelo negócio”

Lançar este blog com um depoimento de Teka é uma honra, pois ela é conhecida por ser uma inspiração para as mulheres do agronegócio. Como citado por ela no vídeo, é crescente a participação de mulheres neste ramo, sejam elas como herdeiras, gerentes ou técnicas, e essa nova geração está optando por esse universo agro, conquistando um espaço cada vez maior em um meio predominantemente masculino.

“O machismo dos homens deve ser combatido, pois a mulher é novidade. Eu tenho a opinião que nós devemos assumir um andar silencioso até atingir nossas metas e nosso lugar. Quando fazemos um trabalho bem feito, os homens olham e querem ajudar, e isso acaba se tornando um trabalho mútuo.”

As mulheres atuantes neste ramo sofrem, na maioria das vezes, por serem vistas como sem força física para exercer as atividades de campo, sem aptidão para relacionamentos interpessoais devido as alterações hormonais, sendo por muitas vezes vistas como “choronas”, e sem pretensão de desenvolver uma carreira devido ao fato de engravidarem. Contudo, atualmente temos muitos exemplos de mulheres no agronegócio que começaram em cargos inciais no mundo corporativo e hoje representam grandes exemplos de gestão e comprometimento. Os desafios são notórios e difíceis, mas essa mulher que decidiu se inserir neste contexto é porque ama o que faz e assume uma identidade de mulher independente e certa do caminho que escolheu percorrer. Isso pode chocar a sociedade em certos momentos mas outrora encoraja e motiva muitas mulheres a crescerem emocional, intelectual e profissionalmente neste ramo.

“….o grande desafio delas é se manterem unidas. Realizar um trabalho conjunto e ter cuidado para não segregar. Juntas somos mais fortes. O nosso desafio também é ter coragem para viver o agro, coragem para encarar esse setor seja em qual área for.”

Confira na íntegra uma entrevista com Teka através do link https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/entrevistas/45284/entrevista-com-teresa-vendramini-(teka)diretora-executiva-da-srb.htm, cujo trechos são citados neste artigo, e uma participação dela em um programa de televisão, através do link http://www.canalrural.com.br/videos/rural-noticias/mulheres-estao-assumindo-posicoes-agro-78694.

Vanessa Sabioni é Engenheira Agrônoma e é uma das editoras deste portal, saiba mais sobre a autora deste artigo.

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Sobre o Autor

Vanessa Sabioni

Graduada em Egenharia Agrônoma e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa – MG. Atualmente cursa o MBA em Marketing ministrado pela Esalq-USP. CEO e Fundadora da Rede Digital AgroMulher.

3 Comentários

  1. Sou produtora rural também é como tal gerencio uma propriedade de 519 há. Em Carambeí, amo lidar com a terra tenho gado de corte não muitas, mas ocupam áreas que não usamos para agricultura devido a qualidade do solo. Enfrento várias desafios. Hora preços baixos do produto colhido e insumos sempre em alta. Hora chuvas ou Sol em momentos errados. Se fosse pela cabeça dos meus filhos já teria vendido ou arrendado a propriedade. Venho de família de agricultores que como eu amam a terra. Pena que nossos governantes não dão subsídios para que possamos continuar com ânimo e que sejamos para os jovens motivos de referência. Obrigada.

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