Tecnologia da Floresta: sucessão natural das plantas

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Ecossistema é um sistema funcional de relações entre organismos vivos e seu ambiente, delimitado arbitrariamente, mantendo o equilíbrio dinâmico e estável, no espaço e no tempo. A manipulação e alteração humanas dos ecossistemas, com o propósito de estabelecer uma produção agrícola, tornam os Agroecossistemas muito diferentes dos ecossistemas naturais, ao mesmo tempo em que conservam processos, estruturas e características semelhantes. Os agroecossistemas, comparados aos ecossistemas naturais, têm muito menos diversidade funcional e estrutural, além do que, quando a colheita é o enfoque principal, há perturbações em qualquer equilíbrio que se tenha estabelecido, e o sistema só pode ser mantido se a interferência externa com trabalho e insumos for mantida.O desafio de criar agroecossistemas sustentáveis é o alcançar características semelhantes às de ecossistemas naturais, mantendo uma produção a ser colhida. Um agroecossistema que incorpore as qualidades de ecossistemas naturais de estabilidade, equilíbrio e produtividade assegurará melhor a manutenção do equilíbrio dinâmico necessário para estabelecer uma base ecológica de sustentabilidade. Os agroecossistemas mais diversificados tendem a ter menos problemas com pragas, seja pela maior ação dos inimigos naturais e, ou pela menor atratividade do sistema aos herbívoros.

O equilíbrio biológico das propriedades, bem como o equilíbrio ambiental e o equilíbrio econômico de grandes regiões não podem ser mantidos com as monoculturas. A diversificação de culturas é o ponto-chave para a manutenção da fertilidade dos sistemas, para o controle de pragas e doenças e para a estabilidade econômica regional. Atualmente, pode-se dizer que existem dois tipos de agricultura: aquela baseada em princípios agroecológicos (agricultura agroecológica ou sustentável) e a baseada no uso intensivo de insumos orgânicos e naturais (agricultura orgânica de substituição de insumos), praticada mais intensamente por aqueles interessados em explorar o novo nicho de mercado de alimentos orgânicos. A prática da agroecologia é um processo que passa por um estilo de vida, isto é, transformar transformando-se. Como processo, passa por várias dimensões ou etapas importantes. Uma delas refere-se à conversão ou período de transição, que vem a ser aquele período de tempo variável que é preciso para a propriedade passar do modelo convencional ao sistema agroecológico ou orgânico, ou seja, constituir-se num agroecossistema.

A conversão do manejo da produção agrícola convencional à agroecológica apesar de iniciar-se pela eliminação total do uso de insumos químicos sintéticos, não trata da simples substituição desses insumos por outros de origem biológica. Tem como ponto de partida a identificação de uma cadeia de relações entre as diferentes atividades desenvolvidas no agroecossistema visando alcançar a sustentabilidade.Tanto o processo de conversão quanto o manejo de agroecossistemas orgânicos requerem profundos conhecimentos agronômicos e ecológicos, como também das particularidades da propriedade rural e do detalhamento – qualidade e quantidade – dos recursos humanos com que conta a unidade de produção para definir o esquema a ser seguido. Os sistemas agroecológicos são menos dependentes de insumos externos (petróleo, sementes melhoradas, adubos químicos e agrotóxicos), necessitam de menos capital e mais mão de obra. Na conversão, é recomendável que seu planejamento se baseie na incorporação progressiva de novas áreas ao manejo agroecológico, pois, na prática, tem-se constatado uma diminuição crítica dos rendimentos físicos, sobretudo nos dois primeiros anos – fato este atribuído especialmente à falta de conhecimento sobre manejo do agroecossistema e à baixa aplicabilidade técnica.

Na agricultura antiga consolidou-se um modelo de produção conhecido como “agricultura moderna” ou “convencional”, que é a combinação de várias técnicas que em conjunto formam o que se denomina “pacote tecnológico”, como o uso de variedades de alto rendimento, cultivadas necessariamente a partir da aplicação intensiva de adubação química, combinado à aplicação sistemática de agrotóxicos, em processos de trabalho majoritariamente mecanizados (ALTAFIN,1999). Após algumas décadas de implantação, o padrão convencional de agricultura tem se mostrado insustentável, não só pelo aumento da pobreza e o aprofundamento das desigualdades, mas também pelos impactos ambientais negativos causados pelo desmatamento continuado, pela redução dos padrões de diversidade preexistentes, pela intensa degradação dos solos agrícolas e contaminação química dos recursos naturais, entre tantos outros impactos (ALTIERI, 2000, p.8).

A agroecologia é uma ciência sugerida na década de 1970, como forma de estabelecer uma base teórica para esses diferentes movimentos de agricultura não- convencional. É uma ciência que busca o entendimento do funcionamento de agroecossistemas complexos, bem como das diferentes interações presentes nestes, tendo como princípio a conservação e a ampliação da biodiversidade dos sistemas agrícolas como base para produzir autorregulação e, consequentemente, sustentabilidade (Assis 2006). Segundo Altieri (1998), no sistema agroecológico a sustentabilidade na produção provém da diversidade e equilíbrio de plantas, solo, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos. Desenhos de sistemas produtivos, estudos e analises tem um enfoque científico que permite trabalhar e planejar sistemas agrícolas complexos. Um dos objetivos básicos da agroecologia é a produção sem agredir o meio ambiente, resgatando conhecimentos tradicinais imensuráveis e se integram com princípios ecológicos, promovendo o biomimetismo. O sistema de produção agroecológica é um importante instrumento na implementação de estratégias para o cultivo de diversas culturas consorciadas, com baixa dependência de insumos externos, ou seja, a agroecologia atua de forma sustentável. Os sistemas agroecológicos de produção são, portanto, conservadores dos recursos naturais renováveis e econômico no uso de recursos naturais não renováveis como o petróleo, potássio, fósforo, e outros elementos. Esses fatores contribui para que o balanço energético seja positivo, ao contrário do que ocorre na agricultura convencional. Estudos afirmam que os métodos agroecológicos substituindo os métodos convencionais, não provocaria queda de produção além de favorecer o sistema agrário para propriedades de pequeno e médio portes. Pesquisas da FAO em 2006, apontou que na hipótese de toda agricultura ser convertida para sistemas agroecológicos a quantidade diária de calorias disponíveis por pessoa seria de 2.786 a 4.381, o suficiente para suprir a necessidade humanas.

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Sobre o Autor

Marianna Villaça Batista

Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa – UFV, possui MBA Executivo em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Seu portfólio atualmente é na área de sustentabilidade para o meio rural, atuando como agente de assistência técnica e gerencial do Projeto Rural Sustentável, uma parceria de cooperação técnica que tem como o executor e gestor financeiro o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Possui uma experiência agrícola consolidada na área operacional/administrativa, presta consultoria e ministra cursos e palestras para o empresariamento do profissional do campo. É Professora Universitária do Curso de Agronomia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG – UNIPAC TO.

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