Ressaca no Agro pós-Natal?

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Em novo passo na guerra comercial, desde o acordo estabelecido entre China e Estados Unidos durante encontro do G20, a China anunciou dia 24 de dezembro outra rodada de ajustes nas tarifas de importação e exportação a partir de 1º de janeiro de 2019.

Na lista de produtos que terão tarifas revisadas (zeradas ou minimizadas) estão a de importação de farelo de soja, farelo de canola, farelo de algodão, farelo de girassol, farelo de palma, material farmacêutico e motores das aeronaves. Na ponta exportadora, a China isentará de tarifas 94 produtos que vão desde fertilizantes, minério de ferro, carvão até madeira, entre outros.

A decisão de revisar a tributação foi anunciada após divulgação do crescimento econômico do país reduzir para 6,5% ao ano no terceiro trimestre de 2018. Essa é a pior performance desde o início da Guerra Comercial com os Estados Unidos.

Se numa Guerra todos perdem, inclusive países que não estão envolvidos diretamente no impasse, imagine só o quanto perdem esses 2 países que estão em disputa direta.

Por mais que Trump venha a público afirmar que China comprará soja, numa clara tentativa de acalmar seus produtores, tente calcular o quanto perdem os Estados Unidos já que durante todo o mês de novembro não embarcaram uma única carga de soja para China. Essa foi a pior performance de embarque dos Estados Unidos.

Segundo Song Xianmao, vice-diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ministério do Comércio, a previsão é de que balanço das importações totais da China superem os US$ 2 trilhões no fechamento do ano de 2018.

De acordo com o Departamento Alfandegário da China, as empresas chinesas direcionaram as compras para soja de origem brasileira. Foram mais de 5 milhões de toneladas embarcadas via portos do Brasil, volume 80% superior ao registrado no mesmo período em 2017.

E apenas como complemento, durante as 3 primeiras semanas de dezembro, o Brasil embarcou outros 3 milhões de grãos e estima-se que o mês de janeiro encerrará com pelo menos mais 700 mil toneladas embarcadas, podendo chegar a 1 milhão de toneladas.

Neste artigo, falamos sobre a possibilidade de os chineses acelerarem o agronegócio no Brasil. Confira!

Além da baixa performance de vendas, os Estados Unidos vêm sentindo o peso da Guerra Comercial no desempenho das Bolsas de Valores que, na semana que antecedeu o Natal, registrou forte baixa numa das piores performances desde 2008.

Na véspera de Natal, 3 dos principais índices dos Estados Unidos caíram fortemente influenciados por comentários de discordância do Presidente Trump sobre a trajetória de alta nos juros estabelecida pelo FED – Banco Central dos Estados Unidos.

Com a desaceleração das exportações norte-americanas e a piora econômica mundial, Trump defende que o órgão precisa interromper a sequência de alta e deve promover cortes de juros mais agressivos para flexibilizar a economia norte-americana.

Ao invés disso, o FED aumentou os juros pela quarta vez no ano em 0,25% a.a. que passa a vigorar num intervalo entre 2,25 a 2,50% a ano.

Para piorar ainda mais os ânimos do mercado, Trump bem ao seu estilo e pelas redes sociais ameaçou demitir o presidente da Instituição, Jerome Powell.

Mas mesmo com todos esses anúncios que a China vem fazendo, o mercado interpreta que falta “algo mais”. Que seria necessário um anúncio de compras de fato consistente para fazer os preços da soja subir.

Até agora, as compras de soja reportadas pela China ou USDA desapontam todo o setor Agro norte-americano.

Anúncios de vendas nesse momento seriam importantes para sustentar os preços antes da entrada da safra sul-americana que em situação de normalidade climática deve pressionar ainda mais os preços da soja na Bolsa em Chicago.

Aqui um comentário pessoal: Anúncios de compras não significam obrigatoriamente compras. Se as tratativas ali adiante retrocederem, a China pode cancelar as compras a qualquer momento. São compras virtuais até serem embarcadas. E é nessa direção que China pode estar conduzindo sua estratégia. Estar realizando compras em doses homeopáticas, inclusive de milho, trigo e carne de porco.

Talvez o país esteja abastecido e essa postura de não anunciar uma grande compra parece fazer parte de uma estratégia maior, afinal, uma nova rodada de negociações entre representantes dos 2 governos está sendo costurada para janeiro de 2019 e, com isso, a China poderia melhorar as regras para o acordo.

Atualmente, o mercado ainda alimenta a expectativa que China anuncie pelo menos a compra de mais 2 milhões de toneladas do grão, mas com o fechamento de órgãos do governo devido ao impasse orçamentário, é improvável que haja qualquer confirmação oficial de negócio.

E enquanto as vendas não são reportadas e o mercado se preocupa também com outros fatores externos, a soja caiu mais 13 centavos no pregão pós-Natal! Como costumo dizer, um pregão com baixa liquidez é também um pregão perigoso. Pode cair ou subir rapidamente com pouco volume e influenciado por fatores externos ao seus.

Enquanto a ressaca não passa, ficamos na expectativa e na torcida de novos anúncios!

Um abraço,
Andrea Cordeiro

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Sobre o Autor

Andrea de Sousa Cordeiro

Andrea Sousa Cordeiro, formada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Com 21 anos de experiência em consultoria no mercado agrícola, com participação em cursos, treinamento e palestras n Brasil e Estados Unidos. Atua com foco destacado na área comercial, sistemas de trocas, derivativos cambiais, sistemas de hedge na BM&F e CME e leilões CONAB. Cursando MBA em Agronegócio pela ESALQ. Criadora do Blog Missão Mulheres do Agro que também dá nome a um Movimento Nacional de Valorização da Mulher do Agro, cujos destaques são circuitos de palestras e viagens técnicas para destinos como Estados Unidos, Argentina e China para público exclusivamente feminino.

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