segunda-feira, novembro 18

Rally Mulheres do Agro

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Campeã do Prêmio Mulheres do Agro é apaixonada pela terra desde criança.

A produtora rural Carla Sanches Rossato, 42, de Santa Mariana (PR), foi a grande vencedora do 2º Prêmio Mulheres do Agro, realizado em São Paulo.

Ela é filha de José Roberto Rossato e Deusa Sanches Rossato e irmã de Roberta e Juliana. Carla, é casada com Marco Antonio Hoffman. A família, possui as Fazendas Marambaia, Ucrânia, Bom Jesus e São José, sítio São Bento e uma fazenda reserva apenas de mata.

Paixão

Ela disse que sempre amou o agro. “Minha mãe, fala que não fui aquela criança que cresceu na barra da saia da mãe, mas na barra da calça do pai.” José Roberto, comprou sua primeira propriedade no ano em que Carla nasceu, 1977.

Ela sempre estudou, mas na sala de aula a vontade era de voltar para a terra. “Sempre estudei muito e fui uma das primeiras em sala de aula. Eu queria estudar, tirar nota boa para entrar logo em férias e ir para a fazenda.” Ela estudou até a 8ª série em Sertanópolis, o colegial em Londrina e Medicina Veterinária em Marília. “Todo o tempo livre que tinha, mesmo na época de faculdade morando em Marília, vinha embora para vir para a fazenda.”

A paixão pelos animais fica evidente pela escolha de sua profissão. Mas ela também afirmou que tem um grande amor pelas plantas. “É muito bom saber que a partir do que você está fazendo, muitas pessoas irão se beneficiar, se alimentar.”

E a menina Carla, desde cedo estava no meio de lavoura e entre o gado. “Desde pequena já andava a cavalo, no meio de bois e vacas. Aprendi a dirigir trator com 6, 7 anos. Com 15, 16 anos já dirigia F4000 para buscar as coisas para a fazenda.”

No campo

Carla, hoje está à frente da gestão das propriedades, mas isso aconteceu de forma natural. “Comecei junto com meus pais e tive todo o apoio. Meu pai, nunca me disse: ‘isso não é para mulher.’ Pelo contrário, ele sempre me levou junto com ele, sempre fez questão de ensinar.”

No final da faculdade, ela precisou estar mais presente ao lado do pai. Os dois venderam o gado do Paraná e arrendaram uma propriedade no Mato Grosso. Em 2000, venderam o gado de lá para adquirir uma propriedade em Icaraíma (PR). “Ela era de agricultura e eu a transformei em pecuária. Fiz uma propriedade modelo. Fiz divisões, grama e brizantão, adubação de pastagem, análise de solo, correções,” relata. “Estava fazendo pecuária, mas nos moldes da agricultura.”

Grãos

Em 2011, sua mãe teve câncer e no ano seguinte passou por cirurgia e iniciou o tratamento. “Vi que estava mais difícil eu ficar longe de casa. Então, surgiu uma oportunidade de comprar uma propriedade em Santa Mariana e depois mais uma. Concentramos tudo aqui e hoje estamos com quatro propriedades.”

A produtora, disse que a família sempre trabalhou com grãos, desde 1977. Mas, quando ela começou no negócio, o predomínio era da pecuária: cerca de 60%, 70% gado e 30%, 40% grãos. Hoje, a situação se inverteu: 80% grãos e 20% gado.

Tudo é feito com agricultura de precisão. “Quando o milho está secando, já soltamos coleta de terra com uma empresa parceria. Nas áreas que iniciei o plantio primeiro, já é feita a colheita. Nas áreas mais atrasadas, porque no ano passado não conseguimos plantar por causa da chuva, vamos até no meio do milho seco para fazer a coleta para, depois de colhermos, já soltarmos esses mapas para a aplicação de gesso, calcário, cloreto, enfim, o que o solo pedir,” descreve. “Não adianta dar o melhor adubo para a terra, se ela não estiver equilibrada para absorvê-lo. Mesmo a adubação na base, é feita de acordo com a análise do solo.”

Estudo

Carla, contou que lê muito e procura se informar bastante. E depois disso, realiza testes de acordo com a sua realidade. “Todo mundo pergunta o que eu uso, porque as pessoas sabem que pesquiso muito. Mas assim, não utilizo o produto logo de cara. Começo a fazer teste e conforme vou vendo o resultado, vou aumentando a área.”

Além do conhecimento, a estrutura é importante. “Felizmente, estou com uma boa estrutura mas isso não é do dia para a noite, consegui em 20 anos. Temos que ir caminhando conforme podemos e não devemos querer dar o passo maior do que a perna. Temos que ter uma base bem feita, para depois querer melhorar com tecnologia. O fundamental, é o solo e seu equilibro.”

Prêmio

Ela acredita, essa sua forma de gerir a propriedade foi o diferencial para a conquista do Prêmio Mulheres do Agro, na categoria grande propriedade. “Voltei da premiação com muito mais foco. Tenho sede de saber e de fazer e o prêmio me incentivou mais ainda para ir atrás de conhecimento e melhorias. Nunca me acomodei, pois para mim nunca está bom o suficiente,” frisa. “Sempre temos que melhorar e ir atrás de tecnologia que leve à produção,” conclui.

Pais orgulhosos

José Roberto e Deusa, sentem muito orgulho de Carla não apenas pela conquista, mas pela paixão que mostra em seu trabalho.

O pai, lembra que na infância ela era muito dedicada. “Desde pequena sempre me acompanhou na lavoura e também em reuniões e palestras,” relembra. “Mesmo quando estudava fora, nos finais de semana que vinha passar em casa sempre nos acompanhava tanto na colheita quanto no plantio.”

Mas, mesmo vendo toda essa vontade, José Roberto ainda perguntou que era isso mesmo que ela queria. “Assim que ela terminou a faculdade, eu quis montar um comércio para ela. Mas ela disse que não era o que ela queria,” relata. “Então, falei para ela me acompanhar nas minhas atividades. Ela foi dando sequência ao trabalho e aperfeiçoando.”

A mãe, relatou que gostava muito de ver a filha querendo fazer suas tarefas da escola no sítio. “E eu tinha todo o prazer de leva-la. Ela escrevia lindas redações, mas era porque estava fazendo no ambiente que gostava.”

Deusa e José Roberto, se disseram bastante realizados com as conquistas da filha, sobretudo o Prêmio Mulheres do Agro.

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Sobre o Autor

Paôla Mírian

Estudante de Agronomia, estagiária em marketing, conteúdo e SEO no Agromulher.

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