Por que algumas empresas, mesmo em recuperação judicial, quebram?

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Enfrentar momentos de crise em uma organização está longe de ser uma tarefa fácil. Em meio a tantas dúvidas, muitas empresas, através de seus principais executivos acabam por tomar decisões inadequadas e muitas vezes sem planejamento.

Quem já vivenciou projetos de reestruturação empresarial sabe o quanto é complexo e o quanto se perde e também se adquire da cultura organizacional.

Ao longo da minha carreira, atuando como consultor em empresas que enfrentavam crises financeiras, pude identificar, durante a realização de diagnósticos, alguns indícios de gestões ineficientes que eram comuns e que se repetiam em grande parte delas, os quais gostaria de compartilhar com vocês.

Primeiramente, vale observar que, na maioria das vezes, os problemas que levam as empresas a enfrentarem dificuldades não são por elas identificados logo no início, mas sim, quando não conseguem mais honrar em dia com seus compromissos financeiros.

Na maioria dos casos, a continuidade da empresa está comprometida com altas dívidas, tributos vencidos, salários atrasados, falta de capital de giro, dificuldade para aquisição de matéria-prima e muita incerteza, momento em que, algumas ações são necessárias, sendo a primeira delas estancar rapidamente o sangramento financeiro da empresa para assegurar a sobrevivência do negócio no curto prazo, enquanto prepara simultaneamente a empresa para o futuro.

O conhecimento do negócio, a habilidade para administrar conflitos, a combatividade e a disposição para assumir riscos e pressões são fundamentais no desafio da reversão econômica e financeira. E são, exatamente, sobre estas questões que direcionarei o presente artigo.

Tão complicado quanto o desafio da reversão econômica e financeira é o gerenciamento do trabalho sem a interferência dos ruídos e conflitos da organização vindos de uma cultura com perfil muito diferenciado, parte da qual certamente não conseguirá contribuir para a nova fase da organização.

Quem nunca ouviu falar naquele ditado de que não podemos esperar por resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas e do mesmo jeito?

Pois bem, diante de um cenário turbulento como esse, a empresa precisa se readequar ao mercado. Não só analisando e observando o que de positivo e negativo fazem seus concorrentes, como também outras empresas de diversos outros setores da economia. O famoso Benchmarking.

Ainda assim, sem prejuízo da análise acima, há a necessidade de realizar um estudo profundo no sentido de conhecer o seu potencial de troca. Conhecer à fundo o propósito do seu negócio e as necessidades de seus clientes.

Mas, Ricardo, como assim potencial de troca?

Para que possamos entender melhor sobre o potencial de troca, devemos realizar e trabalhar sobre as seguintes indagações: Por que eu faço o que faço? Pra quem? Por quem?

A troca nada mais é do que o conjunto de tudo aquilo que você pode oferecer ao seu público alvo face às necessidades deste. Ou seja, seus produtos, sejam eles tangíveis ou intangíveis, devem servir como solução às necessidades do seu cliente e este, em contrapartida, necessitar e depender dela para que ambos se complementem e, com isso, dar origem ao encantamento.

Uma das principais deficiências encontradas em uma empresa diz respeito à ausência de planejamento ou, então, do desvio de cumprimento do mesmo. E isso não é encontrado apenas no mundo corporativo.

Quem de nós nunca se deparou com os discursos “Tomara que o final de semana chegue logo; ou até mesmo, Mal vejo a hora de chegarem as minhas férias”. É comum ouvirmos estas expressões, elas estão presentes em nossas vidas.

Assim como na vida pessoal, o planejamento no mundo empresarial tem por objetivo alcançar suas recompensas. O tão famoso pote de ouro ao final do arco-íris, como muitos idealizam.

Mas afinal, o que realmente importa é o tão almejado pote de ouro ao final do percurso ou os caminhos percorridos até que se alcance este objetivo? Certamente, o caminho é a recompensa. Aquilo que muitos erroneamente entendem como recompensa, nada mais é do que a simbologia de um bônus conquistado pelas recompensas colhidas em todo trajeto efetuado.

Um planejamento bem definido e, principalmente, alinhado às expectativas de seu público alvo e bem executado, tende a levar a empresa ao sucesso. Mas, para tanto, se faz necessário um conjunto de outros fatores que estão relacionados diretamente com os meios pelos quais a empresa é administrada.

Muitos são os casos de empresas que provam do gosto amargo do insucesso e até mesmo da falência.

Geralmente, são empresas em que o processo de gestão é realizado através da prepotência, da vaidade, da arrogância, do ego e na maior parte das vezes a falta de humildade para admitir que precisa de ajuda. Afinal, reconhece-se o perfil do empresário e, por consequência, a qualidade dos serviços e produtos oferecidos pelas companhias através da postura e atitudes de seus colaboradores.

É comum encontrarmos equipes que, por influência direta de seus superiores, são inseguras, desmotivadas ou despreparadas. E isso pode gerar consequências catastróficas à continuidade de uma empresa. Afinal, o exemplo de sucesso, via de regra, deve vir de cima, como combustível para a motivação, empenho e, com isso, proporcionar ao destinatário dos serviços e/ou produtos a “troca ideal”.

Desta forma, a fim de evitar o fim das atividades de empresas nesta situação, necessário se faz a realização de mudanças radicais, começando pela forma de gerir os negócios, provocando e realizando com eficiência todo um processo de gestão de mudança, controle e transparência, ajuste e acompanhamento de processos, inovação tecnológica, capacitação e motivação, ambos alinhados ao propósito máximo da empresa, desenvolvido através de um plano de ação que esteja em consonância com o planejamento estratégico da empresa.

Não há como soerguer uma empresa sem que haja mudança na forma de gerir seu negócio.

Sou Ricardo Miranda, bacharel em Direito e Ciências Contábeis, consultor empresarial com mais de 15 anos de experiência em projetos de reestruturação e recuperação de empresas.

Espero que o tema abordado neste artigo tenha correspondido com a expectativa de todos e se você gostou, fique à vontade para curtir e compartilhá-lo com seus contatos.

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