segunda-feira, outubro 22

Ponte do saber: Conheça Tone Isey Sguizzardi

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De atividade de subsistência a uma das protagonistas da economia do País. A avicultura brasileira, em algumas décadas, atingiu seu grau de maturidade e é considerada uma das mais modernas e competitivas do planeta. Essa transformação só se deu graças a constante evolução tecnológica do setor, iniciando-se pelos progressos com a genética, nutrição, sanidade, manejo, ambiência, abate, logística, enfim, um elo integrado em todo o seu processo produtivo.

A avicultura de hoje faz parte de um mix de conhecimento de diversas partes do mundo e adaptados às nossas condições. Há 20, 30 anos informação era algo de difícil acesso, ainda mais por conta da ausência de proficiência do inglês. Neste sentido, as intérpretes se tornavam peças fundamentais na difusão do conhecimento advindo da Europa e Estados Unidos. Assim, é impossível não se lembrar desta história sem associá-la a um nome em especial: Tone Isey Sguizzardi.

Nascida na Noruega, Sguizzardi iniciou seus estudos no Ensino Fundamental, o antigo ginásio, com o domínio de três idiomas e aprendendo mais um, o inglês. “Quando tinha dois anos minha família se mudou para a Suécia e permanecemos no país por quase um ano. Após este período, voltamos para a Noruega e já falava dois idiomas: norueguês e sueco. Quando tinha quatro anos viemos para o Brasil, e o português foi minha terceira língua”, relembra e continua: “O inglês foi muito simples, até então não tinha percebido como era fácil, pensar em inglês era muito natural. Dizem que quando você cresce com duas línguas, a sua maneira de pensar é mais fácil”.

E foi trabalhando no Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP, São Paulo/SP), onde descobriu o gosto pela tradução. Com a chegada de uma doação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, Washington, D.C., Estados Unidos), contendo uma série de livros para a faculdade, foi pedido a Sguizzardi a tradução de alguns capítulos para serem utilizados pelos professores em sala de aula. “Foi neste momento que descobri que sabia fazer aquilo, como também gostava de fazer”, relata Tone.

Entre 1968 e 1969, com o surgimento da doença de Marek e a inexistência de vacina, Sguizzardi foi convidada a traduzir o primeiro evento sobre o tema. “Era uma tradução consecutiva, onde descobri que, mesmo sendo tímida, ficar de pé na frente de uma plateia e dizer coisas que não eram minhas não era problema”, acrescenta.

Assim, de nada adiantaria toda pesquisa e tecnologia desenvolvida no exterior para o Brasil se o conhecimento não pudesse ser compreendido, pois seria impossível aplicar tais conceitos na realidade brasileira. Desta forma, não somente um simples processo entre línguas, o trabalho de Sguizzardi serviu como uma ponte para transmissão e difusão deste saber, vital para o desenvolvimento da atividade no País.

Em 1984 fundou a TIS Tradução e Interpretação (São Paulo/SP), com isso, várias oportunidades surgiram para a tradutora, como trabalhos para a Purina e Cargill. Pioneira no trabalho de tradução escrita e interpretação, quando questionada sobre aposentadoria, pois são 45 anos de profissão, imediatamente conclui: “Vai chegar uma hora em que não terei mais agilidade necessária para fazer a interpretação, mas a escrita continuarei fazendo, porque gosto muito”.

Texto originalmente publicado na edição de março de 2014 (ed. 83) da Revista feed&food, Editora Mulheres de Destaque

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Sobre o Autor

Vanessa Sabioni

Graduada em Egenharia Agrônoma e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa – MG. Atualmente cursa o MBA em Marketing ministrado pela Esalq-USP. CEO e Fundadora da Rede Digital AgroMulher.

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