Pela primeira vez em 100 anos, Sociedade Rural Brasileira tem presidente mulher

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A pecuarista e socióloga Teresa Vendramini assume a presidência da SRB com mandato vigente até o início de 2022

Fonte: Assessoria de Imprensa, AgroTalento e Beef Point

Adaptação: Marluce Corrêa Ribeiro

Teresa Vendramini, 60 anos, é a nova presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Essa é a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo na entidade em sua história centenária. Teresa ficará à frente da entidade em mandato de três anos, até o início de 2022. Aproximar ainda mais os produtores rurais dos demais elos da cadeia produtiva e fortalecer a imagem de uma das mais tradicionais e representativas instituições agropecuárias são os principais desafios em seu mandato.

Graduada em Sociologia e Política pela FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Teresa Vendramini é produtora rural, com fazendas de gado no interior paulista e sul-mato-grossense. Na gestão de seu antecessor, Marcelo Vieira, ela foi diretora da entidade e responsável pela criação do departamento de pecuária.

Mãe de Fernanda e avó de Joquinha (4), e Antonio (3), Teka, como é carinhosamente conhecida no meio, também é aclamada por movimentos femininos do agronegócio, por chamar a atenção da sociedade civil e do governo ao protagonismo da mulher no campo. “As mulheres estão criando correntes sólidas em torno dos sindicatos rurais, cooperativas ou mesmo em grupos independentes. Uma característica reveladora em todas elas é a busca constante por conhecimento”, comenta Teresa.

O comentário é endossado por levantamentos de instituições renomadas como a Esalq/USP, onde o sexo feminino representa mais de 50% dos alunos dos cursos de Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia. Em pesquisa realizada em 2017, 88% das mulheres entrevistadas no campo se declararam independentes financeiramente e 45% confirmaram participar da renda familiar.

“Foi desafiador representar uma legião de mulheres prontas para reivindicar sua liderança no agronegócio, mostrando o que pensam, o que temem e de que maneira trabalham”, diz Teresa, destacando a grande proporção e velocidade com que este movimento está acontecendo.

Nos últimos anos, a pecuarista, à frente da diretoria da SRB, ministrou dezenas de palestras incentivando mulheres a assumir o negócio, além de enfrentar os desafios de mercado e das dificuldades em um universo ainda predominantemente masculino.

Este trabalho chamou a atenção da executiva Cristina Xavier, autora do Livro “Mulher Alfa”, em que Teresa é uma das personagens escolhidas para relatar sua trajetória no agronegócio. “Grande parte das decisões do agro passarão pelas mãos das mulheres nos próximos anos”, enfatiza Teresa.

Administração com pulso firme

Representar uma entidade como a Sociedade Rural Brasileira exigirá pulso firme de Teresa nas tomadas de decisões, principalmente nas articulações junto ao governo e demais esferas, sejam elas de âmbito técnico ou político. Isso porque a SRB age diretamente no Executivo, Legislativo e Judiciário, questionando decisões arbitrárias e colaborando no aperfeiçoamento de normas e regulamentações impactantes na vida do produtor e na competitividade do agronegócio.

Todas as estratégias e iniciativas tendem a ser definidas em conjunto com outras entidades, como o Instituto Pensar Agro (IPA), braço técnico e associativo da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da qual a SRB é cofundadora. No Estado de São Paulo, é criadora do Fórum Paulista do Agronegócio (IPA Paulista), organização que atua em defesa do agronegócio paulista na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) e Governo Estadual.

Teresa garante estar preparada para tantas responsabilidades. Nos últimos anos, ela participou ativamente de inúmeras discussões relacionadas à cadeia produtiva da bovinocultura no Ministério da Agricultura, em assembleias legislativas e até mesmo no exterior. Colaborou na mobilização dos produtores na Assembleia Legislativa de São Paulo contra a aprovação do Projeto de Lei 31/18, que proíbe o embarque fluvial e marítimo de animais para abate dentro do estado.

Ainda apresentou os principais questionamentos dos produtores em relação ao Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) ao Ministério da Agricultura. Em paralelo, reforçou junto à Federação das Associações Rurais do Mercosul o compromisso brasileiro no combate à doença em países do bloco.

Presença no campo

Nascida em Adamantina (SP), Teka, como é conhecida, é filha e neta de produtores rurais com 80 anos de tradição na criação de gado, mas o desejo em assumir os negócios da família veio somente aos 40 anos, mesmo com pouca experiência e conhecimento na área.

Modernizou a propriedade investindo em tecnologia, infraestrutura, pastos de boa qualidade, manejo nutricional, sanitário, bem-estar animal e uso racional da água. “Um agrônomo e um veterinário assistem ao nosso trabalho, algo que considero ser decisivo à maior competitividade”, diz a presidente eleita da SRB.

Uma referência feminina muito forte da adolescência da nova presidente da Sociedade Rural Brasileira é a Dona Chiquinha, a avó, que acompanhava o avô nas viagens à fazenda, mesmo com todas as dificuldades da época. “Ela sempre o apoiou e, de alguma maneira, influenciou em suas decisões”, conclui Teka.

Carreira sólida

Teresa Vendramini notabilizou-se como uma das principais referências femininas do agronegócio no Brasil. Nos três anos como diretora de Pecuária da SRB, promoveu debates, palestras e workshops para capacitação de pecuaristas em todas as regiões do País. Nesses encontros, tratou sobre o papel do produtor para o avanço do setor e o desenvolvimento de novas tecnologias, gestão dos negócios dentro de campo, negócios e sustentabilidade. “Fui até agricultores, dos mais simples aos mais tecnificados, conhecer na prática suas reinvindicações e os principais desafios”, diz Teresa. “Essa aproximação é hoje meu diferencial para ajudar no desenvolvimento do agro brasileiro”, declara a nova presidente da SRB.

Em 2018, foi homenageada na celebração de 45 anos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) pelos serviços prestados em prol da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico do agronegócio nacional. Na ocasião, foi apresentada como “representante do agro que o Brasil precisa: arrojado, ousado, bem informado e realizador”.

Sua gestão à frente do departamento foi marcada por episódios em defesa dos interesses dos pecuaristas. Mobilizou produtores rurais na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a suspensão do embarque de animais vivos, liderou os debates sobre o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, e participou de discussões na OIE (Organização Mundial da Saúde Animal) e na FARM (Federação das Associações Rurais do Mercosul).

Teresa Vendramini, comandará a entidade em parceria com os vice-presidentes Pedro de Camargo Neto, Francisco de Godoy Bueno e Sérgio Bortolozzo. O Conselho também elegeu para a diretoria executiva: Bento Mineiro, Simone Tanuss, Azael Neto, Renato Diniz Junqueira, Marcelo Schunn Junqueira e Marcus Falleiros.

Sobre a SRB

Fundada em 1919, a Sociedade Rural Brasileira trabalha há quase um século com políticas públicas e iniciativas voltadas para o desenvolvimento da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro. Formada em sua origem por produtores rurais dotados da convicção de modernizar constantemente o setor, seja pelo melhoramento tecnológico, pelo ambiente regulatório e pelo aumento da produtividade, a SRB insere-se em pleno século XXI como uma plataforma de intermediação entre os diversos elos dessa cadeia produtiva. Solucionar conflitos, gerar consensos e encontrar soluções são os conceitos-chaves para que o agro brasileiro continue sendo cada vez mais eficiente, competitivo e sustentável.

Foto: Agrorevenda

Fonte: Assessoria de Imprensa, AgroTalento e Beef Point

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Sobre o Autor

Marluce Corrêa Ribeiro

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

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