segunda-feira, dezembro 10

Patrimônio cultural é o que nos une

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A visão de patrimônio de um povo é um termômetro para a preservação e manutenção da identidade cultural para a consolidação como direito social em uma nação. Um país com essa visão é composto por vários grupos distintos convivendo e se identificando com o mesmo sentimento de pertencimento à uma dada cultura. A memória cultural de um povo define os costumes atuais da sociedade contemporânea na qual o coletivo vive.

Uma sociedade se define através dos séculos e das gerações ou através de uma contracultura imposta em épocas críticas de definição cultural. Existe atualmente um grande desafio ao se pensar na importância da preservação do patrimônio cultural, uma vez que há uma falsa dicotomia entre a ideia de preservação do patrimônio e a impossibilidade de desenvolvimento e crescimento do país, assim como foi em um dado momento histórico brasileiro. A visão contemporânea de patrimônio vai além da construção intelectual apenas, levando a reflexão de uma construção mais ampla no âmbito social.

Ao preservar o patrimônio moderno, uma dada população local confere ao mesmo um sentimento de pertencimento e de unificação a despeito de qualquer divergência que possa existir localmente conferindo uma maior representatividade e defesa dos direitos coletivos. Quando se fala em patrimônio, discute-se aquilo que é comum para todos os indivíduos de uma sociedade. O patrimônio coloca a ideia de união a partir da diversidade. A união entre o social e o natural deve ser visto como uma estratégia para garantir a preservação dessa identidade local pois a mesma confere não só a ideia de visão de patrimônio cultural imaterial como também a preservação da manutenção de algumas características peculiares e de consolidação dos direitos sociais de um povo.

A compreensão do patrimônio cultural como vetor de desenvolvimento social local, em interlocução direta com a comunidade, setor público, pesquisadores e detentores das práticas culturais precisa passar por uma educação cultural que permita aos indivíduos ultrapassarem os limites de uma sociedade acostumada a consumir coisas rápidas e descartáveis para que haja a concreta definição e sentimento de pertencimento das memórias coletivas de um povo.

Infelizmente a cultura de um povo é influenciada negativamente quando não é buscado dar o devido valor ao patrimônio cultural nacional, uma vez que quando os interesses coletivos divergem dos interesses pessoais de uma minoria dominante há uma desvalorização da identidade cultural e até mesmo uma distorção do que é popular por parte dessas minorias. A maioria dominada acaba por desprezar a sua identidade cultural e não valorizar o que é um “bem” comum. O não investimento por parte do poder público a um maior acesso a itens culturais afastam a população das suas raízes originárias.

Deve-se pensar na busca incessante da divulgação da cultura popular originária de um local específico e buscar a devida valorização da identidade cultural para que o sentimento de pertencimento bem como o de identificação possa ocorrer de fato em nosso país.

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Sobre o Autor

Marianna Villaça Batista

Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa – UFV, possui MBA Executivo em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Seu portfólio atualmente é na área de sustentabilidade para o meio rural, atuando como agente de assistência técnica e gerencial do Projeto Rural Sustentável, uma parceria de cooperação técnica que tem como o executor e gestor financeiro o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Possui uma experiência agrícola consolidada na área operacional/administrativa, presta consultoria e ministra cursos e palestras para o empresariamento do profissional do campo. É Professora Universitária do Curso de Agronomia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG – UNIPAC TO.

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