terça-feira, dezembro 11

Patrícia Montanari, um dos pilares do sucesso do Grupo Montanari

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“A administração de uma fazenda mudou completamente em relação ao passado. Hoje tem status de empresa, é um grande empreendimento rural”, diz Patrícia Montanari Carneiro em entrevista ao blog Mulheres Agricultoras de Sucesso.

Nossa personagem de sucesso, a empresária e contabilista Patrícia Montanari Carneiro, nasceu em Apucarana (PR) e veio com a mãe, o pai e os irmãos na década de 1980 para Patrocínio. Os negócios prosperaram, eles se apaixonaram pela cidade e continuam no município gerando emprego e renda. Juntos, eles compõem o chamado “Senso Familiar”, uma espécie de Conselho de Administração, onde o pai é o presidente e cada filho exerce uma função específica.

Patrícia conta como foi a evolução do grupo, o que os levou a ser referência na cafeicultura: “a mudança nos processos de cuidado e cultivo da cultura, o que levou a fazermos um grande investimento em maquinários, mão de obra qualificada e benfeitorias na estrutura física da fazenda”.

CONFIRA A ENTREVISTA DO BLOG MULHERES AGRICULTORAS DE SUCESSO COM PATRÍCIA MONTANARI

Como começou sua história no agronegócio?

Me formei em Ciências Contábeis em 1995 em Apucarana (PR) e no ano seguinte nos mudamos para Patrocínio e já comecei a trabalhar com meu pai e meus tios que eram sócios na época. Fiz estágio de um ano primeiro no departamento de pessoal e depois assumi sozinha o trabalho. Isso foi por vários anos até eu deixar meus tios e trabalhar somente com meu pai que já não estava mais em sociedade com meus tios.

Como era o trabalho, o dia a dia?

Na época não havia as facilidades da tecnologia de atualmente e o trabalho com a parte de recursos humanos era muito maior. Tínhamos 100 trabalhadores rurais na colheita então tínhamos que fazer a folha de pagamento toda na calculadora e na máquina de escrever. Agora é tudo informatizado. Ainda assim, atualmente não cuido do departamento de pessoal, mas fico por conta da parte financeira do negócio.

O que mais mudou no meio rural daquele tempo para hoje?

O que mais mudou foi a mecanização que influenciou todo o negócio. Como eu disse, fora os funcionários do dia a dia da fazenda, chegamos a ter 100 trabalhadores contratados para a colheita. Hoje, com a colheita praticamente toda mecanizada, temos cinco trabalhadores para ajudar na colheita do café. É uma mudança muito significativa.

Como era cuidar de uma fazenda e como é atualmente?

A administração de uma fazenda mudou completamente em relação ao passado. Hoje tem status de empresa, é um grande empreendimento rural. Por exemplo, usa-se o famoso ‘5S’ na gestão. O olhar é completamente outro, exige-se um planejamento estratégico muito grande para a tomada de decisão. No nosso caso, fazemos esse planejamento anualmente até para que os investimentos sejam feitos adequadamente.

Você teve dificuldade para trabalhar no meio rural pelo fato de ser mulher?

Muita. O meio rural é muito masculino, às vezes machista mesmo. A palavra da mulher dificilmente era ouvida. Você tem que batalhar para que sua opinião seja levada em consideração. E tem o agravante de ter que conciliar o papel de esposa, mãe e, no meu caso, gestora, uma vez que temos a Rádio Rainha da Paz.

O que a leva a continuar trilhando esse caminho no agronegócio?

O amor pela atividade, a história da minha família. Produzir algo é sempre muito bom, e o café é ainda melhor, a terceira bebida mais consumida no mundo, saber que as pessoas vão consumir algo que você produziu é uma sensação gostosa, prazerosa. E posso dizer que tenho orgulho do tipo de café que a nossa fazenda produz.

Apesar dessas dificuldades, você acredita que vale a pena? E que mensagem deixaria para outras mulheres empreendedoras rurais?

Vale muito a pena, mas tem que ter persistência. Se gosta, tem que ir em frente e conquistar seus objetivos. Apesar da dupla (e até tripla) jornada de trabalho, mostramos do que somos capazes. A doçura da mulher é importantíssima por lidarmos com pessoas. Essa parte emocional conta muito. O homem é muito racional, a gente tem mais jeito para resolver muitas situações que precisam desse olhar diferenciado. É um trabalho árduo, precisa de dedicação, comprometimento, porque dependemos do tempo, na agricultura tem hora para tudo. Mas, se você mulher gosta de lidar com a terra, com a produção, se tem amor pelo que faz, então, faça da agricultura o seu sustento. Dificuldades existem como em qualquer outra atividade e profissão, o que faz a gente ter sucesso é a motivação, o amor pelo que faz.

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE AS ATIVIDADES DO GRUPO

Administrado pela quarta geração da família, o Grupo Montanari conta hoje com três fazendas, todas localizadas em Patrocínio, na região do Cerrado Mineiro. São elas: Rainha da Paz, Montanari III e São Paulo — a mais nova, fundada em 2008.

Em pouco tempo, a empresa se converteu em sinônimo de excelência. Os motivos? A unidade é altamente mecanizada, tem produtividade que supera em 100% a média do segmento no País e conta com uma administração eficiente, dotada do que há de mais moderno em ferramentas e processos de gestão.

Segundo Patrícia, juntas, as três propriedades do grupo produzem anualmente 10 mil sacas de café. Sozinha, a São Paulo responde por cerca de 3,5 mil. Do total produzido, aproximadamente 90% é exportado. Mais da metade disso tem como destino o exigente mercado europeu. Já o restante é distribuído especialmente entre Estados Unidos, Ásia e Oceania.

Ainda que a tradição da família tenha atravessado o século 20 atuando exclusivamente com café, os negócios do Grupo Montanari transcendem o cultivo do grão. Um exemplo disso é a Rádio Rainha da Paz: uma emissora voltada para a evangelização católica e solidariedade. A rádio também é administrada por Patrícia Montanari ao lado do esposo Rogério Carneiro e do pai João Montanari.

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Sobre o Autor

Vanessa Sabioni

Graduada em Egenharia Agrônoma e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa – MG. Atualmente cursa o MBA em Marketing ministrado pela Esalq-USP. CEO e Fundadora da Rede Digital AgroMulher.

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