segunda-feira, julho 23

O ser realizado

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“Se é uma virtude amar o próximo como ser humano, deve ser uma virtude – e não um vício – amar a mim mesmo, já que também sou um ser humano.” (Erich Fromm).

Analisando a trajetória dos seres humanos, uma das constatações possíveis é seu ímpeto inconsciente e constante pela própria evolução e felicidade. E evoluir pressupõe a realização de seus desejos, o uso de sua criatividade e a expansão de sua pulsão de vida.

Todo ser humano necessita tomar consciência do que deseja, ter liberdade emocional para usar seu potencial criativo e permitir seu fluxo natural de crescimento para encontrar um sentido positivo para sua vida. O trajeto natural é transcorrido pela manutenção do individuo criativo, produtivo, auto realizado e sustentado pelo amor. Amar a si próprio é um trabalho voltado para dentro, é um constante permitir-se evoluir e realizar-se. Amor transcorre pelo conhecimento profundo do que se ama, pela preservação de como o amado se constitui, pelo respeito à essência e história de quem se ama, pelo zelo ao que faz o amado pulsar e se tornar vida ao amante. No amor a si próprio ocorre da mesma forma, sendo o autoconhecimento, o respeito, a permissão de cuidar e realizar de forma consciente tudo o que intimamente é energia criativa e evolutiva, é que produz vida a esse amante chamado “eu”.

O amor a si não se sobrepõe ou prejudica o amor ao próximo. Pelo contrário, é a partir do amor ao que somos que se consegue, pela experiência de amor vivida consigo mesmo, amar o outro. É a partir da experiência e vivência do respeito a si mesmo que se tem a base emocional para respeitar o outro, tal qual ele é. Tudo parte de dentro, do eu; o que é vivenciado internamente é exteriorizado nas relações com o outro.

O ser humano, para realizar-se como tal, necessita primeiramente seguir as regras do amor. Tudo parte de si, do eu, e principalmente da compreensão do que e quem se é. Todavia, se o indivíduo modifica seu curso evolutivo, reprimi seu potencial, não realiza seus desejos e não usa sua criatividade, não se ama, a pulsão de vida transforma-se em pulsão de morte. Seu objetivo maior e natural acaba por desviar a construção do ser pleno, voltando-se para a destruição do ser em expansão. No momento em que a pessoa deixa de investir no amor próprio, de canalizar sua energia para tornar-se alguém produtivo, inicia o seu próprio adoecimento emocional.

O sentido do ser humano é expandir e evoluir, é realizar e produzir. Quando essa lógica existencial é por algum motivo deslocada ou forçosamente modificada, o emocional adoece e toda sua grandiosidade como ser individual construtivo é desperdiçado. Todavia, a realização acontece quando o ser humano se reconhece como tal, traz à consciência toda sua grandiosidade reprimida, se redescobre como um ser positivamente individual, se desenha e desenvolve como um ser extraordinário dentro de suas tantas facetas.

A realização é uma questão de olhar para dentro de si, reconhecer os desejos, perceber tudo que existe de maravilhoso e deixar essa potência aflorar em pulsão de vida transformadora, em uma vida baseada no amor a si próprio e ao respeito a toda forma de existência.

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Sobre o Autor

Luisa Comin

Psicanalista em formação, pós graduada em Gestão de Negócios, com formação em Success Factor Modeling – Modelagem dos Fatores de Sucesso e Programação Neurolinguística – Nível Practitioner.

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