terça-feira, Maio 22

“O desafio é grande, mas devemos batalhar para provar o nosso valor”

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“Se pegar o touro pelo chifre, conseguimos vencer”. A frase inspiradora vem de Heloise Duarte, diretora executiva do Ideagri (Belo Horizonte/MG). Para a executiva, ser mulher e gestora de empresa no agronegócio é um desafio muito grande. “Trabalhei muito para isso. Me dediquei ao máximo e abri mão de muita coisa para chegar na posição onde me encontro hoje”.

Na infância, Heloise costumava passar férias em fazendas de parentes pelo interior de Minas Gerais. Com isso, desenvolveu, na época, uma visão romântica do campo, influenciando ali o desejo de se tornar médica veterinária no futuro. Para cumprir o sonho, estudou, batalhou e se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, com aperfeiçoamento em Nutrição Animal. Os estudos não pararam: Especialização em Gestão Agroindustrial e um MBA em Gestão Estratégica do Agronegócio também completam o currículo da profissional.

“Eu fui me diferenciando”, conta Heloise. “Sempre tive muita facilidade com tecnologia e segui por esse caminho. Um professor, dono de uma empresa de software para o agro, notou essa minha aptidão com informática e, assim que finalizei o mestrado, fui convidada para trabalhar com ele”, relembra.

Após o primeiro contato com o mercado de trabalho, Heloise reencontrou um colega de turma, Clóvis Correia. Do encontro surgiu um novo desafio para a profissional: ser gerente do Rehagro, empresa de ensino e consultoria fundada pelo colega. Após três anos de trabalho e muito aprendizado, em conjunto com o conselho da companhia foi decidida a criação de um software de gestão para a empresa. “E eu fui incumbida de resolver a questão. Chegamos no modelo utilizado hoje, que foi muito inovador na época, que é o software como serviço, ou seja, relacionamento contínuo com o cliente”.

E assim surgiu o Ideagri, um empreendimento no ramo de tecnologia da informação, com foco na prestação de serviços, por meio de sistemas informatizados para a gestão do negócio rural, liderado hoje por Heloise, atualmente diretora executiva da empresa.

“É um sistema completo, mas não complexo”, sintetiza e completa: “Funciona para fazendas com 30 vacas até para 10 mil”. No total, a plataforma organiza mais de 120 diferentes indicadores, oferecendo uma visão geral da propriedade para os gestores. Contudo, é preciso treino para saber elencar quais são os primordiais, para que não seja desperdiçado tempo com índices de pouca importância para determinado negócio. “Pensando nas métricas, existem algumas fundamentais, como taxa de prenhez para a bovinocultura de leite ou arrobas por hectare para corte, além de taxa de gestação ao final da estação em uma atividade de cria; porém, é variável o grau de importância, dependendo do segmento de atuação”.

Assim, Heloise assume com cada cliente o compromisso do bom uso da ferramenta: “Não queremos reter clientes por questões contratuais, e sim pois estão se utilizando do software e obtendo retorno”, exemplifica. Tanto que os contratos do Ideagri não apontam tempo de permanência mínima, revela.

O sucesso hoje da ferramenta e da gestão de Heloise, que chegava a trabalhar 18 horas por dia no passado, são exemplos de como o desafio é grande, mas o êxito é possível. “A situação vem melhorando para nós mulheres, e quero deixar como recado para as próximas gerações que estão entrando no mercado que, assim como eu, que provei minha capacidade, todas conseguimos e devemos provar que damos conta do recado”.

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Sobre o Autor

Vanessa Sabioni

Graduada em Egenharia Agrônoma e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa – MG. Atualmente cursa o MBA em Marketing ministrado pela Esalq-USP. CEO e Fundadora da Rede Digital AgroMulher.

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