Mulher no volante, perigo constante…. Será?!

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Como muitas pessoas que eu conheço, minha primeira experiência na direção foi num tratorzinho de pouca potência, na lavoura do meu pai. Depois algumas tentativas nos carros em casa, e por fim na autoescola. Nada de grandes experiências desde cedo, nada de muitas habilidades. Mas a vida adulta te leva a desenvolver habilidades que muitas vezes ficam adormecidas. Assim fui eu, trabalhar como engenheira agrônoma, e aprender a dirigir em estradas diversas, entre cidades e lavouras. Ao longo da evolução da minha vida profissional eu fui ampliando a área de atuação: comecei trabalhando no município onde nasci e dirigindo nas estradas do interior; depois outra empresa e entre cidades distintas, até chegar nas multinacionais e dirigir entre municípios. Até que chegamos nesse ponto:

“Aonde tu estás essa semana? ”

“Como assim, tu vais dirigindo sozinha até o Paraná?!”

“Tu não tens medo de dirigir sozinha? ”

Não sei quantas vezes eu ouvi ou li essas frases no aplicativo de mensagens, entre outras frases questionando meu tempo de estrada. Foi então que eu decidi criar um blog para contar minhas “andanças” pela região Sul do Brasil, como forma de contar para a família e amigos aonde eu estava a cada semana. Eu trabalhava numa multinacional como assistente técnica de marketing voltada para cooperativas no Rio Grande do Sul, então eu dividia minha agenda em mais de 12 cidades distintas ao longo do mês. Além, é claro, de outras atividades da empresa, vinculada a vendas e eventos, que aconteciam em outras cidades, e até outros estados.

Então, ao longo de dois anos e meio eu me tornei uma motorista muito boa, modéstia à parte. Ao longo desses dois anos e meio nunca precisei trocar nenhum pneu, nunca me envolvi em acidentes de trânsito, e estaciono em qualquer vaga. Mas como? Treinando. Muito. Nos anos anteriores a esse emprego, eu dirigi carros muito ruins, sem direção hidráulica ou outras facilidades; eu já me envolvi em acidente de trânsito antes; troquei muitos e muitos pneus; tive que estacionar, sair, olhar o carro, voltar e começar tudo de novo.

A gente só aprende fazendo. É assim com qualquer coisa: cozinhar, plantar, medir área, montar dias de campo, dirigir bem, estacionar. É o que eu digo para minhas amigas e parentes: não é porque somos mulheres que vamos desistir! Eu me esforcei muito para ser uma excelente motorista, e isso independe da minha profissão. Só que neste caso minha profissão exigia viajar muito, por muito tempo, e eu fiz disso um trunfo meu. Primeiro, organizando a viagem: aplicativos de mapas para saber o melhor trajeto, perguntando para as pessoas que trafegavam sobre as estradas, acompanhando a previsão do tempo e as notícias sobre bloqueios. Nosso país possui estradas muito precárias, que exigem atenção constante por parte do motorista, furar um pneu é, muitas vezes, questão de sorte. Mas eu estava preparada para tudo, inclusive programando o tempo da viagem para possíveis imprevistos. E aprendi a usar a estrada a meu favor, para ensaiar as palestras, observar a paisagem, decorar as músicas em outras línguas quando estava viajando sozinha, e também para aprender mais sobre assuntos e pessoas diversos quando estava levando alguém de carona. E eu já levei muita gente importante de carona!

Mas aí surge a dúvida: o que dizem as estatísticas?!

O Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) traz estatísticas muito semelhantes a pesquisas conduzidas em outros países, onde fica bastante evidente que acidentes provocados por mulheres são percentualmente menores (11%) que acidentes provocados por homens ao volante (71%), bem como a porcentagem de morte de mulheres ao volante também é menor (22%) que a porcentagem de mortes de homens ao volante (78%). Embora as mulheres não sejam estimuladas desde pequenas a “brincar de carrinho”, ou seja, não desenvolvem o amor pelo veículo desde cedo como os homens, as mulheres tendem a ser mais cuidadosas ao volante, prestando mais atenção aos detalhes, como mostram muitas pesquisas sobre valor de seguro automotivo para mulheres sendo mais baratos que os seguros automotivos para homens, considerando as mesmas faixas etárias. Mulheres são mais conscientes em relação a velocidade excessiva também.

Respondendo às perguntas lá do início do texto, eu posso dizer o seguinte: independente de dirigir 50 km ou 750 km num dia, como já fiz algumas vezes, eu nunca tive medo de pegar a estrada. Simplesmente tinha de ir, então eu me preparava, e ia. Direção não combina com bebida, com celular, nem com pressa de chegar. Mas lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no volante, viajando bastante! Com tudo isso, posso dizer seguramente: meninas, vamos pegar à estrada!

Artigos do periódico “Traffic Injury Prevention” (com as mais relevantes pesquisas sobre trânsito): https://www.tandfonline.com/toc/gcpi20/12/3

Post “10 mandamentos” sobre a estrada (blog Nonô na Estrada): https://nononaestrada.blogspot.com.br/2017/09/10-mandamentos.html

Publicação do Seguro Auto compilando as estatísticas gerais do setor (post de 2016): https://www.seguroauto.org/homens-e-mulheres-ao-volante-alguem-e-melhor-velha-atual-polemica/

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Sobre o Autor

Noelle Foletto

Engenheira agrônoma formada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós graduação em Agronegócios na Faculdade Antonio Meneghetti (AMF). Nascida e criada na região orizícola do RS, iniciou a carreira neste setor, passando por todas as suas etapas, trabalhando posteriormente em multinacionais voltada para Marketing e Vendas. Leitora voraz, a curiosidade a levou por cursos em diversas áreas, como psicologia, formação humana, gastronomia, liderança pessoal, design thinking, entre outros. Apaixonada por plantas e por tudo que envolve o agronegócio, é também idealizadora do blog Nonô na Estrada.

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