segunda-feira, novembro 18

Irrigação: tecnologia possibilita economia e eficiência no uso da água

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Com expectativa de maior expansão de sistemas mais eficientes, o crescimento do uso da água tende a ser inferior ao da expansão da área irrigada no Brasil até 2030, segundo a ANA

No último levantamento realizado pela Agência Nacional das Águas (ANA) e pela Embrapa em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2015, denominado “Atlas irrigação: uso da água na agricultura irrigada”, consta a informação de que a área irrigada no Brasil em 2015 era de 6,95 milhões de hectares e a previsão para 2030 é um aumento de 45% na área, enquanto o consumo de água deve aumentar cerca de 42%.

Cenário nacional da irrigação

Em 2015, o Brasil foi colocado entre os 10 países com maior área equipada para irrigação no mundo, mas ainda com grande potencial de crescimento.  Na pesquisa da ANA e Embrapa consta que a maior parte da área irrigada no Brasil é de cana-de-açúcar, por aspersão de sistemas lineares ou pivô central, totalizando 29,5% da área irrigada.

O trabalho identificou que os 100 maiores municípios concentram 70% da área total irrigada no Brasil, mostrando uma forte concentração de adoção dos pivôs. Foram identificados pivôs em 22 unidades da federação, todavia 80% da área irrigada encontra-se em quatro estados: Minas Gerais, Goiás, Bahia e São Paulo.

Segundo o levantamento, a região que apresenta a maior extensão de área irrigada é o Sudeste, com 2.709.342 hectares (ha), seguida por Sul, 1.696.233, Centro-Oeste, 1.183.974 e Nordeste, 1.171.159. A Região Norte, com 194.002 ha, vem por último.

A agricultura irrigada é bastante dinâmica e diversificada mas ainda necessita muitos avanços para melhor monitoramento e eficiência dos diferentes sistemas.

Áreas de irrigação

Fonte: ANA, Embrapa e Conab

Mas o que é agricultura irrigada e como funciona?

A agricultura irrigada é aquela que faz uso de um conjunto de equipamentos (denominado irrigação) a fim de complementar a água oferecida pela chuva e pelo solo visando o pleno desenvolvimento das culturas. Em algumas regiões como o semiárido brasileiro e o Centro-Oeste em algumas épocas do ano só tem a produção de alguns alimentos viabilizada por conta da complementação de água oferecida pela irrigação.

O sistema a ser escolhido para a irrigação e a necessidade ou não da instalação de um sistema depende diretamente do tipo de cultura, sua exigência hídrica, o local de produção, as condições climáticas da região, entre outros aspectos.

O correto dimensionamento do projeto de irrigação é o início para um sistema eficiente e que possa suprir as necessidades da cultura, sem grande desperdício de água.

Métodos de irrigação

A irrigação pode ser realizada por vários métodos, cada um com suas características específicas, vantagens e desvantagens.

Superficial: a água fica disposta na superfície do solo; difícil dimensionamento; grande quantidade de água necessária; pode ser inundação, sulco, etc.

Subterrâneo: a água é disponibilizada abaixo do nível do solo, em área onde essa água será bem aproveitada pelas raízes. Como exemplo, temos o sistema de gotejamento subterrâneo. Esse sistema só é possível por conta de alta tecnologia vinda de Israel que evita entupimento de gotejadores e afins e ainda promete uma economia de 40% de consumo de água e 30% de energia. Grande economia de água por não contar com grande evaporação. Desvantagem: dificuldade de identificação de vazamentos por conta dos tubos estarem enterrados.

Aspersão: a água é aplicada sob pressão na superfície do solo, por meio de aspersores ou orifícios, como por exemplo a irrigação convencional com linhas laterais, pivô central, em malhas, etc. É um dos métodos mais utilizados no Brasil, principalmente o pivô central, inclusive em cana-de-açúcar.

Localizada: consiste na aplicação direcionada, com pequeno volume de água, sob pressão, com alta frequência, como por exemplo, a microaspersão e o gotejamento. Muito utilizado em culturas que são prejudicadas pelo molhamento foliar, como por exemplo, hortaliças.

Fonte: ANA, Embrapa e Conab

Vantagens da irrigação

Segundo a FAO, a irrigação, se bem planejada e executada, possibilita: o aumento da produção; o aumento da eficiência no uso da água, tanto em quantidade quanto em qualidade e regularidade; aumenta a diversidade de culturas, contribuindo significativamente no fomento da produção agropecuária e, consequentemente, no próprio PIB do país.

Além disso, segundo o levantamento feito pela ANA, Embrapa e Conab, a irrigação propicia também a redução dos riscos da produção por conta da falta d’água, que ocorre muito em sequeiro e a modernização dos sistemas de produção, incluindo novas tecnologias.

Irrigação

Os pivôs representam grande parte dos sistemas de irrigação do Brasil

Uso racional da água

A água é um recurso que tem ficado cada vez mais escasso e deve receber uma atenção especial no que diz respeito ao potencial de expansão das áreas irrigadas do Brasil, uma vez que o uso indiscriminado da irrigação gera grande desperdício de água e energia. Pensando nisso, a FAO lançou o livro denominado “Agricultura Irrigada Sustentável no Brasil: Identificação de Áreas Prioritárias”. O material chama atenção para necessidade de se trabalhar uma agricultura irrigada sustentável, que leve em conta a produção de alimento crescente necessária para atender a população, e a manutenção dos ecossistemas e seus recursos de forma ética e responsável.

Dessa forma, o texto da FAO destaca a importância da utilização de modernas e diversas tecnologias que podem ser empregadas para aumento da eficiência de diferentes sistemas de produção irrigados, independente do sistema.

Do ponto de vista do uso racional da água, exigências legais e instrumentos de gestão, como a outorga de direito de uso de recursos hídricos (autorização de uso), fomentam a sustentabilidade da atividade, o aumento da eficiência e a consequente redução do desperdício.

O grande objetivo é que com “o aperfeiçoamento e aumento de eficiência das técnicas e dos processos de irrigação, mesmo em áreas atualmente já irrigadas, por meio da introdução de sistemas e métodos mais eficientes e tecnologias modernas para o manejo adequado da água e do solo, novas áreas poderão ser incorporadas ao processo produtivo sem necessidade de aumento da disponibilidade hídrica”.

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Sobre o Autor

Marluce Corrêa Ribeiro

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

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