Inoculação microbiana na soja: como a técnica ajuda no campo

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Na safra 19/20 da Soja, o uso de inoculantes continua, ajudando no processo de Fixação Biológica de Nitrogênio e tendo um papel importante para a produtividade.

O QUE É E O QUE FAZ A INOCULAÇÃO?

A inoculação microbiana é uma técnica que nada mais é do que adicionar microrganismos específicos no plantio da semente para melhorar o aporte de nitrogênio para cultura da soja que, por ser uma leguminosa, é capaz de fazer fixação biológica de nitrogênio (FBN).

A FBN é um processo natural que ocorre em associações de plantas com bactérias e o principal produto dessa associação é o nitrogênio, um nutriente essencial para o crescimento e desenvolvimento de uma planta. As bactérias utilizadas para a inoculação são Bradyrhizobium spp e Azospirillum spp, onde a Bradyrhizobium auxilia na FBN e a Azospirillum no crescimento radicular da planta.

Pelas suas características únicas, a FBN tornou-se a principal fonte de nitrogênio das leguminosas. A associação entre planta e microrganismo passou a ser a tecnologia mais rentável para o agricultor, com uma relação custo-benefício única no cenário agrícola. Com isso, o uso de adubos nitrogenados foi dispensado e trouxe muitos benefícios para a o meio ambiente.

ECONOMIA NO BOLSO DO PRODUTOR

Com a dispensa desses adubos nitrogenados na cultura da soja, a FBN gera uma diminuição da importação de tais insumos. Isso representa uma economia anual na ordem de bilhões de dólares segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). A substituição desses adubos por inoculação de microrganismos atua positivamente na qualidade do solo por evitar diversos problemas relacionados à poluição causada por esses adubos.

Segundo a EMBRAPA, durante a safra 2017/2018, cerca de 90% das lavouras comerciais de soja assistidas pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater PR) que adotaram a inoculação da semente com as bactérias Bradyrhizobium tiveram um aumento médio de 1,8 saca por hectare. Já as propriedades que empregaram a coinoculação (formulação das bactérias Bradyrhizobium + Azospirillum) observaram aumento de 5,6 sacas por hectare. “Esses resultados indicam resposta positiva consistente da integração dessas práticas e enfatizam a importância da sua adoção anual”, afirma o pesquisador da Embrapa Soja (PR) Marco Antonio Nogueira. Os experimentos foram divulgados em publicação técnica pelas duas instituições.

RECOMENDAÇÕES PARA INOCULAÇÃO

A FUNDAÇÃO MS aponta alguns aspectos importantes da inoculação que devem ser considerados caso seja feito o manejo com tecnologia:

  • Lembrar sempre que os inoculantes são bactérias vivas, portanto, as recomendações de manejo devem ser rigorosamente seguidas, para que não haja perda de viabilidade;
  • Os inoculantes devem ser adquiridos de empresas idôneas, devidamente registradas no MAPA, e estar dentro do prazo de validade;
  • O armazenamento e transporte devem ser feitos em condições adequadas de temperatura e arejamento. Altas temperaturas e exposição direta ao sol prejudicam significativamente as bactérias;
  • Fazer a inoculação à sombra e manter protegido de calor e luz solar;
  • Fazer a semeadura o mais breve possível, após a inoculação, sobretudo se houver tratamento com fungicidas e micronutrientes;
  • Os inoculantes podem ser turfosos ou líquidos; os líquidos podem ser aplicados na semente ou no sulco de plantio;
  • A aplicação de Co e Mo são fundamentais para a fixação biológica de N. Recomenda-se de 2 a 3 g de Co e 12 a 15 g de Mo por hectare via semente, ou via foliar nos estádios V3 a V5.
  • Quando as sementes são tratadas com fungicidas e micronutrientes (Co e Mo), estes devem ser aplicados antes da inoculação. Ambos os tratamentos têm efeito negativo na sobrevivência das bactérias. Para reduzir este efeito, Co e Mo podem ser utilizados em pulverizações foliares.
  • Em áreas de abertura, onde ainda não foi cultivado soja, não há uma população nativa de Bradyrhizobium. Nessas áreas, é necessário que se tomem medidas complementares para garantir o estabelecimento da população de bactérias;
  • Além dos cuidados normais, recomenda-se: utilizar de 2 a 3 doses do inoculante; dar preferência à aplicação de Co e Mo via foliar; e, quando se dispõe de sementes de boa qualidade fisiológica (alto vigor), com boa sanidade e houver umidade suficiente para garantir boa germinação, pode-se dispensar a utilização de fungicida no tratamento da semente;
  • Em áreas consolidadas, mesmo com uma população estabelecida de Bradyrhizobium, os resultados da rede de microbiologistas da Embrapa tem obtido ganhos médios de 8% ao ano com a re-inoculação. Recomenda-se manter a inoculação como prática anual, mesmo nas áreas já consolidadas.

Para o momento da aplicação, as duas bactérias podem ser inoculadas juntas, entretanto, recomenda-se que seja feita a semeadura da semente tratada em até 2 horas após a inoculação. A tecnologia de inoculação em suco já é uma realidade, onde a inoculação líquida é mais utilizada pela facilidade de manipulação e mistura.

Os produtores já se preparam para o plantio e se aliam à tecnologia para obter maior produtividade, seguindo as recomendações dos assistentes técnicos para fazer uma aplicação bem feita e obter uma porcentagem de emergência da plântula de alto sucesso. É importante sempre consultar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para as recomendações de adubação, de sementes de soja adequadas para sua região e de controle de pragas e doenças.

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Sobre o Autor

Paôla Mírian

Estudante de Agronomia, estagiária em marketing, conteúdo e SEO no Agromulher.

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