terça-feira, dezembro 11

Importância do Uso e Lavagem do EPI

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Quem atua no campo sabe o quanto é difícil convencer os Aplicadores e Produtores a usarem o EPI (Equipamento de Proteção Individual). E usar o equipamento completo, porque para aplicação e manipulação de defensivos não adianta colocar somente máscara e luvas; ou colocar toda a vestimenta mas deixar as luvas de lado, porque estão rasgadas ou porque “atrapalham demais no manuseio do pulverizador”. Escuto conceitos como este por toda parte, em propriedades pequenas, nas grandes e bem desenvolvidas, e até mesmo nas certificadas (nestas o pessoal usa mas não acha bom).

É responsabilidade do empregador perante a lei, garantir que o funcionário use o EPI completo e em todas as aplicações e manipulações de defensivos. A NR 31 determina que o EPI seja fornecido e utilizado da forma correta. Garantir o uso implica em orientar, conscientizar, verificar, e até mesmo punir o não uso, e na maioria das vezes o trabalho nesse sentido deve ser constante.

Ainda não existe um equipamento que proteja melhor o Aplicador do que o EPI. E olha que o EPI que temos hoje já evoluiu muito, os primeiros modelos eram pesados e realmente dificultavam a movimentação das pessoas no campo. E quanto a isso todos concordam. Mas muitas pessoas não acreditam que ele funcione, porque sentem a pele molhar enquanto estão pulverizando. O que acontece muitas vezes é uma sensação de que a água passa pelo tecido porque a pessoa está suando. Ou realmente ela está passando através do material, que está muito velho, não foi lavado todas as vezes após seu uso, ou ainda não foi passado. Quando indicado pelo fabricante, o EPI deve ser passado antes de ser utilizado novamente; a temperatura do ferro reativa a hidrorrepelência do tecido. Algumas propriedades já colocaram uma mesa e um ferro para passar o EPI, no local onde ele é lavado e fica depois guardado; já ouvi algumas pessoas indicarem o ferro vertical, mas o ferro convencional funciona muito bem e é super barato. Com treinamento e pequenas mudanças na rotina do Aplicador, dá certo sim!

Outro ponto que parece simples, mas ainda é uma dúvida, é de como lavar o EPI. A indicação é água corrente, mergulhando em um bojo (nada de tanque com aquele local para esfregar a roupa, porque o EPI não pode ser lavado como roupa comum!). Pode ser utilizado sabão neutro mas não é necessário. E aquela sujeira de terra na barra das calças não tem problema nenhum, se o EPI for corretamente lavado, secado à sombra e passado (quando aplicável), ele estará apto ao uso novamente.

Aí vem mais um detalhe, como saber se o EPI deve ser trocado ou ainda está bom? Muitos rasgam após serem utilizados por poucas vezes. Mas os que duram mais tempo, podem ser utilizados até sua “validade”, que é o “número máximo de lavagens”. O fabricante coloca esta indicação na etiqueta da camisa ou em algum outro local do EPI e é importante segui-la. Para controle normalmente montamos uma ficha onde o Aplicador marca todos os dias que lavou o EPI, e após o último uso ele deve lavá-lo novamente e entrega-lo ao responsável por esse controle na propriedade.

Ter uma área específica para lavar e guardar o EPI também é uma determinação da Lei. Este assunto será abordado posteriormente, junto às demais estruturas de defensivos. Aguardem os próximos posts!

E a última dica, que é uma indicação dos fabricantes de defensivos e vem descrita na bula de muitos deles: após aplicação ou manipulação dos produtos, o Aplicador deve tomar uma ducha fria (sim, fria!!, sinto informar a quem mora em região de invernos rigorosos). Acontece que a água quente abriria os poros e facilitaria que algum resíduo na pele entrasse no nosso corpo. Atenção para a “ducha” e não “banho frio”, então é só passar uma água no corpo bem rápido para retirar algum resíduo que possa estar por ali.

Convencer os Aplicadores e Produtores a utilizarem o EPI já é tarefa difícil, bem sei que não é na primeira conversa que se resolve tudo. Se convencer como produtor e convencer aos seus funcionários, também é tarefa complicada. Depois desse texto ficou mais difícil ainda ou clareou alguma ideia? Gostaria de ouvir comentários a respeito, vão enriquecer e melhorar nosso trabalho no AgroMulher.

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Sobre o Autor

Mírian Xavier

Engenheira Agrônoma formada na Universidade Federal de Viçosa e pós graduada em Gestão da Segurança dos Alimentos.

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