segunda-feira, dezembro 10

Guerra Comercial China – EUA e a disparada dos prêmios da Soja no Brasil

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Em meio ao tumulto que o mercado mundial atravessa desde o início da guerra comercial estabelecida entre os Estados Unidos e China, os brasileiros vêm sendo favorecidos com a escalada de prêmios para o grão.

Os prêmios para embarques em portos brasileiros que já vinham altos, quando comparados aos normalmente praticados nesse período em anos anteriores, pularam em apenas 2 dias 90 centavos.

De Us$ 1,10 Bu na terça, 03, para US$ 1,30 Bu na manhã de ontem, 04 para impressionantes US$ 1,50/1,70/1,80 e 1,90 na parte da tarde. Foram inúmeros negócios reportados que começaram timidamente pela manhã e dispararam no decorrer do pregão após vendedores terem assumido postura ausente e os compradores nervosos buscando mercado.  Final do pregão de ontem vendedores ofertavam soja a + US$ 2,00 e os compradores a + US$ 1,80.

O fato do Brasil poder se aproveitar dessa situação e surfar na onda de tensão dos EUA e China deve-se principalmente ao fato da origem brasileira ter registrado poucas vendas da safra que está sendo colhida. A baixa performance de comercialização nacional, produz efeito em cascata. Quando o produtor não vende, o volume das cerealistas, cooperativas, revendas também represa.

Paralelamente, desde o início das especulações sobre a tarifação as tradings aqui no Brasil intensificaram compras, num claro movimento de antecipação ao problema. Esse movimento há muito tempo é o que vinha fazendo o preço da soja em real em algumas praças se manter inalterado mesmo quando a cotação da soja caia na bolsa. Mas até então o prêmio vinha subindo gradativa e constantemente.

A partir do anúncio de tarifação pelo presidente norte-americano Donald Trump, as tradings no Brasil intensificaram as compras FOB.

A resposta rápida da China anunciando tarifação em uma lista que não incluía soja até deu um fôlego ao mercado norte americano, mas aqui no Brasil as tradings seguiram atuando, acreditando que vinha tarifação e veio. O mercado se antecipou ao fato.

Nesse momento de plena guerra comercial entre EUA e China o Brasil é a origem mais favorecida é e seguirá sendo o Brasil. Ainda mais porque nessa temporada a Argentina não conseguirá participar com ofertas expressivas devido à forte seca que assolou o país.

Além do mais a Argentina tem uma tradição de exportar uma fatia maior de derivados de soja, com maior valor agregado. Só para ilustrar, a Bolsa de Cereales atualizou hoje a estimativa da safra de soja do país em 38 milhões de toneladas.

A China também pode abocanhar uma parte dos estoques do Uruguai e Paraguai, cujos mercados também devem ser disputados pela Argentina, em razão da logística.

Vale a ressalva que o Brasil não consegue suprir totalmente o volume de soja dos EUA para a China e por isso algumas tradings globais que atuam no Brasil devem trocar a origem de seus embarques de soja com destino Europa. Farão uma troca de posição de portos do Brasil para  portos dos EUA.

Essa estratégia não aumenta o número de venda da soja do Brasil, afinal a soja a ser embarcada para a Europa por aqui seria a mesma a ser embarcada para a China, mas com certeza as trocas de origem aumentariam a participação do Brasil no mercado asiático.

Enquanto no Brasil o prêmio subiu em 2 dias quase 90 centavos, portos do golfo registram alta de 15 a 20 centavos.

Já os negócios reportados hoje deram uma desacelerada. Foram reportados negócios a US$ 1,75 e 1,65 para embarque maio. Para embarque Junho /Julho saiu US$ 1,40 a 1,45 e na parte da tarde o mercado ficou mais calmo. No geral, após o exagero do nervosismo de ontem e com a cobertura de algumas tradings, os prêmios desaceleraram entre 25 a 30 centavos.

Agora ninguém em sã consciência pode afirmar que a Guerra Comercial alcançou o clímax. Nesse momento a estratégia pode ser: Quem berrar mais pode levar vantagem em um possível acordo comercial. Lembrando que as tarifas anunciadas pelos 2 países não devem entrar em prática num curto prazo, o que abre espaço para conversações diplomáticas entre os países.

Se por um lado o clima tenso pode ser aliviado num acordo diplomático, por outro pode intensificar e a China ter que considerar recorrer aos seus estoques físicos que afirma ter. Geralmente os leilões não são bem sucedidos em razão da qualidade do grão e da logística  ofertada.

Ainda para uma nova rodada dessa guerra comercial, a China tem em mãos uma vantagem, Tem um grande volume de soja comprada e não embarcada de origem americana que poderia ser parcialmente cancelada e com isso forçaria os EUA a negociar termos melhores. Afinal a guerra envolve bilhões de dólares de prejuízos e os chineses precisam estar bem ajustados para garantirem toda a oferta que conseguirem de grão.

Enquanto isso a origem brasileira continuaria sendo vantajosa, mas até quando?  Essa é a pergunta que vale milhões e milhões aos produtores brasileiros e aos especuladores na Bolsa.

Andrea Cordeiro

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Sobre o Autor

Andrea de Sousa Cordeiro

Andrea Sousa Cordeiro, formada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Com 21 anos de experiência em consultoria no mercado agrícola, com participação em cursos, treinamento e palestras n Brasil e Estados Unidos. Atua com foco destacado na área comercial, sistemas de trocas, derivativos cambiais, sistemas de hedge na BM&F e CME e leilões CONAB. Cursando MBA em Agronegócio pela ESALQ. Criadora do Blog Missão Mulheres do Agro que também dá nome a um Movimento Nacional de Valorização da Mulher do Agro, cujos destaques são circuitos de palestras e viagens técnicas para destinos como Estados Unidos, Argentina e China para público exclusivamente feminino.

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