segunda-feira, novembro 18

Gestão e liderança de mulheres no Agro

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +

As mulheres possuem forte influência na transformação digital do agronegócio porque elas dispõem de fortalezas intrínsecas ao gênero que as colocam em posição de destaque

O agronegócio sempre foi um setor predominantemente masculino e a participação das mulheres aumenta cada vez mais. O investimento em capacitação nas áreas de gestão e liderança são extremamente importantes para que os profissionais deste setor, homens e mulheres, estejam preparados para gerir e liderar mulheres.

As mulheres do agro representam 40% de participação no agronegócio de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada entre 2002 e 2015, e atualmente eu acredito que já estamos perto dos 50%.

Pensando em um cenário de intensa transformação tecnológica, eu identifiquei um tripé tecnológico. formação, socialização e conectividade.

Formação no sentido capacitação, socialização no sentido de conectar pessoas com os mesmos interesses, e conectividade no sentido de gerar negócios.

Vivemos em momento de muitas tecnologias, as quais às vezes não temos acesso, mas que já existem. Estamos o tempo todo conectados nas redes sociais e fazemos intenso networking, pois estamos no dedicando intensamente à nossa carreira.

Neste tripé, identifico as mulheres com forte influência na transformação digital do agronegócio, pois elas possuem fortalezas intrínsecas ao gênero que as colocam em posição de destaque.

Atributos femininos no mercado de trabalho

Entre os maiores atributos femininos, podemos citar alguns:

* As mulheres são comunicativas, antenadas, compartilham informações, elas estão conectadas.

* Elas formam grupos e criam redes com mesmo perfil e interesses, o que fortalece ideias e opiniões;

* Possuem um perfil de gestão que é ancestral. Na época da caça o homem tinha a obrigação de trazer comida, e a mulher cuidava dos filhos, casa, roupa, comida e marido.

* São mães, logo são um forte incentivo para a sucessão familiar dos negócios. São as filhas que estão ensinando os pais a usarem o Whatsapp e redes sociais, e são as produtoras e gestoras rurais que estão trazendo informações sobre plataformas de gestão e tecnologias no campo.

* Mulher é mais sensível e empática, e contribuem para a equidade de gênero.

E por que se preocupar com a gestão e liderança de mulheres no agro já que elas possuem fortalezas e a grande maioria já é capacitada? De acordo com a pesquisa da ABAG, 60% das mulheres possuem superior completo, 36% gostam da vida no campo, 34% estão no agro porque membros da família já atuavam. Porém, 59% relatam problemas de liderança por serem mulheres.

Mesmo sendo capacitadas, fortes, decididas, determinadas, as mulheres sofrem por falta de autoconhecimento e autoconfiança que é reflexo de baixa autoestima, e medo que gera ansiedade e insegurança.

Mentoria

Em minha Mentoria Carreira&Negócios eu tenho focado muito no desenvolvimento pessoal e profissional de estudantes, profissionais e gestoras do agro, pois a maioria dos relatos é relacionada a busca de desenvolvimento pessoal para serem felizes e terem sucesso pessoal, profissional e financeiro.

É de extrema importância que gestores e profissionais do agronegócio busquem se capacitar para se tornarem líderes, desenvolver habilidades de comunicação, inteligência emocional, empatia, cultivar relações interpessoais saudáveis, e por fim, inspirarem e motivarem pessoas.

Como gestora e líder de mulheres do agro eu passo constantemente por desafios que me fazem crescer e aprender muito a cada dia. Precisei desenvolver habilidades como empatia, inteligência emocional, comunicação direcionada, e paciência.

Sempre disseram que sou inteligente, pois tirava as melhores notas na graduação e no mestrado, fiz estágios, tive 3 bolsas de iniciação científica, mas quando fui para o mercado de trabalho deparei-me com uma realidade:

“A falta de lideranças que me orientassem melhor, motivassem para desafios e para a realização do trabalho do dia a dia, e assim estariam contribuindo para o meu desenvolvimento pessoal e profissional e retorno para as empresas.”

Mas meus gestores não tinham essa obrigação, não é mesmo? Eles queriam profissionais prontos e que não precisasse investir tempo na gestão. Mas isso é gestão? E será que os gestores estão fazendo só gestão e por isso não fazem liderança?

É muito mais simples atuar com profissionais prontos, bem desenvolvidos pessoalmente e profissionalmente, que sabem o que querem, que tem foco e planejamento de vida. Mas essa não é realidade do nosso mercado.

“O que mais percebo e sinto nos jovens e profissionais é a falta de autoconhecimento, baixa autoestima, falta de foco, planejamento de vida e maturidade emocional.”

E quando falamos em gestão e liderança de mulheres lidamos com questões fisiológicas e emocionais, aliás o cérebro do homem é diferente do cérebro da mulher, bem como o funcionamento do corpo.

Capacitação e maturidade emocional

Eu busco sempre entender a profissional, seu contexto de vida e como ela gosta de relacionar e interagir. Não é tão simples quanto parece, pois também tenho minhas limitações e fraquezas.

O trabalho que faço em minha mentoria é o mesmo que faço com minha equipe. Promover o desenvolvimento pessoal e profissional diariamente. É fácil? Não. Pode dar errado? Sim, e às vezes dá.

É muito comum o profissional chegar como um iniciante e após estar mais maduro profissionalmente, ter aprendido e crescido, ele fica mais resistente ao aprendizado para o seu desenvolvimento pessoal, pois acha que sabe de tudo e que está pronto para atuar como gestor.

Na minha opinião, leva tempo para que os profissionais desenvolvam a habilidade de liderança e de gestão. E sabe quando percebo que não estão preparados ou que precisam de mentoria? Quando centralizam todos os processos e não querem ensinar o que lhes foi ensinado.

O ideal é que as empresas invistam em capacitação em desenvolvimento pessoal através de mentorias ou coaching para seus colaboradores, e no caso das mulheres, este trabalho pode ser realizado de mulher para mulher.

“O olhar e a vivência femininos traz mais coragem, referência e um uma conexão mais íntima e apoiadora.”

Uma mulher liderando e ensinando outra mulher traz exemplos de vida que fortalecem outras mulheres, pois quando encontramos pessoas que passam por desafios parecidos não nos sentimos só, mas sim apoiados e fortalecidos.

De mulher para mulher, esse foi o conceito usado para o Rebranding da Rede Agromulher, a maior rede de mulheres do agro que tem como propósito capacitar, inserir e valorizar as mulheres do agro, através de plataforma de capacitação, redes sociais, cursos online, mentorias, palestras e workshops.

Conheça a Rede Agromulher, a maior comunidade de mulheres do agro clicando AQUI.

Compartilhar.

Sobre o Autor

Vanessa Sabioni

Graduada em Egenharia Agrônoma e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa – MG. Atualmente cursa o MBA em Marketing ministrado pela Esalq-USP. CEO e Fundadora da Rede Digital AgroMulher.

2 Comentários

  1. Pingback: Você está preparada para entrevista de emprego? | AgroMulher

  2. Pingback: SOS: Maturidade feminina no mundo do agronegócio | AgroMulher

Deixe Seu Comentário