segunda-feira, agosto 20

Gestão de fornecedores na atividade agropecuária

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Gerenciar o fornecimento de uma empresa é mais do que controlar através de auditorias e do estabelecimento de exigências. É preciso promover o desenvolvimento dos fornecedores para que os negócios sejam sustentáveis ao longo dos anos e este é um grande gap nas empresas do agronegócio.

A gestão dos fornecedores é importante para produtores que compram de outros produtores, assim como para a indústria, distribuidores, torrefadoras de café e para lavadores de frutas e verduras. Colocar a sua marca em um produto sem conhecer muito bem a sua origem é muito arriscado. E não se trata somente sobre conhecer quem produz, mas a forma como produz em todos os sentidos:

1- conhecer os requisitos técnicos (quais fertilizantes e defensivos são aplicados, em qual dosagem, quanto tempo antes da colheita);

2- saber como o produtor trata os assuntos relacionados à mão-de-obra: se todos os funcionários são registrados, se não existe nenhuma relação que caracterize trabalho escravo ou infantil, se todos recebem seus salários da forma correta e se existem condições mínimas de respeito aos colaboradores (banheiros, local para alimentação, ambiente de trabalho limpo, etc.);

3- entender as relações da propriedade com o meio ambiente: se existe outorga e se ela está de acordo com o volume utilizado, se não são realizadas queimadas, se áreas de preservação permanente e reservas legais estão preservadas;

4- conhecer a forma de lidar com o alimento produzido visando sua segurança (higiene pessoal e geral, controle dos perigos de contaminação, entre outros).

Uma ação negativa de um fornecedor atinge diretamente a imagem da sua marca/empresa e pode impactar muito no seu negócio. Além disto, garantir que o negócio dos fornecedores atue de forma sustentável – no sentido mais amplo da palavra – é garantir também que o negócio da sua empresa seja sustentável ao longo dos anos. Afinal, estamos falando de uma parceria e portanto um elo depende do outro.

Gerir os fornecedores é responsabilidade de quem compra e passa adiante produtos de terceiros, sejam eles beneficiados, processados ou somente oferecidos ao próximo elo da cadeia em uma relação de compra e venda sem alteração no produto. A cadeia de alimentos desde o primeiro comprador até a ponta final, deve garantir que o alimento é seguro e possui a qualidade esperada, além de ter sido produzido e comercializado segundo as legislações aplicáveis.

Produtores, distribuidores e varejistas muitas vezes caminham em círculos, criando procedimentos para inspecionar os produtos no recebimento e/ou pagar o produtor por qualidade, em um sentido de cobrança e não de mãos dadas para todos evoluírem. São comuns também as estratégias de auditoria nos clientes por amostragem, e destas, até as mais abrangentes apresentam o mesmo problema: não garantem de fato a segurança dos alimentos e não promovem o desenvolvimento dos fornecedores. Existe uma forte pressão de toda a cadeia sobre os produtores, que precisam se adequar ao que o cliente, o auditor e o fiscal dizem, mas muitas vezes eles não sabem como atender a todas essas exigências. Desta forma, os controles aplicados aos fornecedores não geram os resultados esperados para a empresa que está controlando, tampouco para o produtor.

Neste contexto uma parceria que pode funcionar é entre distribuidores de alimentos e distribuidores de insumos agrícolas. O primeiro precisa regularmente de produtos com um padrão específico, que pode ser atingido com o manejo da produção – e isto é bem conhecido pela segunda parte, pois faz parte do trabalho dos Agrônomos e Técnicos Agrícolas no campo. Quando o distribuidor de insumos leva até o produtor os requisitos do mercado, chega como apoio e não como exigência, justamente pela relação de parceria que já existe entre esses elos.

O distribuidor de insumos encontra grande abertura no mercado quando consegue ajudar o produtor a atender os requisitos de qualidade e regularidade dos seus clientes. Mas não possui experiência em assuntos como legislações aplicáveis ao campo, protocolos de clientes do produtor, entre outros. Para executar gestão da propriedade, boas práticas agrícolas, ou implementar todos os requisitos de clientes, é necessário recorrer a uma consultoria especializada.

Unir produtor, consultoria, distribuidor de alimentos e distribuidor de insumos, pode ser uma estratégia eficaz para atingir os objetivos de todos. E representa um resultado muito positivo para os consumidores, que terão acesso a alimentos mais seguros.

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Sobre o Autor

Mírian Xavier

Engenheira Agrônoma formada na Universidade Federal de Viçosa e pós graduada em Gestão da Segurança dos Alimentos.

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