Gabriela e Sua História com a Cachaça

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Olá leitores queridos do Agromulher! Hoje eu trouxe uma entrevista especial, com uma mulher que rompeu barreiras e crenças, acreditou no seu sonho, e vem construindo uma história linda de paixão pelo que faz. Gabriela Lanna, conte-nos sua história!

MX: Conte-nos um pouco sobre sua formação e trajetória profissional antes de começar o trabalho com a Cachaça Tiara.

GL: Minha formação foi em Farmácia e Bioquímica. Este sempre foi o meu sonho. Eu acreditei e simplesmente fui seguindo um caminho reto e bem previsível, mesmo para minha pouca maturidade da época. Sempre fui curiosa, e buscava experimentar tudo que a academia pudesse me oferecer (Empresa Júnior, projetos de extensão, monitoria, aulas…). E foi assim que me interessei pela pesquisa. Na época minha escolha foi o Laboratório de Epidemiologia de Doenças Parasitárias na UFOP. Fiquei neste laboratório uma vida. Do segundo período (2004) até o final do Doutorado. Aprendi muito além do que fazíamos na pesquisa, nos trabalhos de campo com populações indígenas. Aprendi sobre fazer muito com pouco e sobre ser humana acima de qualquer coisa. Sou muito grata à essa época, ao meu orientador Professor George Luiz Lins Machado Coelho, e a todos os amigos que eu fiz. Lá eu fiquei até o final do Doutorado, e se nessa época alguém me falasse que eu escolheria qualquer outra coisa para seguir, como fazer cachaça, por exemplo, acho que eu daria muita risada.

MX: Quando a cachaça começou a fazer parte da sua vida?

GL: Foi tudo muito sem pretensão. Confesso.

Em 2012 eu e o Juliano nos casamos. Nesta época eu estava finalizando o mestrado e iniciando o Doutorado. Eu sempre fui muito determinada. Mas ao conhecer o Juliano, fui apresentada também à cachaça. Comecei a acompanhá-lo em eventos, rodadas de negócios, e a dar algumas idéias. Começou bem nos bastidores e de forma discreta, naturalmente fui me envolvendo mais e mais!

Me entrego bastante aos meus sonhos, e no final do Doutorado tive que fazer A escolha! Mais difícil que qualquer coisa foi terminar o Doutorado (que exigia muito de mim) conciliando com a cachaça. Foi desafiador, pois tinha uma vida de estudo e dedicação por trás…mas foi natural. Fiz minha opção sem olhar para trás e sem pensar no que os outros iriam pensar.

Eu nunca havia tido nenhum contato anterior com a Cachaça. Mas eu enxerguei algo bem maior. Um valor que poderia ser explorado e transformado. Não que fosse o mais fácil, pelo contrário.

MX: Você enfrentou alguma barreira por ser mulher, ou por ser uma pessoa muito nova para atuar neste ramo?

GL: Pode parecer que não, mas isso ainda existe no mundo atual. E quer saber mais? O preconceito vem de onde menos se espera, das pessoas mais próximas. Nunca me importei com isso, mas sou muito observadora e via na cara das pessoas, numa fala inofensiva, num sorriso entreaberto. Escutei muito a frase: “Mas o que você vai fazer com seu Doutorado?” E eu respondia: Vou fazer cachaça!

Não somente por ser mulher e pela idade, mas pela cachaça também. A cachaça é uma bebida que carrega alguns pré-conceitos do passado. Mas podem acreditar, isso está mudando exponencialmente!

Acho que o segredo é fazer tudo com amor e não se importar com a opinião das pessoas. O óbvio era seguir tudo certinho, terminar o Doutorado, fazer um concurso, seguir carreira. Mas eu resolvi sair do óbvio, recomeçar juntamente com o Juliano. As pessoas não estão preparadas para isso.

MX: Fale sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido com os colaboradores e com a região de Barra Longa.

GL: Aqui na Cachaça Tiara nós acreditamos que o segredo não é a alma do negócio, e sim que a alma do negócio, essa sim é o segredo. A energia por trás do trabalho de cada colaborador. Em um trabalho com alimentos e bebidas de forma geral, é fundamental que a energia de cada um que participa do processo seja boa! A qualidade passa pelas mãos de cada um.

Dentre as ações que já realizamos aqui, tem algumas que marcam bastante.

“Minha mãe, minha cachaça” – uma ação que fizemos no dia das mães. Convidamos as mães dos funcionários de surpresa para tomar um café da manhã e para que elas pudessem conhecer onde eles trabalham. Foi lindo!

Tag colaboradores – Em cada garrafa da nossa Tiara Rainha tem uma Tag com a foto de cada colaborador, o que ele faz na empresa e seu maior sonho. Tivemos essa idéia, pois eu e o Juliano acabamos aparecendo mais em eventos, palestras, nas redes sociais. Mas cada um deles tem sua importância até que a cachaça chegue à mesa. Foi uma forma de homenageá-los. Nossos clientes amaram o resultado.

Turismo – Queremos colocar Barra Longa em destaque como uma rota turística através de nossa cachaça. Já recebemos grupos com visitas agendadas. Nossa recepção é sempre com o coração e algumas surpresas. Café da manhã com produtos locais e feitos no próprio alambique, uma palestra com os produtores – “Muito além da Cachaça” (propósito da marca e curiosidades), visita guiada ao alambique, almoço e finalização com compras na loja da fábrica (cachaça, queijos especiais, cafés especiais e doces da região). Na última visita que recebemos, um grupo de 16 pessoas, convidamos de surpresa a banda da cidade para fazer a recepção no alambique. Foi mágico. Um dos turistas falou: “Vocês conseguiram dar um nó na minha garganta”. Isso não tem preço.

Projeto Destilando Sonhos – Criamos em 2018 o projeto Social Destilando Sonhos para incentivar e estimular o empreendedorismo na cidade de Barra Longa. A cada edição convidamos um empresário de sucesso para um bate papo. Abrimos para um público de no máximo 25 pessoas, para que a interação aconteça da melhor forma. Tudo gratuito, os convidados vêm pela causa. Já estamos na quarta edição e está sendo uma experiência transformadora.

MX: Você pode compartilhar um pouco sobre o livro publicado recentemente?

GL: Esse livro foi um convite da Editora Gregory de São Paulo, onde 20 mulheres contaram suas histórias de superação e empreendedorismo. Sempre quis escrever um livro, mas nunca imaginei que o convite chegaria por e-mail, e que a história contada teria a cachaça envolvida, Rs. No livro conto com mais detalhes de alguns desafios que enfrentei na minha escolha, da importância do foco ao pensar em empreender, e de algumas coisas que me motivam.

MX: Como você vê o consumo de cachaças especiais no Brasil hoje? Quais os desafios para os próximos anos?

GL: Vejo que o brasileiro ainda está descobrindo a cachaça. A cachaça é o destilado que representa o Brasil, faz parte da nossa essência. É nosso papel como produtor resgatar isso e valorizar, mas não incentivando o consumo exagerado. Focamos na qualidade, mostrando que a cachaça é uma bebida super versátil e com uma diversidade de aromas e sabores que não se compara a nenhum outro destilado do mundo. Cada cachaça tem sua personalidade única.

Como desafio para os próximos anos, posso citar o combate à informalidade que é marcante neste mercado e muito perigosa à saúde, abertura de novos mercados, e a valorização da bebida no Brasil. A Tiara está muito alinhada com essas tendências. Nosso propósito é ser uma marca “Muito além da cachaça”, e nossa missão é transformar nossa cidade através do empreendedorismo, e fazer com que o mundo conheça e aprecie nossa cachaça.

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Sobre o Autor

Mírian Xavier

Engenheira Agrônoma formada na Universidade Federal de Viçosa e pós graduada em Gestão da Segurança dos Alimentos.

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