Forte presença de jovens nas propriedades rurais da agricultura familiar traz esperança ao setor

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +

Possibilidade de fonte de renda e garantia de qualidade de vida são aspectos que chamam a atenção da juventude camponesa

Fonte: Jornal Repercussão por Fábio Radke

Edição e adaptação: Marluce Corrêa Ribeiro

A promessa de que a colheita não estará perdida nas próximas décadas passa pelas mãos de adolescentes e jovens que hoje nutrem a viabilidade da sucessão familiar, não deixando assim que os campos envelheçam e acabem abandonados e improdutivos.

Em Goiás

Em várias regiões do País, a presença da juventude tem grande peso nas propriedades da agricultura familiar. Em Goiás não é diferente. Em meio às vacas da raça girolando e as planilhas de gestão da Fazenda Santa Bárbara, em Orizona-GO, está a jovem Marisa. Técnica em Agropecuária, Zootecnista e filha de produtores rurais, decidiu voltar para a fazenda e auxiliar seus pais na atividade leiteira.

Na propriedade, com 25 ha e produção diária de 350 litros de leite, a rotina não é nada fácil e uma cabeça jovem e bem disposta faz toda diferença no desenvolvimento e evolução da atividade. E a jovem Marisa tem contribuído em muitos aspectos. 

No controle leiteiro, na gestão da propriedade, na dieta dos animais, no controle reprodutivo e em diversas outras áreas, a mudança chegou na Fazenda Santa Bárbara e para ela “o entusiasmo de um jovem que gosta da atividade agropecuária traz um fôlego para os pais que podem, muitas vezes, estar cansados e desmotivados. Ideias novas e motivação revitalizam a propriedade e o campo num cenário em que a juventude engajada pode ser uma das melhores alternativas para modernização agropecuária e esperança de uma efetiva sucessão familiar”.

No Rio Grande do Sul

Em Sapiranga-RS também há exemplos de que a juventude faz a diferença nas pequenas propriedades da região. 

Duas jovens sapiranguenses, dentro da mesma faixa etária, possuem histórias semelhantes. Ambas nem pensam na possibilidade de deixar o campo de lado e não medem esforços e dedicação para produzir o alimento que vai para a mesa de muitas pessoas da cidade e região. E mais do que isso, as mesmas mãos que operam ferramentas em trabalhos rústicos e manuais, também preparam deliciosos pães e bolachas. Essas duas personagens desta reportagem, moradoras de diferentes localidades do município, são conhecidas e também são colegas dentro do grupo de mulheres Koloniegeschmack (Sabor da Colônia).

Nessa região, a partir do trabalho do Poder Público e apoio de entidades voltadas ao setor primário, muitas sementes já estão sendo plantadas e mostram que os jovens também sujam as mãos, entendem de culturas e técnicas agrícolas e, mais do que isso, também podem gerenciar e tornar propriedades rurais ou agroindústrias em empreendimentos muito rentáveis.

Do morango a frutíferas diversas

No Alto Ferrabraz, em meio a uma propriedade com açudes e roças, Leila Helena Kronbauer, de 20 anos, caminha de um lado para o outro apresentando diferentes cultivos presentes no local. Em uma estufa montada pelo pai, a jovem cultiva diferentes variedades de morangos. A partir de diversas participações em cursos e oficinas, a paixão pela agricultura rende cada vez mais frutos. “Entrei no grupo de orgânicos da Eco Ferrabraz e hoje estou na fase de conversão para a produção orgânica de frutíferas, como romã, pêssego e mirtilo. Não existe nada melhor do que gerenciar o próprio trabalho, respirar o ar puro e ter sempre a boa comida caseira na mesa”, afirma Leila.

Três gerações de mulheres

Com a escolha de Leila em permanecer no campo, a família conta com três gerações de mulheres agricultoras. A mãe Ivanir Kronbauer, de 45 anos, e a avó Melita Weyermüller, de 67 anos, não escondem o orgulho. “Ela me consulta bastante. Esses dias perguntou se dava mesmo para capinar as batatas agora. Isso mostra que ela já está sabendo dos períodos certos”, disse Melita.

A mãe Ivanir apoia a filha e também participa de diversas atividades e capacitações voltadas a agricultura familiar. “É muito bom ter a filha em casa. E ajuda bastante com as técnicas de cultivo orgânico mostrando que existe um jeito de trabalhar com aquilo que a natureza nos dá, diferente daquela forma que estávamos acostumados”, avaliou a mãe.

Contribuição de conteúdo: Jornal Repercussão por Fábio Radke

Edição e adaptação: Marluce Corrêa Ribeiro

Compartilhar.

Sobre o Autor

Marluce Corrêa Ribeiro

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

Deixe Seu Comentário