Feminismo – você sabe o que significa?

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Se você clicou para ler esse texto pode ser que seja simpatizante do Feminismo ou apenas uma pessoa curiosa sobre o assunto, afinal algumas pessoas acreditam que Feminismo é um movimento que luta por “privilégios” frente aos homens ou que se trata de uma bandeira para “empoderar” mulheres a qualquer custo, ou então uma luta meramente para superar tabus e limites, enquanto outras pensam que é uma simples associação ao Machismo.

Mas você aí do outro lado da telinha, sabe explicar o que é Feminismo? Se não sabe, bem-vindo ao time e não se sinta mal. Eu também não sabia…

Embora conheça a essência do movimento e desde criança eu me sentisse uma Mulher diferente de alguns padrões pré-estabelecidos, eu nunca me via como feminista, aliás, eu refutava até quando algum colega sugeria tal associação. Eu só fui de fato entender o alcance do meu vínculo com o movimento há poucos dias atrás e acredite se quiser, de uma maneira espontânea e singular, e é isso que quero te contar agora.

Nessa última quinta, 27, último dia de fevereiro, cheguei em casa com meu marido após um longo dia de trabalho e como sempre fazemos, fomos nos inteirar de como foi o dia dos nossos filhos – temos um casal – e coincidentemente os 2 estavam reunidos conversando. Depois que ambos nos contaram das novidades do dia, eu comentei com eles sobre o convite que havia recebido para participar de um programa de telejornal no dia 08 de março que terá uma programação diferenciada com destaque para a participação da Mulher do Agro.

E foi exatamente nesse momento que a “coisa”toda aconteceu…

Justamente quando eles, meus filhos me parabenizaram e elogiaram esse momento de reconhecimento profissional e destacaram os ideais feministas ao movimento de Valorização das Mulheres do Agro, foi nessa hora, antes mesmo de agradece-los pelos comentários tão gentis, que eu neguei automática e veementemente qualquer vínculo feminista em mim!

E mais, imediatamente ambos ao mesmo tempo falaram: “Mas mãe, você é Feminista Sim” e complementaram cada um ao seu tempo: “Você não pode nunca dizer que não é!!!! E acreditem, os dois me deram uma verdadeira aula sobre Feminismo.

Juntos e empolgados, Thalita e Marcos Vinicius do alto de sua juventude explicaram à uma mulher com mais de 40 anos, formada em direito, pós-graduanda da ESALQ, que viaja sozinha Brasil e mundo afora, que incentiva, profissionaliza, motiva e trabalha para valorizar suas pares, dissemina práticas de Sororidade, o que eu nunca havia percebido.

Naquele exato momento mágico quando não tinha mais argumentos plausíveis, e em meio a muitas risadas do meu marido que assistia a tudo de camarote, eu me vi e pela primeira vez me senti feminista. E desse dia até agora, eu não consigo entender o porquê dessa epifania (ficha caindo) ter demorado tanto a acontecer.

Ainda meio zonza, busquei em dicionários definições para o termo e quase cai pra trás quando li quase incrédula alguns conceitos e esse aqui foi o que mais me impactou:

Doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das Mulheres na sociedade.

Essa era eu, isso me definia e preenchia o vazio de muitas perguntas sobre meu lado questionador (tão criticado por alguns) e insatisfeita frente as diferenças e desigualdades mundo afora.

Essa era eu desde criança, um serzinho que não se limitava as opções oferecidas para as mulheres, que não se contentava apenas com as conversas com pessoas da minha idade ou do meu gênero. Essa era a que queria escutar e vivenciar as diferenças nas conversas adultas de mulheres e de homens.

Essa era a Andrea que não entendia porque em algumas casas as mulheres simplesmente mesmo querendo não “podiam “trabalhar, que precisavam abrir mão de sonhos e projetos pelo bem da família e abdicar de seu profissional.

Essa era eu, que desacreditava do argumento sobre a incapacidade da Mulher e questionava a todos qual a causa da limitação do papel da mulher a uma condição inferior.

Essa era eu, a que queria saber por que não existia mulher papa, ou que nave eram comuns mulheres em cargos de comandos em corporações bem-sucedidas, ou então astronautas, políticas renomadas, pilota de corrida, físicas, químicas ou pensadoras premiadas com Nobel.

E em meio a tantos questionamentos eu não consegui responde a mim mesma em qual ponto eu me perdi nos conceitos. Em qual momento eu passei a associar o Feminismo a algo feio, ou a algo radical, extremista, com fala agressiva e de impacto?

Essa pergunta é difícil de eu responder,  eu não consigo responder até porque eu sempre acreditei que poderíamos buscar equivalências e conquistar com naturalidade nosso espaço no mundo, mudando conceitos em nós mesmas, através do conhecimento, da prática da não limitação, da não violência, acreditava que a valorização pelo Conhecimento transforma a Mulher de dentro pra fora e esse processo transforma lares, vidas, comunidades.

Mas a verdade é que em algum momento pós globalização, eu passei a associar o feminismo com o que hoje intitulam de femismo, uma ideologia que defende a superioridade do gênero feminino.

Mesmo em alguns momentos sabendo que é preciso se posicionar, continuo não acreditando que busca é por SER MAIS ou SER MELHOR que o homem, pelo contrário, a busca é pelo complemento, pelo equilíbrio, pelo respeito aos nossos direitos e também pelas nossas Diferenças.

Acredito acima de tudo que unimos geramos mais, e aí sim, Homens e Mulheres somos mais! Mais humanos, mais felizes e realizados.

Espero que assim como aconteceu comigo, nesse mês de março você se descubra do jeitinho que é. Homem, Mulher ou seja qual gênero tiver, desejo que seja feliz e lute por seus ideais, mas que não deixe de exercitar o respeito pelos pensamentos opostos aos seus.

Às Mulheres do Agro meu incondicional apoio! Motive-se, permita-se ser uma profissional melhor a cada dia. Valorize-se, invista em você, em sua equipe, invista em conhecimento, em práticas que agreguem não somente a você, mas à sua comunidade e conte sempre comigo!

Aos homens do Agro, meu especial respeito por se permitirem compartilhar seu dia a dia com profissionais competentes. Nos últimos 4 anos o campo está mais conectado e aberto. Invistam em temas como Inclusão, Sucessão e Gestão. Aos executivos, gestores e recrutadores, lanço um desafio: Olhem para cada profissional mulher que entrevistarem ou contratarem com um viés de valorização e respeito por cada etapa que essa profissional conquistou até chegar ali. Tenha certeza que ela precisou superar limitações e muitos foram os desafios para estar sentada ali à sua frente, e só pelo fato de já estar ali, é uma vencedora nata e, portanto, saberá vestir a camisa da companhia com especial dedicação. Em condições curriculares e avaliações semelhantes, não exitem em contratar uma profissional mulher.

Um forte abraço!

Andrea Cordeiro

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Sobre o Autor

Andrea de Sousa Cordeiro

Andrea Sousa Cordeiro, formada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Com 21 anos de experiência em consultoria no mercado agrícola, com participação em cursos, treinamento e palestras n Brasil e Estados Unidos. Atua com foco destacado na área comercial, sistemas de trocas, derivativos cambiais, sistemas de hedge na BM&F e CME e leilões CONAB. Cursando MBA em Agronegócio pela ESALQ. Criadora do Blog Missão Mulheres do Agro que também dá nome a um Movimento Nacional de Valorização da Mulher do Agro, cujos destaques são circuitos de palestras e viagens técnicas para destinos como Estados Unidos, Argentina e China para público exclusivamente feminino.

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