segunda-feira, dezembro 10

Estratégias no Manejo de Mosca Branca na Cultura do Feijão: Parte 1

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A mosca branca (Bemisia spp) é uma das principais pragas da cultura do feijoeiro, pois é transmissora do vírus do mosaico dourado (BGMV), principal doença virótica que pode diminuir drasticamente a produtividade da cultura. As regiões de clima mais quente como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia, entre outras, vêm sofrendo ao longo dos últimos anos com o aumento exagerado da praga que causa enormes prejuízos e até impossibilita o plantio de feijão em determinadas épocas do ano.

O uso de inseticidas não está sendo suficiente para manejar esta praga e a eficiência destes produtos tem sofrido uma queda lenta e gradual devido ao aumento da resistência dos insetos em relação aos inseticidas existentes. Devido a esta situação, uma serie de estratégias têm sido utilizadas para conviver melhor com o inseto e obter produtividades satisfatórias.

Estratégias de Manejo

Escape

Em algumas regiões do Brasil existem áreas que são impossibilitadas de realizar o plantio de feijão na primeira e segunda safra devido à alta incidência da praga. Nessas regiões há constante monitoramento do nível de infestação da mosca branca e de condições como vento e temperatura, para alertar o produtor sobre a melhor época de plantio. Adicionalmente, tem-se um cuidado redobrado no controle de plantas daninhas hospedeiras que permitem a reprodução do inseto. Em condições de rotação da cultura do feijão com a cultura da soja há um grande respeito ao vazio sanitário para eliminar as tigueras de soja. Neste caso, o escape consiste em plantar primeiramente o feijão e em seguida a soja, evitando que o inseto se desenvolva primeiro na soja e migre em grandes populações para o feijão na fase crítica (vegetativo). É extremamente importante a conscientização dos produtores dessas regiões para respeitar o vazio sanitário, evitando condições de reprodução deste inseto. Aliado ao manejo do escape faz se o tratamento de sementes e aplicações periódicas de inseticidas foliares ao longo do desenvolvimento da cultura.

Controle Biológico

Existe na literatura muitos inimigos naturais que controlam a mosca branca e são amplamente estudados, como exemplo os parasitoides micro-himenópetoros Encarsia spp. e Eretmocerus spp., e entomopatógenos Aschersonia aleyrodis, Paecilomyces fumosoroseus e Beauveria bassiana. No mercado de biológicos o fungo Bauveria vem se destacando e a dose usualmente utilizada de produtos que contém esse entomopatógeno é de 250g/ha, em aplicações sequenciais e intercaladas com aplicação de inseticidas químicos. A sua eficiência é variável, resultando em um controle de 50-65% e é necessário ter atenção especial para a qualidade da aplicação e qualidade de calda, buscando sempre horários frescos e alta densidade de gotas para atingir o baixeiro foliar. Estudos envolvendo o uso do fungo Isaria Spp têm demonstrado resultados promissores, mas ainda carece de testes em nível de campo para que se possa comprovar sua real eficiência. O Instituto biológico de São Paulo realizou várias pesquisas com este fungo e divulgou resultados promissores.

Controle Químico

O controle químico realizado com inseticidas é uma das ferramentas que visa auxiliar o manejo da população de mosca branca, dividindo-se em dois tratamentos: tratamento de semente e pulverização foliar. Em todas as épocas de plantio é essencial o uso de produtos para o tratamento de semente visando o controle inicial da mosca branca, e entre os produtos de destaque têm-se o acetamiprido e tiametoxan, que proporcionam excelente taxa de controle. As aplicações foliares são várias ao longo do ciclo e envolvem produtos dos grupos químicos neonecotinóides como tiametoxan, acetamiprido, organofosforados como acefato, e piretroides como fenpropatrina, reguladores de crescimento como buprofezina, piriproxifem e espiromesifeno e inseticidas de contato como diafentiuron do grupo químico feniltioureia, além do cyantraniliprole que é uma diamida antranílica com excelentes resultados de controle.

No próximo artigo será abordado as estratégias no manejo da mosca branca na cultura do feijão utilizadas pelo autor desde artigo, Tiago Borges.

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Sobre o Autor

Vanessa Sabioni

Graduada em Egenharia Agrônoma e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa – MG. Atualmente cursa o MBA em Marketing ministrado pela Esalq-USP. CEO e Fundadora da Rede Digital AgroMulher.

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