sexta-feira, setembro 21

Esalqshow celebra agricultura digital e controle biológico

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Formas mais inovadoras e sustentáveis de se produzir foram os principais temas técnicos apresentados durante o evento

Foram dois dias intensos de apresentações, palestras e visitas, 3 mil participantes, 55 palestrantes e 65 expositores, em 10 mil m² de atrações. A primeira edição da Esalqshow, que ocorreu nos dias 10 e 11 de outubro, trouxe à tona as inovações tecnológicas e os desafios de um agronegócio que não para de crescer, mas precisa se encaixar na pauta sustentável, moderna e ágil do público urbano atual.

Na cerimônia de abertura, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, apresentou a proposta da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, na sigla em inglês), de que o mundo precisa aumentar a produção de alimentos em 20% nos próximos 10 anos. “Para que isso ocorra, o Brasil precisa elevar em 40% sua produção agrária. Temos terra disponível e com qualidade, gente preparada e tecnologia de ponta para atender essa demanda global”.

Esse foi o tema que permeou todo o evento, no qual drones, startups, aplicativos, agricultura digital, biotecnologia e manejo integrado de pragas e doenças deram o tom dos negócios e das discussões técnicas.

Manejo integrado de pragas e doenças

A produção agrícola brasileira tem inúmeros desafios como clima, oscilação de preços do produto final, má gestão das propriedades, logística e ataque de pragas e doenças. Em uma plantação tradicional de soja, por exemplo, os gastos com insumos para controlar as infestações podem chegar a 30% do total do desembolso com a cultura. Além disso, os agroquímicos (agrotóxicos) levam desconfiança e medo à mesa dos consumidores, num misto de desinformação, mau uso e alarmismo. Infelizmente, é impossível produzir no Brasil, num clima tropical, sem o uso de defensivos agrícolas tradicionais, porém, há formas de minimizar seus impactos.

Durante a palestra “Controle Biológico de Pragas e Doenças”, ministrada pelo Prof. Dr. José Roberto P. Parra, dos Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP, foram apresentados os benefício e desafios do uso do controle biológico e do manejo integrado de pragas e doenças.

Entende-se por controle biológico o uso de indivíduos ou organismos de ocorrência natural para prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças. Por exemplo, a utilização de fungos que matam insetos que comem as plantações ou são vetores de doenças.

Segundo Parra, ainda há muita desinformação entre os agricultores brasileiros sobre os resultados e o uso adequados dos defensivos biológicos. Ainda assim, sua utilização cresce 15% ao ano no Brasil e 10% no restante do mundo. “A forma de se produzir no Brasil é um desafio para o controle biológico, são safras sucessivas, plantio direto, precisamos criar um pacote tecnológico para a agricultura tropical”, explica.

Os defensivos químicos tradicionais, apesar de necessários, apresentam uma série de efeitos negativos como consumidores que exigem menos resíduos, pressão da sociedade, restrição do uso de determinados produtos, além do enorme custo para a síntese de novas moléculas químicas, visando a criação de agroquímicos mais eficientes e precisos. Segundo Parra, o custo de síntese gira em torno de US$ 286 milhões. Além disso, o uso indiscriminado desses produtos vem gerando uma enorme resistência das pragas e doenças.

Para Gustavo Ranzani Herrmann, presidente da ABCbio (Associação Brasileira de Empresas de Controle Biológico) e diretor comercial da Koppert Brasil, o grande desafio é a difusão do conhecimento para o agricultor. “Nesse sentido, a academia tem um papel fundamental na formação dos profissionais de ciências agrárias. Eles precisam conhecer o controle biológico e saber como aplicar na sua vida profissional. Hoje, esse trabalho é feito pelas empresas de controle biológico, e cada uma tem seu posicionamento comercial”, alerta.

A agricultura digital, com monitoramento preciso de pragas e doenças, deve ajudar na disseminação do controle biológico. “Com dados precisos, é possível utilizar os agentes biológicos corretos e nas áreas específicas”, explica Herrmann.

Ele também destaca que os biológicos estão inseridos na Lei de Agrotóxicos e Afins e que dessa forma o registro de novos produtos é longo e custoso. “Se tivéssemos mais agilidade e mais produtos disponíveis, certamente teríamos uma maior utilização em detrimento dos químicos.” De acordo com dados da ABCbio, enquanto no mundo há 350 agentes biológicos disponíveis, no Brasil, são somente 29.

Um mercado tão promissor tem chamado a atenção das grandes indústrias de agroquímicos, que também já iniciaram a comercialização de biológicos no Brasil. Dessa forma, o setor de defensivos agrícolas começa a se reinventar para ter alternativas inovadoras e sustentáveis tanto para os agricultores, quanto para os consumidores.

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Sobre o Autor

Flávia Romanelli

Jornalista com mais de 20 anos de experiência. Atualmente é consultora de comunicação da Ello Agronegócios, empresa de gestão e pesquisas do Agro.

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