segunda-feira, novembro 18

Drones na agricultura: possibilidade de economia de tempo chama atenção de produtores

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Agilidade, segurança e praticidade são alguns dos aspectos benéficos do uso de drone na agricultura

Com o avanço das tecnologias pelos campos do Brasil, tem ficado cada vez mais comum se deparar com drones sobrevoando áreas cultivadas, não é mesmo?

Esse fato tem explicação! Os drones têm possibilitado ao produtor uma otimização do trabalho e uma economia no que diz respeito aos custos de produção. Os drones facilitam o levantamento de dados, fornece aos agricultores informações estratégicas e tem seu uso favorecido pelo avanço tecnológico e redução dos custos de equipamentos e softwares.

As imagens geradas pelo drone possibilitam que o produtor conheça sua área e identifique possíveis falhas no plantio, reboleiras que podem ser causadas por nematoides, por exemplo, e isso facilita o manejo e os diagnósticos, partindo do princípio que os profissionais responsáveis pela área já serão previamente direcionados para o ponto que apresenta problemas. Outra possibilidade é que a identificação desse problema já seja feita pelo uso de softwares que interpretam os ortomosaicos gerados pelo drone.

Agricultura de precisão a favor do produtor

O drone é a ponta de uma cadeia que pode colaborar muito para ganhos em produtividade e economia na lavoura. Dessa forma, é também possível unir informações de drones que geram mapas, colocando-as no GPS da própria máquina e possibilitar o uso, por exemplo, de aplicação de insumos por taxa variável. Desta forma, é possível economizar uma aplicação em uma área que não teria necessidade.

Outras tecnologias que são parte das próprias máquinas, como GPS sofisticado e desligamento automático de seções, por exemplo, podem oferecer maior aproveitamento e otimização do tempo e do dinheiro do produtor.

A tecnologia na prática

Um exemplo de jovem do campo que tem investido em tecnologia para assessorar os produtores rurais com prestação de serviço é Pedro Henrique Silva que mora na região de Orizona, interior do estado de Goiás. Para ele, “a agricultura de precisão tem início com o mapeamento feito pelo drone, mas vai muito além de fazer esse levantamento do problema. É preciso solucioná-lo. E isso leva tempo. Ao longo de duas ou três safras, o produtor deve corrigir os problemas a fim de chegar ao aproveitamento desejado”.

Uma dessas formas de correção é, por exemplo, fazer manutenção nas semeadoras caso seja identificado grande número de falhas no plantio ou avaliar a possível má qualidade da semente. Pode ser também identificado pelo drone na safra atual, por exemplo, um problema na correção do solo e isso leva tempo para ser corrigido, ano após ano até chegar ao desejado.

Além disso, Pedro defende que uma das maiores vantagens do uso do drone é a economia de tempo. Em janelas de plantio cada vez mais curtas, o produtor precisa de algo que otimize o trabalho e possa ser eficiente no trabalho. “Tempo é dinheiro e o produtor gosta de ver resultados. Quem adere, dificilmente deixa de usar essa tecnologia”, destaca o jovem empreendedor.

Cenário brasileiro

Segundo o último registro de dados feito pelo ANAC, no Brasil existem 76.823 drones registrados, sendo 28.523 para uso profissional. Em regiões do Brasil onde a agricultura de precisão já é mais avançada, como nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a presença de drones já é mais comum, sendo registrados, 26.244, 9.470 e 7.108, respectivamente. Por outro lado, em muitas regiões que possuem muitos produtores pouco tecnificados, essa adesão ainda é pequena. No geral, os produtores costumam terceirizar esse serviço, uma vez que o equipamento é caro e demanda um treinamento/qualificação do operador, o que acarretaria mais custos ao produtor no caso da aquisição.

Com a expansão de áreas e avanço das tecnologias, a tendência é que em pouco tempo os drones estejam ainda mais presentes nas lavouras a fim de viabilizar e facilitar o trabalho de profissionais como engenheiros agrônomos na avaliação de determinadas áreas de grande extensão.

Os novos profissionais chegam ao campo mais “antenados” sobre o funcionamento desse tipo de tecnologia no geoprocessamento e isso fará com que o uso do drone se torne mais popular.  Pedro Henrique, que há 1 ano trabalha com drone, tem aprendido cada dia mais sobre esse novo ramo tecnológico que pode ser tão útil ao agricultor. Para ele, o drone “é uma tecnologia que vem para ficar, somar e expandir as possibilidades no mercado”.

Regulamentação de drones

O novo regulamento da ANAC, publicado no Diário Oficial da União em 03 de maio de 2017, dividiu as aeronaves não tripuladas em aeromodelos (drones usados para fins recreativos) e aeronaves remotamente pilotadas (RPA) que são drones utilizados para operações comerciais, corporativas ou experimentais. Dentro dos RPA existe uma classificação a depender do peso máximo de decolagem do equipamento.

O cadastro dos drones (aeromodelos ou RPA Classe 3) com peso máximo de decolagem superior a 250g é obrigatório e deve ser feito pelo Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT) da ANAC. O número de identificação gerado na certidão de cadastro deve estar acessível na aeronave ou em local que possa ser facilmente acessado e de forma legível.

Sobre os registros de voos também existem algumas regras. Os voos com aeromodelo e RPA Classe 3 não precisam ser registrados. O voos com as demais aeronaves não tripuladas devem ser registrados. Nesse registro de voo é preciso constar a altura de trabalho do voo, o raio e demais informações que são importantes para autorização ou não do voo.

É de extrema importância essa regulamentação dos drones e de seus planos de voo, uma vez que essas aeronaves podem causar riscos se manipuladas de forma irresponsável e inconsequente.

Foto: Pedro Henrique Silva

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Sobre o Autor

Marluce Corrêa Ribeiro

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

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