Cultivando mulheres inspiradoras – Antonielly Arce Rottoli

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Reconhecer as dificuldades em comum e o potencial das mulheres do agro é o caminho para a formação de grupos de empoderamento e motivação para essas mulheres assumirem, cada vez mais, seu papel e seu espaço no campo

Para mostrar essa força feminina no agro, criamos o quadro “Cultivando mulheres inspiradoras”. Esse quadro de entrevistas trará histórias de superação de grandes mulheres do agro, com todos seus desafios e oportunidades.

Hoje em nossa entrevista, trazemos a história da agropecuarista e Delega Regional da Aprosoja Rondônia, Antonielly Rottoli.

Antonielly, nascida e criada em Amambai – MS, declara prontamente que “o agro a escolheu”. Ela se envolveu com o agronegócio por conta do seu namorado na época da faculdade de Direito. De lá para cá, tanto o namoro quanto o amor pelo agro perpetuaram e, hoje, aquele namorado é o esposo de Antonielly, que tanto a tem ensinado e despertou nela o amor pelo agro.

Assim como a maioria das mulheres, Antonielly teve dificuldades no início, e no caso dela os maiores desafios surgiram pela falta de preparo na área do agronegócio. “A maior dificuldade é se reconhecer como gestora, e também de outras pessoas nos reconhecerem como uma mulher que também está à frente dos negócios da empresa”, pontua ela.

Quanto ao preconceito, ela destaca que o mais difícil para ela é aquele vindo das próprias mulheres da área. “O preconceito de outras pessoas também pesou muito, mas o que mais dói é o que vem da própria mulher, das mulheres que estão a nossa volta e nos desmerecem pelo que fazemos”, comenta a Delegada Regional da Aprosoja.

Diante desse cenário, Antonielly reconhece que aprendeu muito na prática e que tem um longo caminho pela frente. Antonielly aprendeu tudo no dia-a-dia, a partir da oportunidade concedida pelo esposo para participar da atividade. Encarou essa vivência como uma escola e, a partir daí, ela tem buscado também aprimoramento em cursos em diversas áreas. “Hoje, sinto que estou apenas começando e que tenho muito a melhorar profissionalmente. Tenho planos de me qualificar ainda mais”, declara ela.

Agromulheres Rondônia

Além de suas funções dentro da empresa da família, junto a seu esposo, Antonielly é uma das idealizadoras do grupo Agromulheres Rondônia, movimento sem fins lucrativos, conduzido por voluntárias, que busca unir essas agro mulheres e dar voz a elas. Segundo ela, o movimento surgiu, como iniciativa dela e de outra agro mulher, Beatriz Rosa, a partir de uma conexão despretensiosa pela internet e o encontro em alguns eventos voltados para as mulheres do agro, como o Business Day Rondônia e o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, em São Paulo.

Nesses eventos, Antonielly e Beatriz encontraram outras mulheres com as mesmas necessidades e dificuldades. A partir desses momentos e encontros, as ideias e o projeto tomaram uma proporção maior e o movimento foi crescendo dentro do estado, mais mulheres se engajando e todas trabalhando pelo mesmo propósito.

Dentro do projeto Agromulheres Rondônia, Antonielly e as demais mulheres que foram comprando a ideia do grupo perceberam que as mulheres estavam à frente de muitos negócios, mas tinham vergonhar de se posicionar como tais agentes de mudança e de importante papel. “Elas não se sentiam protagonistas da sua história. Elas estavam batalhando mas tinham vergonha em falar: ‘eu faço, sou eu que dou a ideia, eu estou junto participando da tomada de decisão’. Isso nos motivou ainda mais. Movimentos como esses são capazes de transformar vidas. Elas se inspiram, acaba aflorando o protagonismo na mulher e ela se identifica e se autoafirma, se reconhece e consegue assumir seu local, com empoderamento.”, conta Antonielly.

Desafios e potenciais femininos no cenário agro

Diante de um cenário tão amplo e diverso como o agronegócio, Antonielly considera que o maior desafio hoje é a motivação dessas mulheres do agro. “O desafio é motivar as mulheres que se identificam comigo, para que elas saiam do seu casulo e enfrentem as dificuldades, para podermos crescer juntas, uma dando força para outra”, declara.

Sob a perspectiva de Antonielly, o cenário para as mulheres no agro está mudando. “Estamos nos inserindo no mercado sob um novo olhar e uma nova perspectiva. Somos muito mais comprometidas com a questão social e com a sustentabilidade, e as empresas estão observando tudo isso. Como mulheres, promovemos um direcionamento para uma realidade mais compartilhada e distribuída. Nós investimos em qualificação e estudos, e nossas decisões são mais embasadas, correndo menos riscos. Estamos dentro e fora da porteira”, comemora.

 Aprosoja

Dentro da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), instituição reconhecida nacionalmente, Antonielly exerce a função de Delegada Regional em Rondônia. “Na Aprosoja, estou para ajudar a resolver qualquer demanda e dificuldades que os sojicultores tenham aqui dentro do estado de Rondônia, passando toda a segurança que eles precisam para investirem dentro do estado com todo o respaldo possível”, comenta ela. Desempenhar essa função é motivo de grande alegria para Antonielly. Ela reconhece que uma mulher fazendo parte da diretoria da Aprosoja, só tem a agregar.

Segundo Antonielly, a Associação é uma entidade representativa da classe, sem fins lucrativos, constituída por produtores rurais ligados a cultura de soja e milho, com o objetivo central de unir a classe, valorizando-a. A regional de Rondônia foi criada em 2015 e, assim como as outras unidades da Associação, oferece várias oportunidades aos produtores, realiza eventos, parcerias na aquisição de insumos agrícolas; oferece atendimento jurídico aos produtores e acesso a pesquisas que são disponibilizadas a Rondônia para instruir melhor os produtores; realiza análises de solo e mantém um ótimo relacionamento com a Embrapa. E vale destacar que qualquer produtor de soja e/ou milho pode se associar à Aprosoja.

O agronegócio brasileiro

Agropecuarista que é, Antonielly reconhece que o agronegócio no Brasil é bem forte, tem grande participação no PIB, e a tendência normal é continuar crescendo. Ela destaca que conhecer bem esse mercado permite ter mais base para tomar decisões e identificar onde vale a pena investir seus esforços e os recursos financeiros. “Estamos em um excelente momento, por conta da alta no preço tanto da soja como do boi, podendo o agropecuarista investir ainda mais em tecnologia para a melhoria de seu negócio”, pontua Antonielly.

A população mundial cresce a todo momento e as exigências quanto a produção, tanto de grãos quanto da carne, também acompanha esse ritmo. “A importância e a atenção com a produção motiva ainda mais o avanço do agronegócio no Brasil. Então, um dos maiores e melhores argumentos que reforçam a importância do agronegócio, são os valores do PIB e a extrema expressividade desse setor. Hoje, o agronegócio sozinho representa 21,1% do PIB brasileiro. Como todo mundo sabe, o Brasil é um dos maiores produtores de alimento do mundo, dispomos de vários recursos, principalmente climáticos, que favorecem a nossa vasta produção. Todos estes recursos associados aos investimentos feitos em tecnologia coloca o Brasil como o celeiro de tantas culturas”, relata a agropecuarista.

Segundo Antonielly, a liderança mundial ocupada pelo Brasil não é só resultado de grandes produções, mas de sustentabilidade e competitividade vindas de tecnologias modernas e inovadoras, entre elas o vasto uso do plantio direto com seus inúmeros benefícios. Rondônia trabalha com essas formas de tecnologia, conseguindo produzir a 3ª safra, utilizando o boi, que é prática comum no estado. A agropecuarista avalia que a produção de alimento de Rondônia é baseada então em 3 pilares: a prática social, o ganho econômico e a conservação ambiental.

O café de Rondônia: Robusta Amazônico

Dentre as grandes culturas potenciais de produção em Rondônia, o café ocupa posição de destaque. Antonielly relata que, atualmente, Rondônia é responsável por 97% de todo o café produzido na Amazônia. O estado é o 5º maior produtor de café do País e o 2º da espécie Cofeea canephora. O café produzido em Rondônia é denominado como o Robusta Amazônico e é produzido por cerca de 17 mil produtores familiares, com destaque para muitas mulheres que fazem parte de todo o processo de produção, sempre presentes. Antonielly destaca que a expectativa de produção para a safra de 2020 é superior a 2,3 milhões de sacas em uma área plantada de 65 mil hectares no estado.

“A cafeicultura em Rondônia é plural e inclusiva. Tem a participação das mulheres, dos jovens e dos indígenas que são parte fundamental para o movimento das lavouras e quando se fala em produção de café em Rondônia, já conhecido nacionalmente, é um trabalho muito bonito”, comemora Antonielly que tem muito orgulho do café de Rondônia.

De agro mulher para agro mulheres

Quando incentivada a deixar uma mensagem para as outras agro mulheres que lutam todos os dias por seu espaço, Antonielly destaca o quanto deseja que as mulheres sejam reconhecidas pelo seu trabalho dentro do agronegócio.

“Quero que as mulheres, cada vez mais, façam parte das tomadas de decisões, assumindo cargos de gestão e liderança, por sua competência. Quero que tenham reconhecimento de seu trabalho por meio de salários mais justos e que se especializem e busquem sempre mais conhecimento em temas relacionados ao campo, formação profissional, em gestão de pessoas e gestão de negócios.  Queremos quebrar os preconceitos e somar esforços ao que vem sendo realizado em prol do agro no país. Defendo a quebra de barreiras, temos que desmistificar que ‘mulher não pode’, A MULHER QUER E PODE SIM! Podemos ir e chegar onde quisermos!!!”

A história de Antonielly é mais uma das muitas histórias inspiradoras que vamos cultivar por aqui. Acompanhe nosso quadro e se inspire com a gente e com essas grandes agro mulheres!

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Sobre o Autor

Marluce Corrêa Ribeiro

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

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