sexta-feira, setembro 21

Congresso reúne lideranças femininas do agronegócio e propõe novas formas de atuar no setor

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Mais de mil mulheres participaram de dois dias de plenárias, workshops e muita troca de experiências.

O 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, realizado nos dias 17 e 18 de outubro, reuniu em São Paulo cerca de 1.200 mulheres envolvidas no setor agro, ávidas por conhecimento e reconhecimento.

A energia e disposição das participantes deste encontro, desde a primeira edição, é muito diferente das encontradas em outros eventos voltados ao agronegócio. Isso porque as mulheres presentes se mostram interessadas em novos conhecimentos e principalmente em dividir experiências e informações com as demais. O relacionamento e as informações trocadas entre as congressistas são quase tão importantes quanto os apresentados nas plenárias e workshops.

Dentre muitas mulheres inspiradoras e cases de sucesso, destaco a apresentação de Mariangela Albulquerque, diretora executiva da Agro Marketing Mix, que enfocou a importância de agregar valor às commodities agropecuárias e de “abrir as porteiras”. “De acordo com o PIB do Agronegócio, somente 30% da riqueza é gerada dentro da porteira. É preciso que o produtor rural agregue valor ao seu produto, muitas vezes beneficiando, embalando e distribuindo com marca própria para públicos específicos”, explica. O manejo diferenciado também pode ajudar a alcançar novos mercados e conseguir melhores preços.

Mariangela citou alguns de seus clientes que conseguiram esse diferencial, como produtores de café gourmet que conseguem agregar 2,5 vezes o valor da saca quando empacotam o produto, 15 vezes quando produzem cápsulas para cafeteiras e 43 vezes quando criam uma cafeteria própria. Há também o exemplo da produtora de leite mineira, que produz o queijo Senzala, que ganhou um concurso na França. Ela consegue 10 vezes o valor do litro do leite com a venda do queijo especial.

No Brasil, há somente 49 registros de produtos regionais, como o Queijo da Canastra, enquanto que na França são 270 e na Itália, 390. “Esse é um grande diferencial para o produtor que quer parar de produzir apenas commodities, que têm seu preço definido por bolsas internacionais”, pondera Mariangela.

Ela destaca que é preciso começar a mudar o comportamento do produtor rural brasileiro. “É necessário levar conhecimento ao campo, organizar e ensinar os caminhos. Precisamos criar um produtor/empresário, que tenha uma forma diferente de pensar.”

Um dos pontos altos do Congresso foi a apresentação da pesquisa que traça o perfil da mulher que atua no agronegócio e que está em busca de diferenciação na gestão e condução das propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias.

Todas as Mulheres do Agronegócio

As mulheres que atuam nos diferentes elos da cadeia do agronegócio começam a romper com os estereótipos e preconceitos, mas ainda têm um longo caminho a percorrer. São gestoras competentes, trabalhadoras motivadas e bastante conciliadoras, pois transitam entre o campo e a cidade com a mesma facilidade que harmonizam carreira e família, mas ainda sofrem preconceito no meio em que atuam apenas por serem do sexo feminino. Foram essas algumas das conclusões da pesquisa Todas as Mulheres do Agronegócio, que entrevistou 862 participantes de todo País.

A maioria das entrevistadas disse estar preparada para as posições de liderança – já conquistada por muitas dentro das fazendas, onde são proprietárias (59,2%), mas ainda insipientes no mundo corporativo (10,4%) – e se interessa também por aprimorar conhecimentos sobre gestão empresarial, de pessoas e finanças.

O levantamento detecta preconceito em relação a atuação das mulheres no agronegócio – 44,2% delas já sentiram preconceito evidente, enquanto 30% acusam preconceito sutil, apesar da maioria (55,5%) se sentir apta para liderar.

Entre os dados revelados no levantamento, destaca-se que 49,5% das entrevistadas atuam em propriedades classificadas como minifúndio, 26,1% em pequenas propriedades, 13,5% em médias e 10,9% em grandes fazendas. Por tipo de atividade, 73,1% trabalham dentro das fazendas, 13,9% nos elos da cadeia produtiva após a fazenda e 13% “antes da porteira”.

Em relação ao tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham nas atividades dentro da propriedade rural, 3,7% atuam em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro, 2,8% são do comércio, 2,3% estão em segmentos ligados a governos, e 2,1% trabalham em atividades nos vários segmentos da agroindústria. Quanto à posição ocupada no negócio, a maioria, 59,2% das entrevistadas, é proprietária ou sócia; 30,5% são funcionárias ou colaboradoras; e 10,4% são gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.

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Sobre o Autor

Flávia Romanelli

Jornalista com mais de 20 anos de experiência. Atualmente é consultora de comunicação da Ello Agronegócios, empresa de gestão e pesquisas do Agro.

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