segunda-feira, dezembro 10

A busca pelo profissional perfeito tem nos tornado recrutadores desumanos

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Venho acompanhado a batalha de muitos colegas que estão há meses em busca de um emprego. Profissionais competentes, experientes, que procuram uma chance de se recolocarem no mercado.

É muito triste observar que no mundo corporativo, mesmo com tanta evolução, ainda existam pessoas que tratam um desempregado como alguém que portasse uma doença contagiosa. Ora, não são apenas incompetentes que são desligados das organizações. Pelo contrário. Profissionais exemplares muitas vezes ameaçam chefes incapazes, que por sua vez, preferem ir eliminando todo tipo de risco que possa atingir o seu grande e glorioso cargo de status.

As pessoas são desligadas e se desligam por “N” motivos. Existem muitos incompetentes empregados e muitos bons profissionais à procura de uma oportunidade.

E quando os candidatos conseguem participar de uma entrevista, permanecem ansiosos pela espera do feedback. Ele é ouro para quem se candidata a uma vaga. Quase ninguém recebe, mesmo quando ele é negativo. Geralmente, as empresas lançam as vagas em todas as redes possíveis, com o intuito de abranger o maior número de candidatos, e se esquecem de trabalhar com prazos, retornos, e mais que isso: esquecem que estão lidando com os sonhos das pessoas. Uma proposta de emprego vai muito além de uma simples entrevista ou uma prova teórica, ela faz o candidato se questionar sobre sua qualidade profissional, faz com que ele crie uma expectativa, envolva a família e as pessoas que torcem pelo seu sucesso nesta trajetória.

Quando estamos ofertando uma vaga, desenhamos o profissional dos nossos sonhos e criamos modelos de veneração, criticando muitas vezes de maneira arbitrária quem não se encaixa nestes perfis.

Devemos nos atentar também para a forma mecânica de seleção. Deixamos de ouvir. Deixamos de classificar nos detalhes. Muitos processos seletivos hoje são computadorizados. Você só vai ter contato humano se conseguir avançar muitas etapas. Com isso, deixo de sentir a energia do candidato, a vontade dele, o engajamento, tom de voz, o brilho no olhar. Deixo de ouvir a sua história. De saber o caminho que percorreu para chegar até ali. Posso ter na minha frente um colaborador com um futuro promissor, que apesar de um currículo pobre, só precisa de uma oportunidade para realizar um trabalho extraordinário.

A falta de tempo tem nos tornado intolerantes. Não temos paciência para ensinar, queremos um profissional preparado, pronto, que não gaste o nosso precioso tempo com perguntas improdutivas, mas esquecemos que um dia, também fomos ensinados por alguém que felizmente teve paciência, e que ajudou a nos tornar os profissionais que somos hoje.

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Sobre o Autor

Mariely Biff

Professora Universitária e Consultora em Agronegócios no estado de Mato Grosso. Também atua como voluntária da ONG Por1Sorriso e é fundadora da ONG Seja Luz.

1 comentário

  1. O que acontece muitas vezes é que quando disponibilizamos uma vaga aparece muito candidato que querem o emprego mas não o serviço , com pouco comprometimento, aí você entrevista 20 pessoas assim , e começa a desanimar, e aí vem a falta de paciencia e interesse pelos candidatos, passando despercebidos os bons, mas concordo contigo sobre o tempo, tem que ser um prazo maior a seletiva para não ser um processo muito corrido.

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