segunda-feira, novembro 18

Às vezes só queria esquecer que sou mulher…

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Calma, antes que você me crucifique pela frase acima, queria esclarecer que amo ser mulher e não gostaria de ter nascido homem… mas, como estamos no “mês das mulheres” não pude deixar de refletir qual é o meu sentimento em relação a essa questão.

Assim como todas as agrônomas, enfrento as dificuldades de ter escolhido uma profissão até então tão masculina (hoje em dia mudando muito, graças às Deusas!).

Eu, assim como você, que também pode ser de outras áreas, já passei por nariz torto, deboche, indiferença, olhar de piedade, assédio, piadinhas de mal gosto…e sim, eu sei diferenciar quando alguém faria isso para qualquer pessoa e quando só fez porque sou mulher.

E isso nem me machuca tanto, porque nunca ouvi da minha mãe que não poderia fazer qualquer coisa porque era menina, como já ouvi muito por aí, infelizmente! Como sempre fui criada com muita liberdade, quase nem percebo preconceitos, só quando é muito explícito.

E só fui ter contato com o tal machismo quando entrei para o mercado de trabalho, pois mesmo na faculdade não percebi (minha sala era meio a meio, diferente de outras realidades da época).

O que mais me dói na verdade, é nas minhas conquistas ser lembrada e elogiada pelo fato de ser mulher. Ter sido poupada de um desafio maior porque sou mulher, porque sou mãe. É quando trabalho em equipe com vários homens e sou a única elogiada porque sou a mulher. É quando sirvo de exemplo “viu, ela conseguiu… uma mulher”. É não poder conversar com meus colegas em momentos de descontração do mesmo modo que converso com as colegas porque não “pega bem”, como se não fosse possível a uma mulher ter interesse só e somente pelo assunto. É quando vou a eventos e existe a ala dos homens e a ala das mulheres. Só quando comecei a trabalhar que percebi que o fato de ser mulher vinha antes de ser indivíduo. E se existe esse canal, no qual você me lê agora, é porque ainda há batalhas a serem vencidas, principalmente nessa nossa área agro.

Talvez você viva em um local que já esteja bem mais avançado nessas questões, mas nos locais de fronteira agrícola, a coisa ainda anda atrasada.

Mas se tive dificuldades, também as venci sem abrir mão das minhas qualidades femininas, que se mesclam ao meu ser, porque sim, somos diferentes e não precisamos nos masculinizar para sermos aceitas.

Assim como você, estou aqui, seguindo minha vida e rompendo essa primeira barreira nas relações, porque depois disso, o horizonte é igual para todos!  E deixando para lá aquelas que não querem ser rompidas, pois não me abalam mais. Apesar dos pesares, tenho mais a agradecer do que reclamar! Me sinto agradecida por ter nascido em uma nova era, onde tudo já está mais fácil para nós, em um caminho aberto por muitas! Hoje só existe impedimento se você deixar, se você se sentir vítima! Sonho com um futuro em que não precisaremos mais de Dia das Mulheres ou teremos um Dia dos Homens com a mesma importância, como duas forças opostas e complementares que são, com igual importância, como já nos diz há milhares de anos a sábia filosofia chinesa do Yin e Yang.

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Sobre o Autor

Josi Prado

Engenheira Agrônoma formada pela UNESP, com pós graduação em Gestão do Agronegócio pela FGV e cursando especialização em Manejo do Solo pela Esalq/USP. Atua há 10 anos no mercado com passagens por grande fazenda produtora de fibras e grãos, como coordenadora e gerente de tecnologia, e multinacional de fertilizantes, como supervisora de marketing. Atualmente trabalha com cursos on-line, treinamentos e palestras na área de manejo da fertilidade do solo e agricultura de precisão. Criadora e produtora do canal Agro Insight no YouTube, também é responsável pelo blog www.ains.com.br.

6 Comentários

  1. Avatar
    Daniel Pereira Rocha em

    A importancia de você ter sempre “o que dizer” dentro de sua àrea de atuação é mais significativo e ùtil, pra voce como profissional e pro seu campo de trabalho, do que qualquer outra coisa….tem muito homem….assim como muita mulher que só fica no “trivial”. Sendo assim…acredito que o que faz vc ser notada, e ou incomoda não é o ser mulher..mas aquilo que você faz de diferente…

  2. Pingback: De Têmis a Ana Terra – O campo e as leis, pelas mulheres | AgroMulher

  3. Avatar
    Helaine Almeida em

    Parabéns pelo artigo Josi, ele expressa de forma real as experiências vividas por nós mulheres do campo, Seus textos expõem questões fundamentais a serem analisadas, como sugestão, poderia escrever sobre como superar esses obstáculos. Obrigada por dividir sua experiência conosco, espero ansiosamente pelo próximo artigo.

  4. Pingback: Pecuária leiteira: gestão em tempos de crise e exemplo de perseverança | AgroMulher

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