quinta-feira, setembro 20

Aprendendo a extrair lições dos fracassos organizacionais

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Somos programados desde pequenos a acreditar que errar é algo extremamente ruim e improdutivo. Ensinam que o erro e a culpa, geralmente são inseparáveis, e, ao admitir um erro tenho que pagar por ele.

Uma criança em idade escolar, geralmente é avaliada por suas notas, onde seu potencial é totalmente vinculado a algo simbólico.

Então, crescemos com essa ideia de perfeição. 

Ao trilhar um caminho, minha atenção está voltada aos pequenos desvios que cometi, quando deveria exaltar todo o percurso que realizei de maneira correta. E no momento em que me perguntam como fiz para chegar ao meu destino, pouco me lembro dos pontos positivos. Fui ensinada a enxergar os fracassos, a sentir vergonha deles e me culpar por isso.

O nosso desafio não é só emocional. É também cognitivo. Mesmo involuntariamente, damos primazia a evidências que confirmem nossas crenças (deixando outras explicações em segundo plano). Como seres humanos, tendemos a minimizar nossas responsabilidades e colocar parte da culpa em fatores situacionais ou externos e geralmente fazemos o inverso quando somos líderes e avaliamos os erros dos outros.

Em primeiro lugar, errar faz parte do processo. Nem sempre é tão ruim assim. Existe muito aprendizado que só é possível adquirir através dos erros cometidos.

No ambiente organizacional, é preciso uma visão muito aguçada da liderança para de fato extrair o aprendizado de tudo isso. Devo abandonar velhas crenças culturais e noções estereotipadas sobre o sucesso e abraçar as lições do fracasso.

O líder tolerante a falhas inevitáveis nos processos em sistemas complexos, por exemplo, não irá promover a mediocridade por isso. Pelo contrário. A tolerância é fundamental no processo de correção das atividades. Além disso, errar traz consigo uma grande carga emocional, e um líder deve estar muito preparado para fazer com que a organização aceite isso de maneira cordial.

Devemos ter coragem para encarar as nossas falhas e as alheias (em qual temos participação), e criar um ambiente harmonioso, onde o erro seja visto não apenas como incompetência ou desatenção (e recebido com rejeição e fúria), mas que possa ser uma porta para um aprendizado em equipe e oportunidade de aprimoramento contínuo, onde o diálogo não seja sufocado.

Estamos em um ritmo acelerado, onde as organizações precisam contemplar mais o ser humano e suas habilidades, lhes dando possibilidade de crescimento e aprendizado mediante erros e acertos (comuns em qualquer empresa).

Esse medo da liderança deve dar lugar a um novo paradigma – o que reconheça, de fato, que falhas são inevitáveis nas organizações-. Quem conseguir detectar, propor soluções, corrigir e aprender com elas antes das outras empresas, triunfará. As que ficarem focadas na culpa e em procurar culpados para tudo, estão fadadas ao fracasso.

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Sobre o Autor

Mariely Biff

Professora Universitária e Consultora em Agronegócios no estado de Mato Grosso. Também atua como voluntária da ONG Por1Sorriso e é fundadora da ONG Seja Luz.

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