segunda-feira, outubro 22

Aprendendo a aprender – memória e emoção

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Muitas vezes nos deparamos com limitações em nosso conhecimento, e certamente você já se questionou: como adquirir mais conhecimento?! Será que é só ver um vídeo, ou ler um texto, e aquilo será memorizado?!

Eu estudei um pouco desse universo que compõe a aprendizagem e memorização para entender como fixamos os conteúdos, e o resultado é: emoção. Aquilo que, de certa forma, encontra sentimentos em nós, mais facilmente é fixado em nossa memória.

A aprendizagem no ser humano se dá através dos processos de fortalecimento ou enfraquecimento das conexões neurais, as quais têm seus padrões conectivos alterados a todo o momento em resposta às percepções, pensamentos e ações. O conhecimento acerca da Neurociência por parte das pessoas, mas principalmente àqueles ligados à educação, pode ser de grande benefício quando este conhecimento reforça a compreensão de como pequenas atitudes impactam grandemente o aprendizado, e por consequência, a qualidade do ensino do indivíduo ao longo de sua jornada educacional, e até de sua vida adulta.

Não se trata apenas de formar bons alunos ou bons leitores, mas desenvolver através da leitura consciência crítica e cidadania. Tampouco é uma questão de transferir a responsabilidade do aprendizado completamente para os professores desde os primórdios desta atividade, mas outrossim com este tipo de conhecimento ampliar a base destes profissionais para habilitá-los a ir mais profundamente em sua responsabilidade como condutores da formação de cidadãos capazes de pensar e questionar, e de conduzir sua trajetória como pessoas livres e felizes. É também uma responsabilização para nós, adultos, conduzirmos nossa evolução cognitiva.

A dimensão continental do Brasil, bem como as distintas origens de formação étnica e demográfica, além das desigualdades econômicas e por consequências sociais elevam a complexidade de se conduzir um planejamento educacional eficaz, bem como, uma formação pedagógica que contemple os professores de uma forma mais adequada a tratar essas diversidades a fim de minimizar as desigualdades sociais e diferenças regionais.

Porém, quando se compreende a profundidade da Neurociência e sua aplicação no contexto escolar, o professor torna-se um agente capaz de minimizar as diferenças entre as distintas realidades, ou seja, mesmo que a criança não seja estimulada em casa, sofra outras debilidades que possam impactar a aprendizagem, o professor detentor do conhecimento neurocientífico, é capaz de conduzir a aprendizagem reconhecendo a diversidade da estrutura cerebral, pois, a sala de aula é um coletivo conduzido por um indivíduo capacitado.

Para a aprendizagem acontecer ela recruta principalmente a atenção, pois o registro na memória acontece através da retenção de informações relevantes, sendo, porém, essa capacidade restrita por hierarquia biológica, uma vez que a relevância das informações vai ser definida pela sobrevivência do indivíduo, não sendo restrita apenas a fatores emocionais, mas também depende de expectativas geradas por fatores novos.

Havendo padrões significativos, ou informações que remetem a experiências anteriores, a organização cerebral codifica isto como possível de se armazenar, segundo o neurocientista Izquierdo. Ou seja, se algo capta nossa atenção, e encontra eco em nossa realidade, é mais fácil de ser aprendido e memorizado.

Dessa forma, o que é relevante para a memorização de uma criança não necessariamente vai ser para outra, variando o conceito de significativo entre eles, e uma vez que o registro de informações é estabelecido por uma ordem de estímulos pessoais, a informação que é retida por cada indivíduo varia significativamente.

Mais do que aprender a ler e escrever, a aprendizagem significa dispor de conhecimento elaborado e poder usá-lo para participar e intervir na sociedade e, assim, no mundo e na vida. Inserir-se no contexto social se dá através de normas pré-estabelecidas, como ler e escrever, e o uso dessas normas, torna o indivíduo apto a convivência, a desempenhar funções de estudo e trabalho.

A autonomia de um indivíduo é diretamente proporcional ao seu conhecimento, e dessa forma, aprender a aprender pode nos levar mais longe em nossas próprias descobertas.

A ligação entre memória, educação e aprendizagem (artigo) – http://educere.bruc.com.br/ANAIS2013/pdf/9302_6965.pdf

 Ivan Izquierdo – A química da emoção e da memória – https://www.youtube.com/watch?v=TKG1pYvfXJw

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Sobre o Autor

Noelle Foletto

Engenheira agrônoma formada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós graduação em Agronegócios na Faculdade Antonio Meneghetti (AMF). Nascida e criada na região orizícola do RS, iniciou a carreira neste setor, passando por todas as suas etapas, trabalhando posteriormente em multinacionais voltada para Marketing e Vendas. Leitora voraz, a curiosidade a levou por cursos em diversas áreas, como psicologia, formação humana, gastronomia, liderança pessoal, design thinking, entre outros. Apaixonada por plantas e por tudo que envolve o agronegócio, é também idealizadora do blog Nonô na Estrada.

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