segunda-feira, novembro 23

Agronegócio é integração

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Destaque como promissor sistema de cultivo, a Integração Lavoura Pecuária Floresta tem sido utilizada como ferramenta de otimização de áreas de produção e recursos em busca de maior rentabilidade econômica, sustentabilidade e benefícios sociais

Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

Você já deve ter ouvido falar inúmeras vezes sobre ILPF e seus incontáveis benefícios e formas de manejo e utilização.  Mas vamos entender o cenário dos diversos tipos de integração no Brasil e quais vantagens os produtores encontram ao adotar esses sistemas? Continue sua leitura e fique informada sobre esse promissor sistema de produção.

O que é o sistema ILPF?

O setor agropecuário tem buscado se reinventar diante de um cenário com recorrentes aumentos de custos de produção e um mercado cada vez mais competitivo. A exigência pelo aumento da produtividade, qualidade e rentabilidade, sem comprometer o meio ambiente é um desafio diário dos agropecuaristas.

Diante desse cenário, uma alternativa tem se tornado atrativa nos últimos anos: o uso de sistemas de integração que incorporam atividades de produção agrícola, pecuária e florestal, em dimensão espacial e/ou temporal, buscando a sustentabilidade da unidade de produção. Dentro dos diversos tipos de sistemas de integração, as atividades podem ser feitas em cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de forma que haja benefício mútuo para todas as atividades.

Classificação dos sistemas

Atualmente, os sistemas de integração estão se expandindo, especialmente para produção de grãos, fibra, energia, florestas e bovinos de corte e leite, além de ovinos e caprinos, dependendo da região. Dentro da classificação desses sistemas, diversas são as alternativas e estratégias a serem escolhidas e utilizadas a depender das particularidades de cada propriedade.

A escolha por qual estratégia utilizar dependerá das características da região e da propriedade, como proximidade de mercado, logística, relevo, clima, aptidão da propriedade, maquinário disponível, entre outros. Os sistemas podem se classificar em quatro modalidades:

  • Integração Lavoura-Pecuária (ILP):sistema de produção que integra o componente agrícola e pecuário em rotação, consórcio ou sucessão; na mesma área e em um mesmo ano agrícola ou por múltiplos anos.
  • Integração Pecuária-Floresta (IPF):sistema de produção que integra o componente pecuário e florestal, em consórcio.
  • Integração Lavoura-Floresta (ILF): Sistema de produção que integra o componente florestal e agrícola, pela consorciação de espécies arbóreas com cultivos agrícolas (anuais ou perenes).
  • Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF):sistema de produção que integra os componentes agrícola, pecuário e florestal em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área.

Vantagens da integração

Uma propriedade que implanta um sistema de integração lança mão dessa estratégia em busca de diversas vantagens e benefícios. Dentre todas as modalidades, a mais completa é a ILPF, portanto, a partir dela pode-se elencar inúmeras vantagens ao produtor e ao meio ambiente com o uso desta integração.

Entre essas vantagens, pode-se citar: o aumento da renda líquida do produtor uma vez que ele terá mais de uma atividade como fonte de receitas para a fazenda; aumento da produção de grãos, carne, leite, produtos madeireiros e não madeireiros em uma mesma área; melhoria da qualidade e conservação das características produtivas do solo; possibilidade de aplicação em propriedades rurais de todos os tamanhos e perfis; e maior estabilidade econômica com menores riscos, tendo em vista a diversificação das atividades dentro da propriedade.

Além disso, os benefícios ambientais e promotores de bem-estar animal também são um grande diferencial dos sistemas de integração. Entre esses benefícios, pode-se citar: a melhoria do bem-estar animal em decorrência do conforto térmico, no caso do uso das florestas dentro do sistema; redução da pressão pela abertura de novas áreas; manutenção da biodiversidade; otimização da ciclagem de nutrientes do solo; e maior eficiência na utilização de recursos como água, luz, nutrientes e capital.

Os benefícios sociais também são destaque em propriedades que adotam os sistemas de integração. Entre eles: redução da sazonalidade do uso de mão-de obra no campo e do êxodo rural; geração de empregos diretos e indiretos; e melhoria da imagem pública dos agricultores perante a sociedade.

Desafios da integração

Os benefícios dos sistemas de integração são indiscutíveis, mas os desafios para a implementação desse tipo de sistema também são inúmeros. Um dos maiores desafios é a própria resistência do produtor à adoção de novas tecnologias e até a resistência ao próprio conceito e formato de integração por conta do tradicionalismo em uma única cadeia produtiva.

Além disso, outros fatores podem ser encarados como desafios, como por exemplo, a exigência de maior qualificação e dedicação por parte de produtores, técnicos e colaboradores; a necessidade de maior investimento financeiro na atividade; os altos investimentos necessários em infraestrutura para implementação de cada um dos componentes do sistema; a localização da propriedade que pode estar a longas distâncias de indústrias de insumos e/ou do mercado consumidor/indústria dos produtos de algumas das atividades; e o retorno a médio ou longo prazo, principalmente do componente florestal.

E mesmo diante de todos esses desafios, os produtores que decidem por implementar esses sistemas de integração em suas propriedades e que trabalham de forma planejada e com gestão eficiente, constroem uma atividade sólida, rentável e que gera benefícios nos âmbitos econômico, social e ambiental.

ILPF em dados

Diversas regiões do Brasil já têm implementado as diversas modalidades dos sistemas de integração. Um mapa dessa distribuição foi produzido a partir de uma pesquisa encomendada pela Rede ILPF e realizada pelo Kleffmann Group na safra 2015/2016.  A pesquisa apontou que, até esse período do levantamento, haviam cerca de 11,5 milhões de hectares implementados com integração espalhados pelo Brasil (mapa a seguir), sendo que o sistema de integração lavoura-pecuária é adotado por mais de 80% desses produtores.

Fonte: Rede ILPF

Nos últimos dez anos, o sistema produtivo de integração (ILPF) deu um salto em expansão de área pelo Brasil. Segundo levantamento divulgado pela Rede ILPF, o crescimento foi de mais de 10 milhões de hectares nesse período, como representado no gráfico abaixo.

Evolução da área de adoção ILPF

Dentro desse cenário, a Rede ILPF enumera e resume os 5 principais motivos para o produtor, seja ele pecuarista ou agricultor, adotar o sistema ILPF:

Fonte: Rede ILPF

Case de sucesso: a integração como “divisor de águas”

Entre as tantas produtoras e produtores espalhados pelo Brasil que decidiram buscar os benefícios do ILPF e que se dispuseram a enfrentar todos os desafios, está a produtora rural Marize Porto Costa, que decidiu apostar no sistema de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) para sua propriedade. A fazenda Santa Brígida, localizada no município de Ipameri, interior do estado de Goiás, é hoje destaque nacional na execução do ILPF e, atualmente, trabalha com o sistema completo de integração entre lavoura (grãos), floresta (eucalipto) e pecuária (gado de corte).

A proprietária destaca que a implantação do sistema ILPF foi a forma encontrada para recuperar a fazenda “tirando-a da situação pouco produtiva que se encontrava, com pastos totalmente degradados, improdutivos, infestados de cupins, com mínima capacidade de lotação animal, para transformá-la numa unidade de produção sustentável e economicamente viável”.

Para Marize Porto, entre os pontos fundamentais para a implementação desse tipo de sistema, estão as parcerias. No caso da Fazenda Santa Brígida, as alianças e parcerias certas foram decisivas para chegar ao que a fazenda representa hoje. “Parcerias certas como a realizada com a Embrapa, por exemplo, fizeram toda a diferença no nosso caso, pois ela entrou com o conhecimento, enquanto nós entramos com os riscos e o trabalho para a implantação do sistema. Algumas outras parcerias com fornecedores, agentes financeiros e construção de uma equipe de consultores e, principalmente, funcionários comprometidos foram fundamentais”, ressalta a proprietária.

Dentre os inúmeros desafios superados durante o caminho, Marize destaca que iniciar algo novo dentro da atividade é sempre muito desafiador. “O início, em qualquer atividade, é sempre desafiador, principalmente quando você quebra paradigmas e introduz um novo olhar sobre a maneira convencional de fazer as coisas. Entretanto, com o passar do tempo as resistências vão diminuindo e, quando os resultados acontecem, o reconhecimento vem em dobro”, declara a produtora rural.

Nos aspectos econômicos, sociais e ambientais, Marize, que vive a prática desse sistema de cultivo, reafirma os inúmeros benefícios da integração já descritos na teoria. “No aspecto ambiental, especificamente, além de preservar o meio ambiente recuperamos os biomas nativos de várias formas: por meio do uso intensivo e integrado da propriedade; produzindo em 1/6 da área, quando comparamos o ILPF aos métodos tradicionais (sistema poupa terra); com a melhoria da qualidade do solo; com a cobertura vegetal permanente e aumento da matéria orgânica, além do plantio de florestas e mitigação dos gases de efeito estufa (temos 55% menos emissão CO2 equivalente)”, destaca.

Além disso, Marize pontua que com o uso do sistema de integração, há uma contribuição para uma maior preservação ambiental “por meio do manejo adequado do uso da água, a proteção das nascentes, o plantio direto na palha, a rotação de culturas anuais, o controle de compactação e erosão do solo, a preservação e recomposição da mata nativa, assim como a flora e fauna”, salienta. A proprietária conta também que um dos projetos futuros em estudo na propriedade é a implantação de irrigação e energia solar.

Sob o aspecto econômico, a diversificação das atividades gera inúmeros benefícios. Como exemplo prático, a produtora esclarece que na Fazenda Santa Brígida, “a diversidade de produtos permite produzir durante os 12 meses do ano, com duas safras de grãos consecutivas (soja e milho de primeira safra, além de milho de segunda safra, girassol, sorgo e milheto, consorciados com o capim), duas safras de bois (a pasto e de confinamento), além de madeiras e uvas”.

Já no aspecto social, Marize destaca que, com a integração, estão colaborando para a fixação do homem no campo, gerando mais empregos e renda, assegurando trabalho ao longo de todo o ano. “Nosso quadro de colaboradores evoluiu em quantidade e qualidade.  Todos eles são verdadeiros exemplos de colaboradores multifuncionais, com visão de sistemas de produção, sendo continuamente capacitados em tecnologias de máquinas agrícolas e insumos de última geração. Além disso, mantemos programas de qualificação permanente em saúde e segurança do trabalho, assegurando um ambiente de baixa rotatividade e elevada segurança ocupacional”, reitera a proprietária que está atenta à gestão de todos os âmbitos da atividade.

Marize Porto, proprietária da Fazenda Santa Brígida em Ipameri-GO, se diz realizada no agronegócio

Diante de um cenário promissor para o desenvolvimento de sistemas de integração, Marize Porto se diz realizada e esperançosa dentro do setor, assim como inúmeras outras mulheres que atuam no agronegócio. Para ela, fazer parte de um setor que atende a nobre missão e o desafio de alimentar o mundo, é uma realização pessoal. E ela ainda declara qual o seu sonho como produtora rural que trabalha com ILPF. “O meu maior sonho é ver o Brasil reconhecido mundialmente como o país que, além de liderar a produção de alimentos, fibras e energia, também é referência na preservação ambiental”, finaliza. 

Quer assistir o nosso vídeo que apresenta a força do agro com a integração? CLIQUE AQUI ou acesse as redes sociais do Agromulher e veja todo esse conteúdo. Afinal, agronegócio é integração!

Este conteúdo integra a websérie Agro 360º, que é uma realização Agromulher, promovida pela Ram do Brasil. Fique ligado (a) nas redes sociais da Agromulher para não perder nenhum episódio!

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Sobre o Autor

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