Agronegócio é cultivo

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O agronegócio continua se reinventando mesmo em tempos de crise. Além de garantir o abastecimento interno, o setor apresentou crescimento de 1,9% do PIB no primeiro trimestre de 2020, em comparação ao mesmo período de 2019, segundo a CNA

Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

O Brasil, um país continental e privilegiado por suas condições climáticas e localização, tem se destacado cada vez mais na produção agropecuária. Com uma mudança histórica de aumento de produtividade, o setor sente esse crescimento safra a safra, com maior investimento em tecnologia e menor necessidade da abertura de novas áreas, em busca de uma agropecuária mais sustentável e responsável.

Em meio a uma pandemia que tem mudado o comportamento da população mundial e afetado diretamente inúmeros negócios e empresas, o agronegócio tem se reinventado para atender a demanda por alimento e demais mantimentos que são matéria-prima de tantos outros produtos. A produção agropecuária não pode parar e segue firme cumprindo sua função de colocar comida na mesa e demais produtos na casa das pessoas.

E dentro dessa produção agropecuária de destaque, de nada adianta falar em crescimento do PIB sem ter a real noção do que isso significa e de porquê isso tem acontecido no agro brasileiro.  Temos, hoje, uma agricultura adaptada às regiões tropicais e uma legião de produtores rurais conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente aliadas à produção de alimentos.

Produzindo cada vez mais, o agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana. Além disso, o cenário das exportações também ganhou destaque nos últimos anos. A Embrapa, por meio do estudo “Visão 2030: O futuro da agricultura brasileira”, destaca que nos últimos 40 anos, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um grande provedor para o mundo. Segundo a CNA, 43% das exportações brasileiras, em 2019, foram de produtos do agronegócio.

A produção da safra agrícola brasileira deverá ficar em 247 milhões de toneladas em 2020, de acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente ao mês de abril.

Destaque na produção de bens e serviços

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2019, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 1,55 trilhão ou 21,4% do PIB brasileiro. Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que corresponde a 68% desse valor (R$ 1,06 trilhão), a pecuária corresponde a 32%, ou R$ 494,8 bilhões.

De acordo com levantamento da CNA (figura 1), a soja (grãos) é o carro-chefe da produção agropecuária brasileira, responsável por aproximadamente R$1,00 de cada R$4,00 da produção do setor no Brasil. O segundo lugar no ranking do Valor Bruto de Produção (VBP) da agropecuária brasileira é ocupado pela pecuária de corte, com R$ 139,7 bilhões, em 2020. O terceiro maior VBP é o do milho, seguido da pecuária de leite e da cana. O frango aparece em sexto lugar, seguido do café e algodão.

Figura 1: Valor Bruto da Produção no Brasil em 2019 e 2020 (em R$ bilhões)

O agro em meio a pandemia

Em abril, mesmo durante a pandemia da Covid-19, o PIB do agronegócio brasileiro seguiu em alta, sendo o quarto mês de avanço consecutivo. De acordo com cálculos do Cepea, da Esalq/USP, realizados em parceria com a CNA, no mês de abril, o crescimento foi de 0,36%. O aumento no acumulado do primeiro quadrimestre de 2020 passou para 3,78%.

O excelente resultado do segmento primário agrícola, por sua vez, reflete os preços mais elevados na comparação entre os períodos e a expectativa de maior produção na safra atual. Já para a pecuária, o resultado positivo reflete sobretudo os preços elevados em 2020, com destaque para boi gordo, suínos e ovos. Destaca-se que, em abril, os preços pecuários, especificamente da suinocultura, da avicultura e do leite, foram pressionados por medidas de isolamento social estabelecidas pelos governos.

Segundo analistas do Cepea, em abril, a demanda doméstica por carne bovina manteve-se estável e as exportações mantiveram-se aquecidas, especialmente para a China. No caso das carnes suína e de frango, houve retração da demanda doméstica com o fechamento ou a redução de atividades de restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação, mas as exportações também se mantiveram aquecidas.

O segmento de agrosserviços também cresceu em abril, apesar da pandemia, acumulando elevação no quadrimestre. Esse resultado é explicado pelo fato de que não houve paralisação do agronegócio ou problema de distribuição e abastecimento de alimentos para os supermercados e a população brasileira, com registros de casos apenas pontuais, e pelos resultados excelentes em termos de exportações, com expansão importante dos volumes embarcados.

Quanto às exportações, segundo levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citado pela CNA, atualmente, o Brasil é o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja, soja em grãos e carnes bovina e de frango; o terceiro maior de milho, e o quarto de carne suína (figura 2).

O Brasil é também o maior produtor mundial de café e suco de laranja; o segundo na produção de açúcar, soja em grãos e de carnes bovina e de frango; e o terceiro na produção mundial de milho.

Figura 2: Produção e Exportações Brasileiras no Ranking Mundial em 2019

Os diferenciais da produção agrícola brasileira

Com localização e clima favoráveis para produção agrícola, tecnologia aplicável a diversas realidades, solos férteis e que promovem boa resposta a diferentes tipos de manejo e inovação em pesquisas para otimização de terra e recursos, o Brasil consegue produzir pelo menos 2 safras anuais com altos índices de produtividade em diversas culturas agrícolas.

Apesar de possuir essas e outras características produtivas extremamente favoráveis, diversos desafios também surgem durante as safras para os agricultores brasileiros, como por exemplo condições climáticas de temperatura e umidade muitas vezes favoráveis também para o desenvolvimento de pragas e doenças que atingem nível de controle em campo. E frente a esses desafios, os produtores brasileiros têm de buscar soluções inteligentes (econômica, ambiental e socialmente) para que o Brasil continue a bater recordes de produção e produtividade ano após ano, safra após safra, e conquiste uma agricultura cada vez mais responsável.

Dentro do agro, inúmeras são as cadeias produtivas que movimentam e sustentam a economia brasileira. Um dos grandes destaques em crescimento no Brasil é a produção de madeira para papel e celulose extraída de florestas plantadas, com destaque para espécies de Eucalipto e Pinus. Segundo o relatório anual 2019 da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), em 2018, as exportações continuaram impulsionando o crescimento do setor e a celulose teve desempenho recorde no mercado externo. O Brasil atingiu então o posto de maior exportador de celulose do mundo.

Além disso, as plantações de árvores brasileiras são as mais produtivas do mundo e possuem uma das rotações mais curtas (considerando o tempo entre o plantio e a colheita das árvores) do mundo. Em 2018, também segundo a IBÁ, o Brasil apresentou uma produtividade média de 36 m³/ha/ano para os plantios de eucalipto, enquanto a de pinus foi de 30,1 m³/ha/ano.

Além dos benefícios diretos com produtos e serviços, a produção de madeira plantada gera inúmeros benefícios indiretos como o estoque de carbono. Em 2018, por exemplo, o estoque de CO2 equivalente (CO2eq) do segmento somou 4,2 bilhões de toneladas.

Carne suína brasileira em destaque

Assim como as florestas plantadas, diversas culturas agrícolas têm destaque indiscutível na produção e exportação do Brasil, mas nem só de lavouras vive o agro brasileiro. Dentre as inúmeras cadeias produtivas do agronegócio, a cadeia suinícola tem ganhado destaque no país. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor de carne suína do mundo, ficando atrás da China, União Europeia e EUA. Ocupa também a mesma posição no que diz respeito à exportação de carne suína.

E é nesse cenário produtivo que a Médica Veterinária e Doutora em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com foco em suinocultura, Carolina Fonseca Osava, destaca as vantagens que contribuem para colocar o Brasil nessa posição de destaque mundial.

“O Brasil possui muitas vantagens para a produção de suínos, dentre elas, o avanço tecnológico na produção de insumos e na tecnificação das granjas (incluindo, melhoramento genético, nutrição, ambiência). Os programas sanitários são destaque no controle e erradicação de doenças, assim como, questões relacionadas ao bem-estar animal, sustentabilidade e impacto ambiental estão em constante discussão e mudanças para garantir um produto de melhor qualidade e com competitividade no mercado internacional”, esclarece a médica veterinária.

Dentre os principais desafios da cadeia produtiva de carne suína, Carolina Osava destaca o custo de produção como um grande gargalo, principalmente relacionados aos insumos que estão diretamente ligados à instabilidade no mercado de grãos. “Outro ponto importante dos últimos anos, está relacionado aos desafios sanitários, controle de doenças emergentes e reemergentes na suinocultura, assim como, as restrições do uso de antimicrobianos. Estes fatores trazem um desafio ao produtor em estabelecer padrões nos programas de biossegurança na granja. Acredito então que estes são os principais pontos que precisam ser discutidos e colocados em prática efetiva dentro do ciclo produtivo”, pontua.

Em um cenário totalmente atípico, as atividades tiveram que se reinventar. No agro isso também está acontecendo e o setor de produção de carne suína não é uma exceção. Carolina Osava destaca alguns desafios enfrentados pela cadeia produtiva nesse momento de pandemia. “No atual cenário de pandemia da Covid-19 e a cadeia suinícola enfrentando desafios sanitários em relação a Peste Suína Clássica (PSC) e Peste Suína Africana (PSA), alguns países não estão conseguindo se manter na atividade e o prejuízo em relação a abate sanitário dos animais acometidos por estas doenças é grande, como na China, o rebanho diminuiu significativamente, e em consequência há uma queda na produtividade”, relata.

Diante de um cenário de crise de saúde pública e sanitária na produção de suínos no mundo, a médica veterinária destaca que o Brasil está trabalhando com eficiência nos programas de controle da PSC e PSA, monitorando os rebanhos suínos. “Quanto a pandemia, o setor agropecuário do Brasil não parou. Os frigoríficos e produtores estão em constante monitoramento de todos envolvidos na cadeia com programas de controle da Covid-19”, relata a médica veterinária que também é professora da área de Produção e Sanidade de Suínos.

Mesmo diante de tantas mudanças, “a cadeia suinícola está em um momento positivo de crescimento nas exportações, uma vez que países como a China, importam um volume grande de carne suína brasileira, a perspectiva é de aumento nessas importações devido as crises atuais e a qualidade do produto ser competitivo no mercado. Estudos mostram ainda uma perspectiva positiva em relação ao consumo interno, incentivos para o aumento do consumo de carne suína e atratividade em relação ao preço, principalmente quando se compara ao consumo de carne bovina, que vem aumentando o seu valor nesse momento”, finaliza.

Diante de tantas possibilidades e desafios superados, é possível entender porque a agricultura e a pecuária brasileiras ocupam posição de destaque mundial e se tornam cada vez mais fortes. Um país abençoado em recursos naturais, localização e com gente que faz do agronegócio o lugar de cultivo de um alimento de qualidade. Gente que transforma a energia do campo e o coloca como o celeiro do mundo.

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Este conteúdo integra a websérie Agro 360º, que é uma realização Agromulher, promovida pela Ram do Brasil. Fique ligado (a) nas redes sociais da Agromulher para não perder nenhum episódio!

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