Agro: negócio de mulher

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Com a medida certa entre a delicadeza e a força, entre a observação e a atitude, entre o pensar e o fazer, a mulher ocupa espaços antes tidos como prioritariamente masculinos

Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

É cada vez mais comum encontrar mulheres atuando em várias frentes no agronegócio. Elas nunca foram tão vistas e lembradas quanto hoje. O empoderamento feminino, a capacitação constante e o desejo de agir, falar e ser vista e ouvida toma conta do campo e essas agromulheres fazem uma diferença indiscutível em suas áreas de atuação.

Segundo pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio, as mulheres ocupam 30% dos cargos de gestão do segmento, mais do que o registrado na área da indústria (22%) e da tecnologia (20%). Essas mulheres são gestoras, produtoras, profissionais, empreendedoras, e estudantes, agro mulheres que lideram uma produção que corresponde a pelo menos 165 bilhões de dólares por ano, uma representatividade de quase 8% do PIB Nacional.

O perfil das mulheres do agro esbanja coragem e força. Elas demonstram grande habilidade e potencial de fazer as coisas acontecerem de forma a promover resultados positivos para a equipe e a empresa onde atuam. Além da capacitação técnica, as agromulheres colocam sua determinação, amor e sensibilidade em cada ação e tomada de decisão dentro ou fora da porteira.

“As mulheres, no geral, são comunicativas, tem perfil de liderança e gestão que é ancestral, formam grupos com facilidade e fortalecem ideias.(Vanessa Sabioni, Fundadora e CEO da Rede Agromulher)”

Além disso, o perfil de gestão também é característica de muitas mulheres e a busca incessante por capacitação, autoconhecimento e aprimoramento das habilidades faz com que as mulheres ocupem posição de destaque e sejam referência pessoal e profissional.

A Fundadora e CEO da Rede Agromulher, Vanessa Sabioni, destaca ainda que “as mulheres possuem forte influência na transformação digital do agronegócio porque elas dispõem de fortalezas intrínsecas ao gênero que as colocam em posição de destaque”. E foi pensando nessa transformação digital que o mundo vive de forma tão intensa que Vanessa identificou um tripé tecnológico: formação, socialização e conectividade. “Formação no sentido da capacitação, socialização no sentido de conectar pessoas com os mesmos interesses, e conectividade no sentido de gerar negócios”, aponta ela.

E é sustentada nesse tripé, que seja dentro ou fora da porteira, a mulher do agro possui de forma inata uma visão macro e micro do negócio. A mulher tem capacidade de enxergar o todo e, atenta aos detalhes, busca a solução ou visualiza a oportunidade tão almejada. É como se enxergasse o novo onde muita gente só vê mais do mesmo. Com perfil resiliente, a mulher deixou para trás a fama de “sexo frágil” para tomar posse e esbanjar sua força, resiliência e determinação, “arregaçar as mangas” e enfrentar os desafios diários em um mercado predominantemente masculino mas que tem aprendido muito com cada uma dessas mulheres guerreiras.

Liderança feminina

As mulheres têm se destacado como verdadeiras líderes em diversas áreas de atuação, inclusive muito além do agronegócio. Não por acaso, muitos países que figuram cases de sucesso no enfrentamento ao coronavírus, são liderados por mulheres, segundo artigo de Avivah Wittenberg-Cox publicado na Forbes Magazine e repercutido em vários veículos de imprensa. Os exemplos mais destacados são Alemanha, Nova Zelândia, Taiwan, Islândia e Dinamarca, entre outros países.

Sem sombra de dúvidas, somado às boas condições econômicas e sociais dos países citados, as características das líderes femininas contribuem para o sucesso da gestão. Características como afetividade, cuidado, solidariedade, transparência e sinceridade e o fato das mulheres pensarem no futuro com esperança, configura-se um importante diferencial para quem ocupa uma posição de liderança independente da área de atuação.

Busca incessante pela capacitação profissional

As agromulheres seguem em uma incessante busca por qualificação profissional a fim de acompanhar um mercado cada vez mais exigente. Quanto às características socioeconômicas das mulheres do agro, um estudo realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, denominado “Mulheres no Agronegócio”, destaca que o aumento da participação feminina no agronegócio foi impulsionado por trabalhadoras com um maior nível de educação formal, indicando evolução positiva atrelada a empregos que demandam maior qualificação.

Enquanto a participação das mulhe­res com instrução igual ou inferior ao ensi­no fundamental recuou expressivamente no período estudado (de 2004 a 2015), aumentou a participação das mu­lheres com ensino médio e superior atuando no agro. Especificamente, a participação das mulheres com ensino superior dobrou no pe­ríodo, passando de 7,6% para 15%.

Além de qualificadas para o trabalho, quase 68% das mulheres do agro se mostram satisfeitas com a jornada de trabalho, salário e as igualdades de oportunidade e tratamento, também segundo o estudo do Cepea. Mas a luta continua e os desafios são diários.

Alguns outros números mostram claramente que a presença feminina é cada vez maior no campo. Segundo o portal G1, hoje, nas fazendas há mais mulheres com curso superior do que homens. As mulheres ocupam 49% dos cargos de médicos veterinários e elas também estão nos laboratórios de pesquisa e em muitos setores da agroindústria. Cerca de 69% das mulheres no campo utilizam a internet e em muitas pequenas propriedades, a mulher cuida sozinha da casa e da lavoura. No agro, as mulheres planejam e executam as atividades. E cerca de 1/3 das propriedades rurais já está sob a direção feminina, mas ainda há muito espaço para a mulher conquistar no campo.

Nem tudo são flores

Ao longo deste estudo, buscou-se indi­car importantes melhorias ocorridas na participação e no perfil das mulheres ocupadas no agronegócio nos últimos anos, como o crescente nível de instrução das trabalhadoras, o maior grau de formalização do emprego e o bom nível de satisfação com trabalho.

Contudo, apesar das evoluções positivas citadas, outros aspectos ainda carecem de aten­ção, como o nível hierárquico dos cargos usual­mente ocupados por mulheres no agronegócio, além da diferença salarial por conta do gênero e outros inúmeros pontos a serem adequados.

E as mulheres seguem a luta, “matando um leão por dia” e conquistando espaço, confiança e voz dentro do mercado do agronegócio.

Quer assistir o nosso vídeo que apresenta essa força feminina no agro? CLIQUE AQUI ou acesse as redes sociais do Agromulher e veja todo esse conteúdo. Afinal, o agro é negócio de mulher!

Este conteúdo integra a série Agro 360º, que é uma realização Agromulher, promovida pela Ram do Brasil. Fique ligado (a) nas redes sociais da Agromulher para não perder nenhum episódio!

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Sobre o Autor

AgroMulher

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