sexta-feira, setembro 21

A cultura corporativa está mudando, ainda bem!

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Confesso que entrei em 2018 meio desacreditada. Depois da ascensão de ideias ultraconservadoras no ano anterior, esperava resultados ainda piores para os próximos 12 meses – uma espécie de pré-idade média em termos de direitos civis e individuais, tanto no Brasil quanto no restante do mundo.

Porém, janeiro já trouxe esperança com o caso da Salesforce, empresa norte-americana que demitiu três funcionários (inclusive o CEO brasileiro), depois que um colaborador usou uma fantasia racista na festa de final de ano da filial brasileira da empresa.

Como especialista em comunicação interna e relações com colaboradores, já considero equivocado promover uma festa corporativa à fantasia, o que pode gerar inúmeros problemas relacionados ao código de conduta de qualquer companhia, e também ao bom senso. Nesse caso, além de racista, a fantasia era inapropriada por deixar à mostra a representação do órgão genital masculino, o que poderia ter sido considerado assédio ou vexatório pelos presentes.

Se não é evidente que esse tipo de comportamento não se enquadra em um ambiente corporativo, cabe à empresa estabelecer normas e limites, além dos legais, é claro. Em casos assim, além do bem-estar dos funcionários, é preciso levar em consideração o prejuízo que uma atitude dessa pode causar à marca e à reputação da companhia.

Uma geração mais jovem e despojada de velhos preconceitos está chegando ao mercado de trabalho e o mais importante, está se tornando consumidores conscientes. Esses são capazes de descartar produtos e serviços vindo de empresas que não respeitam a igualdade de gênero, raça e idade, por exemplo. Também preferem companhias engajadas nas questões ambientais e sociais.

Para engrossar o coro do que deixa de ser aceitável, durante a premiação do Globo de Ouro 2018, nos EUA, também neste mês de janeiro, mulheres e homens se vestiram de preto como protesto aos casos de assédio sexual e moral na indústria do cinema e da televisão norte-americana. O evento foi finalizado com o discurso emocionado da apresentadora e atriz Oprah Winfrey, primeira mulher negra a receber o prêmio pelo conjunto de sua obra.

O AgroMulher, este portal e movimento criados recentemente, visa unificar e promover as mulheres que trabalham no agronegócio brasileiro, e que ainda enfrentam problemas relacionados à equidade salarial, facilidade de contratação e promoção e acesso a cargos de chefia, por exemplo.

O caminho ainda é longo e até árduo, mas 2018 está mostrando que é sem volta. A cultura corporativa está se modernizado e humanizando, e quem não acompanhar esses avanços vai perder competitividade e credibilidade. Ainda bem!

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Sobre o Autor

Flávia Romanelli

Jornalista com mais de 20 anos de experiência. Atualmente é consultora de comunicação da Ello Agronegócios, empresa de gestão e pesquisas do Agro.

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