segunda-feira, julho 23

Agricultoras do Xingu criam associação para comercializar polpa de fruta

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Foi observando os próprios quintais, onde as frutas se perdiam na época da colheita, que as agricultoras de São Félix do Xingu, região do Sudoeste do Pará, criaram a Associação das Mulheres Produtores de Polpa de Fruta (AMPPF), em 2012.
Administrada por mulheres, a Associação reúne 19 produtoras de polpa artesanal da comunidade de Maguary, Tancredo Neves e Nereu. Nada é perto ou fácil naquela região, por isso, foi necessário muito esforço para colocar a ideia em prática, buscando recursos, técnica, capacitação e até inspiração.
A Associação fez levantamentos de mercado, potencial comercial, preferência de sabores e cotação de valores, os quais apresentaram resultados promissores. Com mão-de-obra totalmente familiar, a Associação processa e vende polpa de cacau, cupuaçu, acerola, cajá, açaí, manga, graviola, maracujá, goiaba, tamarindo e outras espécies.
“Tudo é artesanal, mas passamos por cursos de capacitação para aprender o processamento adequado das frutas com todos os cuidados de higiene e saúde”, explica Maria Helena Gomes, 27, uma das associadas.
O principal mercado para as polpas é a merenda escolar, contudo a associação busca voos mais altos e, com a certificação orgânica das propriedades que vem sendo implantada com apoio do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), espera conseguir levar sua produção para outras praças.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) determina que, no mínimo, 30% dos itens da merenda escolar sejam adquiridos de agricultores familiares, o que gera uma demanda fixa de diversos gêneros alimentícios, inclusive, polpa de fruta. Atualmente, o quilo de polpa é vendido entre R$ 11 e R$ 12 para a merenda, já o açaí vale até R$ 15 em lanchonetes e padarias da região.
Maria Helena conta que no início, o projeto era uma complementação de renda das famílias e uma proposta para dar independência às mulheres, contudo, com o tempo, se tornou a renda principal e sustento de muitas famílias.
Para as mulheres, a criação da Associação foi um caminho para a independência financeira e também para aprender a empreender na floresta, já que são elas que realizam toda a comercialização de seus produtos.
O grupo trabalha por melhores resultados e reinveste parte dos recursos da venda na Associação. “A gente trabalha com as frutas que eram perdidas nas propriedades, o que significa que ainda temos potencial para crescer em produção e também área para plantar mais”, diz a atual presidente da Associação Elisangela Barros da Silva, 33.

*Com reportagem de Alessandra Morgado

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Sobre o Autor

Flávia Romanelli

Jornalista com mais de 20 anos de experiência. Atualmente é consultora de comunicação da Ello Agronegócios, empresa de gestão e pesquisas do Agro.

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