quinta-feira, novembro 15

A tradição da Agricultura que atravessa gerações

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Quando recebi o convite da Vanessa do Portal Agro Mulher para contar a minha história de vida, fiquei muito feliz e lisonjeada, pois além do orgulho que sinto é muito gratificante e me faz bem relembrar algumas passagens dessa trajetória que este ano completa 14 anos.

Ou será que seriam 35? Vez que nasci na fazenda onde meus pais Eugênio Inácio Steinmetz e Clélia Steinmetz, juntamente com meus avós paternos, Mathias Claudino Steinmetz e Alzira Ross Steinmetz fizeram morada, no ano de 1979, ao se mudarem do Rio Grande do Sul para Goiás em busca de melhores condições de vida, e lá morei até meus 15 anos de idade, sendo hoje a terceira geração da família no Agro.

Independente do tempo, fato é que tenho verdadeira paixão pela agricultura, acredito que esteja no sangue, pois transcende gerações.

Nascida em uma família, onde somos apenas duas irmãs, eu e Adriane Steinmetz, jornalista e hoje também minha sócia, sempre fomos incentivadas pelos nossos pais a estudar e buscar conhecimento, oportunidade que os mesmos não tiveram. Jamais esquecerei, passe o tempo que passar, da fala de meu pai “a herança que nos preocuparemos em deixar para vocês duas, será a educação, pois essa ninguém conseguirá tirar de vocês.”

E assim aconteceu, meu primário cursei na escolinha rural da comunidade, da 5ª a 8ª série meu pai me levava em um ponto, onde pegava um transporte escolar bastante precário, andava 50 km dia para estudar em uma escola pública, em uma cidadezinha vizinha chamada Portelândia. Aos 15 anos de idade saí da casa dos meus pais na fazenda, e me mudei para cidade de Mineiros, onde morei em casa de parentes e amigos até concluir meu segundo grau.

Mas os sonhos eram grandes, e meus pais não mediram esforços para que eu os realizasse. E no ano de 2000, com 18 anos de idade, fui  para a capital goiana cursar a faculdade de Direito.

Mas como disse anteriormente, deve estar no sangue, e deveria estar escrito, que para o meu mundo Agro eu voltaria. Concluídos 07 períodos do curso, tive que voltar em 2004, para ajudar meu pai que estava com problemas de saúde. Eu como “filho” mais velho, que ele não teve, assumi a posição de braço direito junto a ele nos negócios da fazenda. Nesse período, para que pudesse concluir a minha faculdade, tive que me propor a me deslocar 200 km diários durante 03 anos, até a cidade de Jataí, pois era a cidade mais próxima em que havia o curso. Em 2008 me formei, e em 2010 recebia minha carteira de ordem dos advogados do Brasil.

Vivi ao lado de meu pai, momentos de muita alegria, mas também de muita dificuldade. E em 2005, se inicia a minha trajetória junto ao agro, aos 21 anos de idade eu me tornava uma produtora rural de grãos. O ano de 2005 trouxe consigo uma crise de proporção nacional, a qual teve um movimento que ficou conhecido como Tratoraço! Problemas de ordem climática, financeira, e ausência de uma política agrícola resultaram em perdas astronômicas para o setor. E é nesse contexto, que encarei o árduo mas extremamente gratificante desafio que é a vida do produtor rural.

Sobre o que eu vivi nesse período, sou grata a cada obstáculo e dificuldade que enfrentei, pois foram eles que me fizeram forte e me prepararam para o que ainda estava por vir. Não tenho dúvidas que, a base para atravessar e superar essa fase difícil, foi a união da minha família. Enquanto eu e meu pai nos envolvíamos com os negócios e buscávamos soluções para o que muitas vezes parecia não ter solução, minha mãe, com sua fé inabalável, seu amor e paciência acalmava os ânimos e nos motivava a seguir em frente pois dia melhores haveriam de chegar.

Após 10 anos de estrada ao lado do meu pai, ele muito jovem, aos 60 anos de idade, vítima de um infarto fulminante, encerra sua trajetória nessa vida e sai de cena.

Foram dias difíceis que se seguiram a essa grande perca que tivemos que enfrentar.

O destino que levou meu pai, no mesmo ano me trouxe aquele que a partir de então seguiria ao meu lado, me apoiando e me dando forças para seguir em frente, ao meu esposo Tommy, minha gratidão por tudo que fez e faz por mim e minha família.

A escola que na prática eu vivencie ao longo dos dez anos ao lado do meu pai, me capacitaram para a partir de então, assumir a linha de frente juntamente com minha mãe e irmã na fazenda.

E assim seguimos, as três mulheres, dia após dia, vencendo os obstáculos, enfrentando preconceitos, pressões e todo tipo de problema que enfrentam as mulheres que já passaram por um processo de sucessão familiar como   o nosso. Mas sempre com a certeza de que venceríamos, pois além de um anjo que agora tínhamos lá em cima que olhava por nós, tínhamos um Deus que era maior do que qualquer problema que viéssemos a enfrentar.

A nossa união, fez toda a diferença para que alcançássemos nossos objetivos. O nosso remar na mesma direção, foi fundamental. Eu e a Adriane fomos em busca de conhecimento, e nos formamos no curso técnico em agronegócios, pelo Senar/Faeg.

Se a história termina aqui? Se teve um final feliz? Eu diria que a história tem sim, inúmeros momentos felizes que devem ser celebrados, inúmeras conquistas alcançadas, recordes de safra batidos ano após ano, e principalmente a oportunidade de dar continuidade ao legado de uma família, a família Steinmetz, sulistas descendentes de alemães, e que sempre obtiveram seu sustento do Campo.

Mas a história da Cristiane Steinmetz, essa está apenas começando, hoje com novos projetos, novos desafios. E quero aqui   ressaltar um desses projetos, que tem agregado muito a minha vida profissional e principalmente me proporcionado uma realização pessoal que eu jamais imaginei sentir. Que é a idealização juntamente com a minha irmã do grupo Mulheres do Agro de Mineiros –Go, que mesmo muito jovem, tem superado expectativas e vem ganhando uma proporção fantástica. Grupo este que surgiu com intuito de unir forças das mulheres ligadas direta e indiretamente ao Agro, e através da troca de experiências, fortalecer cada uma de nós.

A minha eterna gratidão pela graça de ter nascido em uma família que tem suas origens e raízes na terra, e poder dar continuidade nesse segmento que é hoje, no Brasil e no mundo um dos mais importantes.

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Sobre o Autor

Cristiane Steinmetz

Cristiane Steinmetz, formada em Direito pelo Centro De Ensino Superior de Jataí- CESUT, MBA Executivo em Liderança e Gestão Empresarial pelo Instituto de Pós- graduação e Graduação – IPOG, Técnica em Agronegócios pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR/FAEG. Possui ainda vários cursos online na área rural. Recentemente concluiu pela Febracis, o curso de inteligência emocional com ferramentas de Coaching – Método Cis, e ainda pela mesma instituição, o curso Business High Performance.

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