A presença feminina no mercado de sementes

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Apesar das barreiras para atuação feminina ainda serem numerosas, o mercado de sementes representa uma área de atuação promissora para a participação feminina no agro

Que as mulheres vêm ocupando cada vez mais espaço no agro, não é novidade para ninguém. Aos poucos, o mercado do agronegócio, que era majoritariamente masculino, passa a contar com uma presença feminina firme como precisa ser mas com a delicadeza necessária para liderar de forma eficiente e oferecer resultados de forma satisfatória e diferenciada.

No mercado de sementes, o toque feminino tem feito grande diferença nos mais diversos departamentos. E engana-se quem acha que as mulheres que tem atuado nesse mercado são somente aquelas com formação ligadas diretamente às ciências agrárias. O campo de atuação dessas agro mulheres é muito mais amplo. 

Continuem lendo esse artigo e conheça as histórias de algumas agro mulheres com as mais variadas formações profissionais e que trabalham na área de sementes.

Movimento positivo em direção a equidade de gênero

Cyntia Opa é Administradora e trabalha no Agronegócio há 13 anos. Atualmente, Cyntia atua em uma área que dá Suporte às Vendas na Gestão de Ordens da empresa de sementes que atua. Ela destaca que nesse departamento há um grupo bem diverso de profissionais, o que “garante uma riqueza de pensamentos e diferentes pontos de vista que beneficiam o processo decisório e onde as qualidades se complementam e garantem o atingimento dos resultados”. 

Nesse departamento, a maioria dos cargos é ocupada por mulheres. Mas Cyntia observa que no campo a participação feminina ainda é tímida. “Vemos uma supremacia masculina atuando em vendas, por exemplo. A boa notícia é que percebemos um movimento positivo em direção à equidade de representatividade por parte das empresas em geral e em especial nas multinacionais que tendem a buscar seus talentos com base em competências e qualificação, desconsiderando aspectos irrelevantes como gênero, idade, raça ou qualquer outro atributo físico”, comenta ela.

Desafios profissionais ligados à área de formação dentro do mercado agro

Outra agro mulher que atua diretamente no mercado de sementes é a Gerente de unidade da empresa Roos, Juliana Isabel Schmidt, que é formada em Ciências Contábeis e filha de produtores rurais.

Juliana destaca que, atualmente, há mulheres muito competentes e responsáveis atuando também na produção de sementes. “A presença da mulher no agro vem aumentando bastante nos últimos anos, sendo muito importante a participação das mulheres nesse meio, mostrando que todas nós temos capacidade para administrar o agro também. É visível a inclusão das mulheres frente aos negócios e nas propriedades nos dias de hoje”.

Para Juliana assim como para muitas outras profissionais que ingressam no agro, o fato de não ser profissional diretamente da parte técnica foi o maior desafio profissional. “Estou me adaptando aos poucos e aprendendo a cada dia como funciona. Tudo está sendo um aprendizado e um desafio, mas que está agregando muito conhecimento. Estou tendo a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e novas pessoas, o que é muito bom, pois sempre há muita troca de informações”.

Assim como Juliana Schmidt, Cyntia Opa também enxerga como seu maior desafio dentro do segmento agro, o fato de vir de uma formação generalista como Administração e ter sua opinião respeitada em uma empresa altamente técnica em agricultura. 

Sempre assumi total responsabilidade sobre a minha carreira, buscando a excelência e assim consegui alcançar muitas das minhas metas profissionais até aqui. Somente o esforço, determinação e muito estudo me ajudou a superar esta barreira e dar voz às minhas ideias dentro da área. Hoje me sinto preparada para debater, contribuir e assumir novos desafios pois nós humanos somos abençoados por uma capacidade inata e ilimitada de aprendizado, então seja qual for o desafio à frente o conhecimento e desenvolvimento é possível!”, comemora Cyntia.

Já Juliana destaca que, no seu ponto de vista, para alcançar seus objetivos profissionais, alguns atributos de seu perfil profissional foram indispensáveis. “Sempre fui uma pessoa muito curiosa e de prestar atenção aos fatos que estavam ocorrendo no dia a dia no meu trabalho, tentando sempre estar por dentro dos assuntos relacionado ao agro, isso me ajudou muito para o lugar que estou atualmente”, declara.

No geral, a mulher, de forma natural, possui muitos outros atributos como maior delicadeza, perfil observador e costuma também ser mais comunicativa. E para Juliana, esses atributos contribuem muito para ter a presença cada vez maior de mulheres nesse setor. “A mulher possui também uma visão mais ampla e consegue se destacar e crescer cada vez mais em vários setores como estamos vendo por aí”, pontua.

Líderes inclusivas formam equipes de alta performance

Nesse cenário, Cyntia destaca um comportamento feminino que ela observa e que precisa ser mudado. “Um ponto é importante destacar: a mulher tende a se arriscar menos e também a exigir menos no mercado: menos oportunidades, menos promoção, menos aumento. Talvez por resquício da nossa sociedade patriarcal, a auto-estima e a confiança da mulher são menores que a do homem. E isso muitas vezes contribui para a baixa representatividade feminina em cargos de liderança. Algo que deve ser mudado JÁ! A maneira como pensamos e agimos. Não há qualquer característica inerentemente feminina que a coloque em posição de inferioridade ao homem no ambiente de trabalho, portanto também não há justificativa para termos tão poucas mulheres nos cargos mais altos das empresas, cargos públicos ou mesmo no campo político”, problematiza Cyntia.

E quanto aos atributos femininos, Cyntia salienta que “a mulher tem muitos atributos importantes que superam os aspectos mais óbvios como delicadeza e nossa (alta) capacidade de se comunicar. A mulher é naturalmente mais orientada à pessoas, talvez pelo seu instinto maternal está sempre atenta às necessidades do outro e pratica mais a EMPATIA. Também somos conhecidas pela nossa capacidade de pensar e agir em diferentes direções ao mesmo tempo, multitarefas, por isso somos produtivas e eficientes. Temos carisma, somos ótimas negociadoras, despertamos a colaboração em equipe e quando líderes somos inclusivas, compartilhamos o poder e formamos equipes de alta performance”, pontua ela.

“Seja qual for a área de atuação no segmento Agro portanto, seremos bem sucedidas. No escritório, no campo, no laboratório ou à frente de uma fazenda, o que vai determinar o quão vitoriosas seremos será o nível de motivação, vontade e esforço dedicado”, finaliza a administradora. 

A maternidade como desafio

Entre tantas mulheres profissionais do agro, está também Vanusa Siega, que é Engenheira Agrônoma e há 16 anos atua na produção de sementes de milho e soja. “Quando iniciei não era comum encontrar profissionais mulheres atuando no campo, mas felizmente, ainda que a passos lentos, essa realidade vem mudando. As mulheres vêm ocupando cada vez mais posições de referência e contribuindo brilhantemente com o agronegócio brasileiro”, conta a Agrônoma.

Atualmente, Vanusa desempenha um forte papel de liderança e comanda uma equipe de 73 funcionários efetivos e 250 sazonais. Ela destaca que os seus principais desafios durante a carreira estiveram ligados a conflitos internos

“O fato de conciliar a maternidade (sou mãe de dois filhos) com minhas atribuições profissionais já foi o maior desafio. Quando eles ainda eram muito pequenos foi a fase mais desafiadora, mas aos poucos tudo foi tomando o seu lugar. Felizmente importantes transformações têm acontecido e o tema equidade de gênero tem estado presente na pauta de reuniões, eventos, grupos organizados e vários trabalhos têm sido conduzidos comprovando os ganhos que a diversidade no ambiente de trabalho pode trazer”, pontua.

Vanusa destaca que algumas características do perfil feminino são diferenciais importantes para a atuação na área de sementes. “Precisamos ampliar as oportunidades nesse setor e incentivar o interesse das profissionais por essa área”, finaliza.

De agro mulher para agro mulher

Nesse cenário onde as agro mulheres têm cada vez mais voz, as entrevistadas e profissionais do agro Cyntia Opa, Juliana Schmidt e Vanusa Siega deixam um recado para todas as agro mulheres.

 

“É muito importante a nossa participação e o destaque que estamos tendo no agro e devemos seguir em frente participando cada vez mais desse setor”.  (Juliana Schmidt – Gerente de Unidade da Roos )

 

 

 

Embora as oportunidades de trabalho para as mulheres no agronegócio tenha aumentado ainda temos muitas barreiras que precisam ser transpostas para chegarmos à equidade. Além de estarmos dispostas a nos adaptar a diversos ambientes é fundamental que busquemos apoio das organizações para que o ambiente de trabalho também se adapte a algumas necessidades das mulheres e só conseguiremos isso nos unindo, buscando apoio de incentivadores e levando o tema para fóruns de discussão. É essencial estar preparadas. A dedicação feminina na busca de conhecimento é um grande diferencial e é certo que isso tem impulsionado a inserção das mulheres no mercado de trabalho”. (Vanusa Siega) 

 

 “Eu diria a todas as mulheres que já estão no Agronegócio ou sentem que pertencem a esse lugar, que a mudança que queremos ver no mundo começa pela maneira que agimos e nos apoiamos como mulheres. Muitas opiniões machistas são repetidas por nós mesmas. Nunca julgar ou menosprezar o esforço de uma colega, nunca diminuir suas conquistas, não repetir piadas preconceituosas que objetificam a mulher, nunca dizer que a sua promoção foi por outro motivo que não por mérito do seu trabalho, são todas pequenas ações que vão nos ajudar a obter mais respeito e a alcançar a equidade de condições no trabalho. E por fim, invista em você, se capacite, se esforce, seja forte, não desista… E, principalmente, se orgulhe, pois tudo que faz neste lindo propósito de alimentar o mundo é digno e nobre.  (Cyntia Opa)

Conheça mais sobre a Roos

A empresa citada na reportagem, onde Juliana Schmidt trabalha, é a Roos, que atua fortemente no ramo de sementes. Com seu centro administrativo localizado na cidade de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, a  Roos desde 1963 vem colaborando com a agricultura brasileira. É a maior produtora de sementes de trigo e soja do Rio Grande do Sul e está entre as maiores do país.

Com um pacote tecnológico sofisticado, as sementes chegam ao produtor, com garantia através de muita pesquisa e tecnologia para entregar ao produtor sementes de alto vigor, com adaptação ao solo e ao clima de cada região.

Armazenagem e comercialização de grãos também é um forte da Roos, com 11 unidades de recebimento totaliza uma capacidade de armazenamento de 540 mil toneladas de sementes ou 9 milhões de sacas.

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Sobre o Autor

Marluce Corrêa Ribeiro

Filha de produtores rurais, técnica em agropecuária, jornalista e estudante de Agronomia.

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